Project Scorpio teve (quase) todas as especificações finais reveladas oficialmente

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Pastilha de silício do Project Scorpio: são 360 mm² litografados em 16 nm pela TSMC (crédito: DigitalFoundry)

A Microsoft apresentou com exclusividade quase todas as especificações finais do Project Scorpio ao pessoal lá do DigitalFoundry, incluindo uma pastilha de silício real como brinde e acesso à placa-mãe final em primeira mão. Que bando de europeus sortudos!

Antes de apresentar os números, alguns muito impressionantes, é bom deixar claro que o que mais importa num console são os jogos. Não adianta montar um desktop de US$ 2.000 só para jogar games em Flash. Aliás, no momento a Microsoft anda atrás de conquistar o maior mercado de games do mundo, o chinês. E os chineses são mais PC gamers, então certas atitudes como o Xbox Play Anywhere e o Xbox Pass estão mirando na China. E fazem todo o sentido.

Dito isso tudo, vamos analisar o que o anúncio de Redmond revelou àquele site.

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As estranhas do Project Scorpio, de “cabeça para baixo” (crédito: EuroGamer)

Primeiro, as ausências: não foi revelado nem o nome oficial final, nem o design exterior do console e nem muito menos o preço. Cada empresa tem suas estratégias e muito provavelmente alguns desses três detalhes podem ainda estar em estudo. Como a data de lançamento será por volta de outubro, muita coisa pode mudar neles, inclusive antes da E3 2017, em junho.

O segundo aspecto que devemos analisar é a montagem do novo console, a disposição das peças no interior da caixa. A Microsoft apresentou ao DigitalFoundry alguns vídeos à respeito e mesmo sem um design exterior revelado, podemos dizer muita coisa aqui.

Logo de cara já percebemos que o Project Scorpio terá fonte interna, só que disposta de forma diferente do Xbox One S, agora do outro lado. Explico: no Xbox One S, o lado esquerdo possui o leitor óptico de Blu-ray 4K na frente e o HD na parte posterior. Já no lado direito do Xbox One S, temos o processador central no meio e sua enorme ventoinha, com a fonte interna de alimentação espremida na parte posterior.

No Project Scorpio a equipe de engenheiros de Redmond decidiu deixar o SoC do lado direito, totalmente isolado dos outros componentes maiores. Aparentemente a placa-mãe estará de “cabeça para baixo”, como numa placa de vídeo ou mesmo como no caso do PS4 original. Com isso, o leitor de UHD BD ficará embaixo do disco rígido, enquanto a parte posterior do lado esquerdo do console será tomada pela fonte de alimentação e saída de ar quente do sistema de arrefecimento.

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Corte do sistema de resfriamento do processador principal do Project Scorpio (crédito: EuroGamer)

O terceiro destaque é o sistema de arrefecimento do Project Scorpio: o console usa um bloco de cobre cujo interior usa uma câmara de vapor com água. Esse tipo de resfriamento é utilizado em placas de vídeo high-end, como as Founder’s Editions da nVidia. Uma solução cara que permite fazer overclocks. E por falar em clocks, digamos que o enorme chip do Project Scorpio abusa muito das frequências de operação, algo sem igual nos consoles até o momento.

Veja bem: a solução ideal nos consoles de mesa sempre foi colocar o menor número de chips possíveis com um clock relativamente baixo em relação aos PCs, para baratear a produção futura, diminuir o consumo e colocar um sistema de arrefecimento simples. A Microsoft com o Project Scorpio parece querer fazer o contrário para proporcionar uma experiência premium: temos uma enorme pastilha de silício de 360 mm² com sete bilhões de transistores litografados em 16 nm pela TSMC, tudo isso com CPU octacore x86 rodando a 2,3 GHz e uma GPU a 1.172 MHz.

Abaixo uma comparação entre os números técnicos dos sistemas.

