VHD — o Formato Que o Tempo Esqueceu

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Pode ser o Tio Al fazendo uma visita, mas há coisas dos anos 80 que não me recordo MESMO. O VHD é uma dessas coisas. Essencialmente é uma das muitas baixas da Guerra dos Formatos. VHS vs Betamax não foi a única briga pela supremacia do mercado. Todos os produtos de consumo entraram na disputa.

Quando o mercado começou a buscar alternativas ao VHS, uma penca de formatos apareceu. O mais bem-sucedido foi o Laserdisc, o que diz muito sobre como essas alternativas eram horríveis. Uma das mais interessantes era o VHD, Video High Density da JVC, concorrente do CED da RCA e se você está suspeitando que isso só fez sucesso no Japão, acertou.

O mais curioso é que o VHD não usava laser mas… uma agulha.

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O disco não era em espiral. Os dados eram gravados em círculos concêntricos. Uma agulha lia as diferenças de capacitância e as transformava em dados de imagem. Cada círculo comportava exatos dois frames. O disco conseguia guardar 1 h em cada lado e claro não era regravável.

Outra curiosidade: você nunca via o disco. Para proteger de poeira e dedos ele vinha em um cartucho. Encaixava na máquina, o disco era puxado, você removia o cartucho vazio e assistia. Na hora de guardar tudo, processo inverso.

O VHD foi apresentado em 1978 mas só começou a ser vendido em 1983, auge da popularidade do VHS, que não só não foi afetado pelos formatos alternativos, como comeu o pouco mercado que eles tinham. Chegaram a lançar filmes em VHD até 1990.

Neste vídeo do excelente Techmoan ele recupera um VHD e demonstra em detalhes a tecnologia. Uma fascinante viagem no tempo, mostrando como os engenheiros do passado eram criativos para contornar as limitações tecnológicas da época:


Techmoan — Movies on Vinyl – VHD The forgotten 1980s Videodisc

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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  • Bizarro, alienígena, deve ser um desse que foi na Voyager 😀

    Mas por falar em agulha, eu tive um desses toca discos aqui. Era bizarro também, a agulha era controlada remotamente, a gente não manuseava o braço do toca disco com a mão. Tudo pelos botões.

    É o mais próximo que cheguei dessa tecnologia alien que o Cardoso falou.

    https://uploads.disquscdn.com/images/fbb126e3d718e8235a8448c92a019e5def1714d58adcb73b1438ea7f646a85b0.jpg

    • O (ex)Datilógrafo da AEB

      Um amigo tem um desses, é um ótimo TD.

    • Alvaro Carneiro

      eu vi um da Sansui, decada de 80, que era na época o topo mesmo, e era nesse esquema aí, e voce ainda podia escolher a faixa (igual CD) e o braço ia se movendo e achava a faixa e começava a música sozinho.

      na época era algo Mágico(TM).

      sem falar que no mesmo aparelho tinha um equalizador onde todas as réguas eram motorizadas e tinham memória.

      • Whirlpool

        Dá uma fuçada no canal citado na matéria, tem um vídeo falando exatamente sobre essa tecnologia aí (mas acho que o player dele era Sharp, e não Sansui). É bem interessante ver isso funcionando em vinil.

        Vi também um sobre uma tecnologia de redução de ruído chamada dbx (o vinil era feito especialmente para esse sistema). Enfim, muita coisa interessante que eu acho que nem chegou aqui no Brasil.

    • Mario Junior ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

      Aí vem uma curiosidade: como diabos aquele disco da Voyager será reproduzido?

      • achsanos

        Mandaram uma agulha e instruções de como executá-lo impressas no disco.

        • Mario Junior ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

          Mas mandaram um aparelho para isso, obviamente né?

          • achsanos

            Pra que? Só ia agregar peso extra. As instruções, em binário, são: girar o disco, posicionar a agulha sobre ele e recolher o sinal resultante da agulha como dado; se o esqueminha for seguido corretamente, o hipotetico alien verá um círculo como sinal de confirmação e terá acesso a todo o resto.

  • Luiz

    Pensei que era VHD do HyperV.

    • Até o Google tem dificuldade de separar, VHD format não vai pro videodisco nem a pau.

  • O (ex)Datilógrafo da AEB

    Sdds… O VHD e o Laserdisc foram primordiais para o projeto Despecialized Edition do Star Wars. Projeto em que hobbystas restauraram a trilogia Star Wars ao seu formato original. Sem as bizarrices que vemos na restauração oficial.

  • Flávio Simões

    Cardoso, não sei se você conhece o Regular Show (Apenas um Show na Cartoon Brasil)
    É bem divertido no geral (Não é insano, mas é divertido)
    Se não conhece, assiste o episódio “The last laserdisc player” que é ótimo demais e me lembrou este artigo.

