Alemanha quer regular o streaming ao vivo, mas não como você pensa

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Antes de o Google começar a fazer a faxina, muita gente considerava a carreira de streamer profisional como opção viável e muito rentável desde que tivessem talento e compromisso com o que estavam dispostos a fazer. Os gamers abraçaram com vontade tanto o YouTube quanto o Twitch, hoje parte integrante da Amazon e os maiores canais garantiram gordos contratos com anunciantes e realizaram várias campanhas nos últimos anos.

Só que existem alguns problemas nisso, e as autoridades alemãs (sempre eles) não estão dispostos a deixar todo mundo fazer a festa sem que haja regulação do formato de streaming. Ou seja, alguns streamers do país terão que tirar licença formal de broadcasting, a mesma emitida para emissoras de TV para continuarem no ar. Só que ao contrário do que foi inicialmente veiculado isso não se aplicará a todo mundo e o motivo é bem simples: YouTube e Twitch não são a televisão, mas tem gente os utilizando como tal e não são os espectadores.

O primeiro a trazer o caso à tona foi PietSmiet, um YouTuber alemão especializado em streaming de Let’s Play que é considerado uma celebridade por lá, com um canal que conta com mais de dois milhões de inscritos. Ele já assegurou diversas campanhas com anunciantes e sim, faz bastante dinheiro com o YouTube. PietSmiet diz que foi contatado pela Landesmedienanstalt (saúde!), a agência alemã reguladora de transmissão de rádio e TV e informado de que ele precisa tirar uma licença formal até o dia 30 de abril, ou do contrário ficará impedido de realizar novas transmissões ao vivo.

O YouTuber explica o caso abaixo (em alemão):


PietSmiet — Update: Post von den Landesmedienanstalten, Hauptkanal braucht auch Lizenz

Obviamente que a internet ficou louca: a Alemanha vai regular todos os YouTubers que fazem streaming ao vivo do país, obrigando-os a se registrarem como emissoras de TV? A título de esclarecimento a tal licença custa entre € 1.000,00 e € 10.000,00, o valor final sendo definido pelo alcance (audiência) do canal e outros fatores. Tal cobrança, entre outras exigências dos reguladores poderiam inviabilizar todo o formato no país e claro, instaurou-se o medo de que a União Europeia gostasse da ideia, estendendo a decisão da Alemanha aos outros países do bloco.

No entanto o buraco é mais embaixo. Em primeiro lugar os reguladores não estão interessados em correr atrás de canais pequenos e sim dos peixes grandes, os que amealham milhares, milhões de visualizações e asseguram contratos gordos com anunciantes e parceiros, com isso enchendo o bolso de grana e não recolhendo impostos e outras taxas. Segundo, mesmo nesses casos uma transmissão curta não está ameaçada, quem costuma entrar ao vivo em espaços irregulares de tempo continuará a fazê-lo sem problemas.

Só que neste caso PietSmiet se vende como uma emissora de TV na internet, com streaming 24/7 ininterrupto. Seus slogans “Dane-se a TV, assista PietSmiet TV!” e “Nós somos (um canal de) TV, só que melhor” deixam claro qual a proposta do canal. Na Alemanha as regras para enquadrar um canal de streaming como uma transmissão tradicional são quatro: transmissão linear, capacidade de atingir mais que 500 espectadores, programação fixa com horários pré-determinados e conteúdo editorial (comentários durante a transmissão por exemplo) e nesse caso, o canal do streamer alemão se enquadra em todos os quatro casos.

Vale lembrar que em 2015 outro grande canal alemão que opera da mesma forma, o Rocket Beans TV também foi enquadrado pela Landesmedienanstalt quando ainda estava no Twitch, e mesmo depois de migrar para o YouTube a necessidade da licença se manteve.

Mesmo assim as autoridades alemãs reconhecem que as regras de transmissão de conteúdo são antigas, pensadas para rádio e TV e a internet não se enquadraria perfeitamente, e nem é essa a primeira vez que casos assim ocorrem no país. De qualquer forma os reguladores alemães não estão pensando em uma solução final para todos os canais de YouTube e Twitch que realizam transmissões ao vivo. Por outro lado, os que atuam como canais tradicionais com programação contínua terão que se adequar se quiserem continuar no jogo.

