Atualização sobre o lançamento do satélite brasileiro: nada mudou e está cada vez mais feio pra França.

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Sim, esse caso merece um raro Facepalm do Batman.

Era pra ser uma festa. Autoridades, técnicos, dezenas de jornalistas levados para a Guiana (nós não fomos convidados, claro). A certeza de um lançamento bem-sucedido era enorme, afinal de brasileiro no foguete para zicar o lançamento só a bandeira pintada. Pois bem, não deu certo. Em vez de subir dia 21 de março o SGDC foi adiado por 48 h, depois por tempo indeterminado. Motivo? GREVE GERAL.

Isso mesmo. A Guiana parou, companheiro. Primeiro foram os motoristas da empresa terceirizada que transporte o foguete do prédio de montagem final até a plataforma. Fecharam as estradas para o centro de lançamento em Kourou com troncos, e o movimento acabou se mostrando parte de um protesto nacional.

Basicamente o pessoal da Guiana se tocou que mora num buraco. Uma população de 250 mil pessoas e um PIB de US$ 4,9 bilhões; troco de pinga. 16% desse PIB vem do Centro Espacial, e ironicamente eles tem a maior renda per capita da América do Sul, com US$ 20 mil / ano, mas metade da RPC da França Metropolitana.

A capital, Cayenne, não é exatamente uma megametrópole NeoTokyo da vida. São 55 mil habitantes:

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Em resumo: esse povaréu decidiu que quer ser francês e ter o mesmo padrão de vida de quem mora em Paris. Por causa disso pararam o país, o que não seria problema se não significasse atrasar os negócios da Arianespace.

A previsão não-oficial esperançosa mas sem muita fé da Embraer era que o satélite seria lançado dia 15. Como no momento é 17, óbvio que não rolou. Pior, a fila só aumenta. Em maio teria um Ariane 5 com dois satélites e um Soyuz. Em junho outro A5 com o Immarsat 5 e mais outros dois pássaros, em julho subirá/ria um Vega com um satélite militar italiano e um ambiental israelense, em novembro estão agendados um Ariane 5 e um Vega.

O grevistas foram chamados a Paris para negociar com o presidente Hollande, mas não aceitaram. Hollande por sua vez não é candidato à reeleição, está no finzinho do mandato, e parece empurrar com a barriga a batata quente pro próximo governo.

A greve está centrada no Centro Espacial, único lugar que não teve as barreiras das estradas removidas durante a Páscoa, mas o diretor do Centro tem bem menos influência em Paris do que os grevistas imaginam.

O projeto da Arianespace para um recorde de 12 lançamentos em 2017 já foi pra vala. Agora pra piorar com os atrasos começarão a rolar as multas, e a empresa perderá milhões de euros, valor que aumentará se os clientes começarem a negociar lançamentos com outros parceiros.

A situação é surreal, o Centro de Lançamento na Guiana tem 9.000 funcionários, isso representa 40% da força de trabalho do setor privado no país, e mesmo assim nada se resolve. E mesmo que resolvam, serão precisos 10 dias depois do fim da greve até um próximo lançamento.

Costumamos dizer que o Brasil não é para amadores, mas em termos de incompetência a Guiana está mostrando que eles sim são profissionais. E não, não adianta pegar o satélite e ir bater na porta do Elon Musk. O acesso ao Centro Espacial está fechado por grevistas, esqueceu?

Bem-vindo ao Terceiro Mundo.

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Fonte: Space Intel Report.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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