Novo caso envolvendo Facebook demonstra que nada é preto e branco, nem mesmo suicídio

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O grande “debate” na mídia polemizadora atualmente é se séries como a tal 13 Reasons Why conscientizam ou promovem suicídio. Pessoalmente acho que a série coloca toda uma série de péssimas idéias na mente dos jovens, principalmente usar fitas K7 em 2017 (sorry, James Gunn).

A questão do suicídio não é novidade fora da ficção, e a internet contribui para algo que até então a mídia séria e respeitável havia feito um pacto para não divulgar. Sim, crianças, pessoas se matam pulando nos trilhos do metrô e se jogando de pontes, mas isso não era divulgado, por um motivo simples: atrai imitadores.

Com a internet todo idiota com um celular corre pra fotografar um sujeito esmigalhado na estação, posta no zapzap pra virar o centro das atenções e acaba contribuindo com a morte de outras pessoas.

O Facebook tem sido acusado, com razão, de dar espaço para suicidas que juntam centenas, às vezes milhares de espectadores. Isso é ruim, e não só por demonstrar total falta de humanidade por parte de quem assiste sem fazer nada, mas também pelo efeito imitação.

Então o Facebook deveria bloquear imediatamente esses perfis caso o sujeito comece a transmitir o próprio suicídio, certo?

Nem tanto.

Uma adolescente em Atlanta fez uma Live pelo Facebook onde tomou comprimidos, enfiou um saco plástico na cabeça e se enfiou em uma banheira. Os amigos começaram a ligar pra 911, mas como eram amigos de Internet ninguém sabia onde ela morava.

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A sargento Linda Howard assumiu o caso, descobriu a escola da menina, lembrou que tinha um sobrinho lá. Eles eram amigos. O sobrinho confirmou que o vídeo era real (estava restrito a amigos) e rapidamente a sargento conseguiu três endereços prováveis, despachou viaturas e conseguiram achar a menina ainda com vida, a Life ainda não tinha sido encerrada (acharam que eu não faria esse trocadilho?).

A maior dificuldade de polícia e bombeiros é chegar nas tentativas de suicídio antes que eles se concretizem. Se um profissional consegue conversar com a pessoa, as chances são boas que seja convencida a não se matar. Se o Facebook tivesse bloqueado a Live da menina ela teria morrido.

O Facebook defende essa postura de manter os vídeos no ar, enquanto houver chance de identificar e/ou dissuadir o suicida. Outros acham que o dano causado é maior. A grande questão é que não é matemática: são vidas, uma real versus várias hipotéticas, e se há uma coisa que eu aprendi é que nesse caso as necessidades da maioria NÃO se sobrepõe às necessidades da minoria. Ou de um só.

Fonte: Associated Press.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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