Fonte: Dot Sports.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Luiz Claudio Eudes Corrêa

    Como Europa são vários países colados um no outro, se é comigo eu dirigiria até o país vizinho pra fazer o streaming e mandava uma banana para as autoridades alemães.

    Ririamos bastante no caminho pra cadeia alemã na volta :p

    • Se você fizesse o streaming de outro país, não teria problema, oras….

      • Rodrigo M

        Fizeram isso nas Inglaterra com rádios piaratas. Os caras faziam as transmissões em águas internacionais 😛

        • Luiz Claudio Eudes Corrêa

          Eu vi esse filme, muito legal

          • Marombert Einstein

            Já ouvi falar da tal rádio Caroline, mas que filme é esse?

          • Henrik Chaves

            “Os Piratas do Rock” (“The Boat that Rocked”), com Bill Nighy, Phillip Seymour Hoffmann e grande elenco.
            Muito divertido, por sinal.

      • Minion

        Volta para aquela lata de lyxo do ODZ e escreva algo que (não)presta.

    • Fernando Silva

      Não funciona bem assim não…

      • Ivan

        por que não?

  • Rodrigo M

    “não estão pensando em uma solução final” Quase cuspi água no monitor!

    • Rômulo Catão

      Jamais pensariam num absurdo desses.

  • Ivan

    Governo não pode ver ninguen ganhando dinheiro sozinho que quer um pedaço, as vezes um pedaço bem grande.

  • Cássio Amaral

    E viva o Estado se metendo em tudo e querendo arrecadar e aumentar burocracia. Se bem que o governo alemão é fichinha perto do nosso. Em matéria de regulação, somos campeões.

    • Aí q vc se engana. A diferença é que lá, por mais regulamentado que seja as coisas andam.

      • Rafael Rodrigues

        E é impressionante como TUDO funciona por lá. Dá até tristeza.

  • 24/7 com programação em horário fixo com grade? PÔ, aí sim, é uma TV, só que em broadcast. Aí tudo bem, a corrida atrás pelos órgãos alemães faz sentido 😀

    • Wallacy

      Pois é! Não vou ficar discutindo se é justo ou não pagar o imposto Y ou Z. O problema aí parece que eles de fato SÃO uma emissora de TV.

      Esses certamente são os mesmos que devem mandar reporters para eventos e se aproveitar de qualquer lei que favoreça a “categoria”, porém na hora de cobrar as mesmas taxas são os “diferentes”.

      Se a briga deles fosse o fim da licença para todos os canais faria bem mais sentido.

      • Ivan

        Vão dar pra eles uma concessão de televisão tbm pra que se quiserem passar na tv também?

        Não cara não precisa lutar pra outros não pagarem, ele não é um canal de tv, simples assim.

        • Rafael Rodrigues

          Ele SE DIZ TV. Vai discutir com o dono da bagaça?

    • Ivan

      Onde tirou que o cara transmite 24/7?

      Ele transmite online o que é bem diferente de uma tv.

      • Do texto?

        Só que neste caso PietSmiet se vende como uma emissora de TV na internet, com streaming 24/7 ininterrupto.

        • Ivan

          Errro meu, mas de qualquer jeito não é um canal de tv.

          • abraaocaldas

            “Seus slogans “Dane-se a TV, assista PietSmiet TV!” e “Nós somos (um canal de) TV, só que melhor” deixam claro qual a proposta do canal.”

          • Ivan

            Quero ver numero do canal que ele passa.

          • abraaocaldas

            Pensamento muito estreito.

  • Fernando Silva

    Isso é resquício de leis ultrapassadas criadas no pós guerra para fomentar os canais de rádio e TV públicos. É uma merda isso! Eu não tenho TV em casa, mas tenho que pagar 50 € trimestrais pra poder bancar a merda da TV pública que eu não assisto e tem a programação bem duvidosa. O que vários alemães fazem é simplesmente não pagar, daí demora mais de cinco anos pra rolar processos exorbitantes e no final o valor é tao alto que a pessoa não tem como pagar e entram em um acordo. É simplesmente ridículo!

    • Wallacy

      Pelo menos você sabe que está pagando pela TV e o quanto! Aqui no Brasil fingimos que não pagamos só porque não existe um imposto direto.

