China: novas regras aumentam ainda mais a censura na internet

A China é um país contraditório em sua essência. Está entre as grandes nações mais capitalistas que existe, é uma das potências econômicas globais e lucra horrores oferecendo mão-de-obra barata e pouco qualificada para quem quiser pagar (basicamente todo mundo), mas ao mesmo tempo precisa manter as aparências e seguir a cartilha comunista, mantendo alguns dos comportamentos típicos de outras republiquetas similares.

O mais notório é a censura dos meios de comunicação, um comportamento tão anacrônico e bizarro dada a situação que torna a China um país ridículo. Para o governo uma imprensa livre é o mesmo que “turbulência e caos”, e em tempos como hoje é preciso estender o controle de todas as formas possíveis.

Não é segredo que o governo do País do Meio só permite que sites de notícias locais só veiculem notas e informações de acordo com suas orientações, e rala para impedir que seus cidadãos acessem conteúdos de fora que não foram sancionados. Entre as medidas adotadas estão o uso do Escudo Dourado (o firewall estatal), a criminalização das VPNs e o uso de técnicos ligados ao partido para encher postagens controversas em sites, blogs e fóruns de baboseira (a desinformação é uma arma muito útil nesses casos); empresas de fora que não se adequaram foram banidas sem cerimônia (a Wikipedia sendo a mais recente e o país já está criando a sua própria versão do site), até para agradar o atual premiê Xi Jinping que possui antipatia à companhias não-chinesas, mas de qualquer forma uma ou outra gigante vêm tentando voltar porque não dá para ignorar um mercado com mais de 700 milhões de usuários conectados.

Só que como usuários são pessoas e querem as mesmas coisas em qualquer lugar do mundo, incluindo informação é importante exercer controle rígido sobre o que é veiculado internamente. Assim, de modo a garantir a “cibersoberania” do país e reforçar a segurança um novo conjunto de regras para divulgação de notícias na internet foi implementado nesta terça-feira, e basicamente sobrou para todo mundo: a partir de 1º de junho as equipes editoriais de todos os portais deverão ser aprovados pelas autoridades pelo escritório de controle da internet, a Administração do Ciberspaço da China (CAC, na sigla em inglês e não mais o Gabinete de Informação do Conselho de Estado), seja nacional ou local.

Se você pensou em um censor em cada redação (como aconteceu no Brasil durante a ditadura militar) saiba que é exatamente isso, a equipe será indicada pelo governo e composta por membros treinados e credenciados por Pequim. Dessa forma estabelece-se um maior controle sobre as notícias a serem divulgadas nos assuntos referentes a política, diplomacia, economia e informações referentes ao corpo militar; apenas o que o politburo considerar não-subversivo será publicado e ponto final.

As novas leis também valem para veículos que não se enquadram como redações tradicionais: fóruns, redes sociais, sites individuais, blogs, motores de busca ou qualquer outro tipo de plataforma será obrigada a contar com uma equipe de censores interna, de modo a impedir, filtrar e bloquear qualquer tipo de informação, postagem, mensagem ou coisa que o valha que esteja em desacordo com as normas do Partido Comunista chinês. Da mesma forma todos serão obrigados a seguir as “medidas de emergência” impostas por Pequim, que é publicar conteúdos pró-China e informações oficiais quando necessário.

Por fim, as regras estabelecem que qualquer companhia buscando fechar parcerias com empresas externas ou aceitar investimentos de fora deverá procurar autorização junto ao Escritório Nacional de Informação na Internet. De outra forma os editoriais só poderão ser financiados pelo governo, separando completamente a mídia de informação de outros tipos de conteúdos. No fim das contas, a medida do governo chinês é similar ao que Vladimir Putin fez na Rússia anos atrás.

Segundo a agência Xinhua o objetivo dessas novas regras é um só: “promover uma cultura sã na internet e proteger os interesses nacionais e públicos”. Então tá…

É bizarro pensar que um país tão grande quanto a China e que seja uma potência econômica tenha um acesso à informação tão restrito, e embora a internet até então não fosse tão rigidamente controlada isso agora irá mudar radicalmente: quando as regras entrarem em vigor os portais de notícias só publicarão aquilo que Pequim permitir, enquanto blogs e redes sociais serão forçados a filtrar furiosamente qualquer postagem controversa ou comentários sobre assuntos considerados espinhosos pelo governo (e há quem defenda fazer o mesmo aqui). Só que como o País do Meio é o dono da bola dificilmente as autoridades internacionais e grandes companhias instaladas lá falarão qualquer coisa; dinheiro sempre fala mais alto.

Fonte: Reuters.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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