  • Alvaro

    Po essa não conhecia, muito interessante! Japão tem vários formatos unusuais que fizeram um certo sucesso como o MD disk. Aliás, esses dias vi uma mídia DVD-RAM, formato que a Panasonic e Mitsubishi queriam expandir, que vem um DVD em espécie de cartucho. Parecia promissor mas teve muito pouca adesão.

    • Alexandre Salau

      Eu cheguei a usar um DVD-RAM mas já era sem cartucho. Não era muito prático porque precisava instalar um driver proprietário no micro pra poder usar.

      • Alvaro

        Pois é, também não consegui rodar no PC, mesmo o gravador dizendo que era compatível. Achava promissor porque meu tio tinha um espécie de DVD Player da Panasonic, que gravava programa da TV no RAM sem trancos e ainda podia editar ou apagar facilmente como fosse um flash drive. Creio que com o advento do pen drive e próprios players c/ HDD incorporado, não vingou essa mídia.

        • Alexandre Salau

          Outra desvantagem é que era muto lento, na época em que já se conseguia gravar um DVD inteiro em 4 ou 5 minutos o DVD-RAM demorava quase uma hora porque tinha que apagar e gravar, tudo leeeentamente. E sim, o pendrive matou ele e mais um monte de mídias.

    • Cristhian Suematsu

      O MD foi bem difundido no Japão, até porque a dona do formato era a japonesa Sony. Era menor que um CD e mais resistente e portátil que um CD single – nem precisava de case. Cabia música de um CD inteiro num MD, porque usava uma compressão digital bizonha da Sony – a qualidade ficava entre a de um CD e a de um cassete. Era mais fácil de montar um MD com sua seleção pessoal em comparação com os cassetes, pois podia-se copiar faixas de seus CDs prediletos direto para um MD virgem, bastava ter um mini-system em casa que permitia a gravação. Alguns até permitiam colocar tags para cada faixa gravada no MD, para ser exibida nos painéis digitais rudimentares dos MD Players. Na década de 90, isso era o máximo.

      Não chegou a pegar fora do Japão porque a Sony não conseguiu convencer muitas fabricantes a adotar e popularizar o formato – rolou até uma guerra de formatos com a Phillips e seu cassete digital DCC, desconhecida para muitos. Por conta disto, neste lado do globo as pessoas ficaram relegadas a se contentar em carregar um trambolho como o Discman pra sair por aí escutando seus álbuns prediletos em bolachinhas de 16cm com qualidade digital e soluços (demorou até aparecerem modelos com anti-skip de preço decente); ou ainda usavam Walkman, quando queriam algo mais portátil e sem soluços, sacrificando qualidade sonora.

      Os anos se passaram, e quando menos se percebeu já era tarde, pois os MP3 players surgiram e se popularizaram, e o MD e seus concorrentes perdiam feio em praticidade e portabilidade para o novo formato de música digital. O MD aos poucos foi caindo no esquecimento, e hoje é uma relíquia da era de áudio digital pré-internética.

      EDIT: a Sony tentou vender o MD como uma mídia de armazenamento de dados também, mas enfrentou concorrência primeiro com o Zip Drive da Iomega, e perdeu de vez para os CDs graváveis, muito mais baratos – tanto a mídia quanto o drive. Enfim, o custo da mídia e dos equipamentos compatíveis nunca foi o forte do formato, o que só atrasou sua adoção e deu tempo para tecnologias melhores e/ou mais baratas surgirem.

      • Theuer

        O MD até que funcionou bem por aqui sim. Sonhei com ele durante uns anos porque os “japas” da sala tinham até que consegui o meu. Era incrível pode ouvir um “CD” andando de skate sem pulos e travadas.
        Se não me engano o formato da Sony chamava ATRACK3, em algum momento ela teve que ceder e assumir o MP3 como codec.
        Abraço.

        • Alvaro

          Siiim, a Sony sempre era teimoso com seus formatos próprios como é a Apple agora… lembro que tive os primeiros mp3 player (walkman) que ainda tinha esse tal do ATRAC3 e tinha que ficar convertendo mp3 para o ATRAC3 no bendito SonicStage. Aos poucos ela caiu na “humildade” como foi com o abandono dos betamax, Memory Stick….

      • Alvaro

        Pois é, a Sony e cia japonesas sempre tiveram essa de tentar emplacar tecnologias próprias que quase nunca saiu do mercado doméstico. Acho que uma das poucas apostas que a Sony levou a melhor foi a padronização mundial do Blu-ray (por ironia, em conjunto com a Philips) versus o padrão HD-DVD da NEC, Toshiba, Microsoft…

  • Erik Silveira

    Os engenheiros de hoje estão kagando para espaço.

  • Vin Diesel

    O Laser Disc eu até conheci mas esse VHD é novidade. Essas coisas não são apresentadas lá no Giz.