    • Maximus_Gambiarra

      No Brasil se paga um pouco menos, entre R$4,00 e 5,00, para manter a EBC, que produz programas que nos obrigam a desligar o rádio às 19:00 e mantém o canal conhecido como Canal Traço.

  • Wallacy

    Pelo menos lá na Alemanha possuem uma regra bem definida para o que é um canal de TV (programação 24/7, grade, etc).

    Aqui temos emissoras que de fato só retransmitem e possuem apenas uma unica programação diária, e ainda tem que pagar todas as taxas. Ou aquelas que nem retransmite, apenas grava um programa que manda via link de satélite (ou outra tecnologia) para um terceiro transmitir, e… também paga tudo como se fosse uma emissora completa.

    Fala serio, € 1.000,00 – € 10.000,00 para a maior parte dos canais não é nada. Só um aluguel de alguns equipamentos passa disso fácil.

    Claro, qualquer taxa é um limitador de crescimento, mas pessoalmente acho que quem faz programação 24/7, programas fixos, comerciais etc, etc igual eles já estão bem grandinhos.

    Ou eles alinham o discurso para acabar com o valor da licença para todos ou ficam quietos e pagam, querem pagar de diferentes mas no final são a mesma bosta da maioria dos canais de TV.

    • Ivan

      Sim, mas tirando que não são canais de tv, pra começar.

      • O próprio sujeito disse que é.

        • Ivan

          Ok, então se passa 24/7 mesmo não passando na tv tem que pagar como tv, afinal o governo é teu socio e tem que pegar a parte dele né?

  • Pingback: Alemanha quer regular o streaming ao vivo, mas não como você pensa - paschoal.net - notícias de tecologia | paschoal.net - notícias de tecologia()

  • ElGloriosoRangerRojo™

    Até imagino porque eles estão tão preocupados com os streamers.

    A TV alemã é uma bosta, e com certeza os canais tradicionais de lá estão fazendo lobby…

  • Caipiroto, o Capeta Caipira 😈

    instaurou-se o medo de que a União Europeia gostasse da ideia, estendendo a decisão da Alemanha aos outros países do bloco.

    Medo que, conhecendo bem o curso de ação da União Européia sobre qualquer tipo de burocracia, é totalmente justificado diga-se de passagem.

  • A razão pela qual um canal de TV “precisa” que o governo licencie é a frequência de rádio que o canal opera precisa ser concedida especificamente para que esta empresa use… Pois do contrário qualquer um poderia transmitir na mesma frequência, e ai ninguém conseguiria assistir a programação de nenhuma das empresas.

    Repare que há portanto um recurso escasso: A banda de rádio (o canal propriamente dito). Para que a TV Joãozinho opere no canal 2, a TV Pedrinho não pode operar no mesmo canal de rádio. E os canais são limitados (se não me engano, cabem até 80 canais no espectro UHF destinado a TV digital).

    Na Internet não existe esta limitação… O fato do canal do Joãozinnho existir não impede o canal do Pedrinho de ser criado. Portanto podem coexistir centenas de milhares de canais e nenhum deles vai atrapalhar a existência do outro.

    Portanto não faz sentido o governo querer regulamentar canais de Internet da mesma forma como faz com canais de TV. Se o problema é a arrecadação de impostos, o governo deve usar as mesmas regras que usa para cobrar sobre o faturamento de qualquer empresa… E não cobrar por uma licença especial de transmissão que não faz o menor sentido.

    • Alexandre

      Raciocínio claro, lógico, e esse é seu erro! Desde quando governo se prende a formalidades como lógica ou clareza na hora de nos explorar com os infinitos impostos para alimentar um universo enorme de barnabés?

      • Alfred

        Perfeito, um estado criminoso e psicopata não segue a logica.

  • TheGuy

    Que post estatista… lá vai o Estado meter o dedo em algo que funciona muito bem sem interferência Estatal.

    O medo mesmo é a União Europeia resolver estender pra todo mundo, UE adora um controlezinho Estatal.

  • Onde houver alguém tentando ganhar dinheiro, haverá um Estado tentando impedir (ou levar uma parte).

  • Deixe-me ver. O cara fatura rios de dinheiro e reclama de pagar entre mil e dez mil euros, em que ele mesmo diz que é um canal de TV?

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