    • Lá é “tecnologia para pessoas”, então são nuggets, grafeno, dirigiveis como futuro da aviação e cobre derretido em cocos…

  • achsanos

    Techmoan é um vício.
    gravador de áudio por fiohttps://www.youtube.com/watch?v=90ihiTwJPCc;
    ‘iPod’ de mesa com fitas cassete https://www.youtube.com/watch?v=RJo13FP4UpI
    VHS em alta definição https://www.youtube.com/watch?v=jiu0LPeLQPE
    calculadora mecânica https://www.youtube.com/watch?v=fhUfRIeRSZE

    • e tem o walkman de duas fitas

    • jacob

      Techmoan é um dos melhores canais que eu pude conhecer nos últimos tempos, assim como o Lazy Game Reviews e o 8 Bit Guy (inclusive, tive o prazer de ver recentemente um collab entre esse último e o Techmoan). Há vida no YouTube além de prensas hidráulicas e facas a 1000ºC.

      • Tia do Bátima

        Assisto bastante esses 3 canais e são totalmente excelentes!

    • Dandalo Gabrielli

      Um dos lados mais interessantes que ele traz é o como estava o mercado. Mostrando que vários aparelhos sofreram do medo da indústria, onde a pirataria acabaria com tudo. Isso se repete em discursos a mais de 40 anos.
      Exemplo as gravadoras não gostaram muito do CD nem de melhorias que apareciam no k7, e faziam várias críticas comerciais ao Japão. Como hoje se faz a hoje a china…

  • “Laser disc” era foda.. parecia um Vinil cromado de tão grande que era a coisa.

    Se jogasse de um prédio diriam que era disco voador…

    https://uploads.disquscdn.com/images/a27bd60da2473250ad95511cfab665b2e2ce6f8c17284614fa4fa110a61c3125.jpg

  • Vagner Da Silva

    Eu assisti um tributo ao Queen em um laserdisc legendado em japonês, era realmente uma experiencia diferenciada (para a época)…Uma coisa que me matava de raiva eram as novas tecnologias que nunca vingavam, mas deixavam a gente sonhando acordado, é ate difícil prever o quanto a tecnologia teria avançado se essas coisas tivessem feito sucesso comercial quando foram lançadas. E incluindo a TV HD de tubo que estava em testes desde que eu era criança lá nos 80/90 e que finalmente está vingando, mas não está nem perto do potencial que tinha (por ganância das emissoras).

  • abraaocaldas

    Até que não era tão ruim mas perdia para o laserdisc em qualidade de imagem. A ideia de pular os capítulos parece muito bem feita, mesma coisa do fast-foward.

  • jacob

    Mais uma prova de que os japas sempre estiveram pelo menos 20 anos à frente da nossa reles civilização ocidental.

    No campo da eletrônica (principalmente audovisual) os japoneses sempre deram um banho em todo mundo, especialmente na gravação de áudio digital e captura de vídeo em alta definição nas quais foram pioneiros absolutos.

    Sugiro fortemente que vejam esse vídeo que demonstra o que eu estou falando: https://www.youtube.com/watch?v=S0QDB9FtnUM. Foi gravado em um sistema digital Sony HDVS e a qualidade pra um material do começo dos anos 90 é simplesmente absurda. Enquanto todo o resto do mundo ainda engatinhava no formato analógico Betacam SP (também lançado pelos japas da Sony), o povo de lá já tinha gravação de vídeo digital em alta definição, pelo menos uma década e meia antes do povo de cá sequer começar a brincar com isso.

  • Theuer

    Para mim, o ápice da engenharia ainda é o MD.
    Um disco de leitura óptica escrito magneticamente em uma camada “derretida” pelo laser num aparelho menor que um celular… Genial!!!

  • Goodtimes

    Pergunta de um cara preguiçoso pra pesquisar: Qual é esse tradutor que o cara usa no celular dele?

  • Manoel Jorge Ribeiro Neto

    Por falar em formatos que não vingaram, existe um bem interessante: o D-VHS. Ele basicamente usava as velhas fitas VHS, mas em formato digital! Cada fita poderia armazenar até 50 GB de dados (mesma coisa de um Blu-Ray comum de dupla camadas). Como na época em que ele foi lançado (finalzinho dos anos 90) ainda não existia H.264, a maior qualidade de vídeo era 1080i (mesmo assim, bem melhor que DVD). Foram lançados alguns filmes nesse formato (o último “arrasa quarteirão” lançado nesse formato foi o “Eu, Robô”), mas ele não vingou, e suas fitas hoje são itens de colecionador.

    • Claudionor Buzzo Raymundo

      Pode-se dizer se a Sony não desenvolvesse o formato nessa época, ele estava mesmo fadado ao fracasso.

  • Amigo meu ganhou de herança de um tio, mas o Laserdisc.

    Instalei vários nos primórdios da “Hometeatragem” aqui na Banânia…. era o must, e um sistema valvulado dourado baiano que só…

  • Alessandro Smuczek

    Diz a lenda que quem ajudou muito o padrão VHS foram os filmes pornôs que aderiram este formato e resto seguiu a linha, mas não sei se isso é verdade.

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