COMPARATIVO ENTRE ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS (8ª GERAÇÃO)
Console → Project Scorpio PS4 Pro PS4 Xbox One (S)
CPU 8 núcleos AMD Jaguar (“customizados”?) a 2,3 GHz 8 núcleos AMD Jaguar a 2,1 GHz 8 núcleos AMD Jaguar a 1,6 GHz 8 núcleos AMD Jaguar (“customizados”?) a 1,75 GHz
GPU 40 unidades GCN (“customizadas”?) a 1.172 MHz 36 unidades GCN (“melhoradas”?) a 911 MHz 18 unidades GCN a 800 MHz 12 unidades GCN a 853 MHz (Xbox One S: 914 MHz)
Desempenho gráfico 6 Tflop/s 4,2 Tflop/s 1,84 Tflop/s 1,31 Tflop/s (Xbox One S: 1,4 Tflop/s)
Memória 12 GB GDDR5 6,8 GT/s (3,4 GHz) 8 GB GDDR5 6 GT/s (3 GHz) + 1 GB DDR3 8 GB GDDR5 5,5 GT/s (2,75 GHz) 8 GB DDR3 (2.133 MHz), 32 MB ESRAM
Largura de banda da memória 326 GB/s 218 GB/s 176 GB/s DDR3: 68 GB/s, ESRAM: 204 GB/s (Xbox One S: 219 GB/s)
Interface da memória 384 bits 256 bits 256 bits 256 bits
Disco rígido mais básico 1 TB 1 TB 500 GB 500 GB
Drive óptico Ultra HD Blu-ray Blu-ray Blu-ray Blu-ray (Xbox One S: Ultra HD Blu-ray)
Preço ??? 399 dólares (1 TB) US$ 299 (slim, 500 GB) US$ 299 (500 GB)

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O Project Scorpio se posiciona logo acima do PS4 Pro em todos os aspectos. Como será lançado basicamente um ano depois do console da Sony, temos em essência um PS4 Pro melhorado. Mas é aí que entra o pulo do gato: a Microsoft diz ter customizado o kit de desenvolvimento do Project Scorpio de forma a exigir menos hardware para entregar mais no software. Ou seja: mesmo com “apenas” 6 teraflop/s o novo console conseguirá gerar gráficos em 4K (de verdade, não o do PS4 Pro) a 60 fps, coisa que só vemos em placas de vídeo com desempenho bruto no mínimo 50% maior.

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Segundo a Microsoft, um Forza para o Project Scorpio consegue gráficos melhores que os do PS4 Pro utilizando menos recursos que o console da Sony (crédito: EuroGamer)

Exemplo: a Turn 10 Studios levou dois dias portando o Forza Engine para o novo console. E, mesmo sem otimizações (segundo eles), o estúdio conseguiu transportar algo equivalente ao Forza Motorsport 6 com gráficos melhores, na resolução 4K de verdade (3.840 × 2.160 pixels) e a 60 fps usando apenas 66% da GPU do Project Scorpio. Isso é basicamente dizer que conseguiram fazer um jogo rodar com gráficos melhores que o PS4 Pro mesmo utilizando uma potência levemente menor que a do recente console da Sony.

Não, não acho que os 4 GB de RAM a mais tenham influência nesse resultado. Talvez a Microsoft tenha customizado com a AMD um hardware totalmente DirectX 12 e feito um SDK melhor que o do Windows 10 para os computadores.

Mesmo a MSFT dizendo que os núcleos da CPU são melhores que os Jaguar, muito provavelmente foram pouco modificados em relação ao Xbox One S, tendo vantagem apenas no uso da litografia de 16 nm. Nada de Ryzen aqui. Já a GPU é outra história: como a memória ESRAM se foi, pôde dar lugar a um processador gráfico mais atual. Muito provavelmente temos uma RX 480 no Project Scorpio.

De qualquer forma, são melhorias pontuais. O que a Microsoft deveria melhorar no Xbox é o relacionamento dela com as desenvolvedoras de jogos, para conseguir mais jogos temporariamente exclusivos ou mesmo mais multiplataformas: os japoneses que o digam. Sim, sei muito bem que o Xbox One é um fracasso total no Japão, mas jogar a toalha e ignorar esse mercado não é opção.

Acho que o Project Scorpio pode sim valer cada centavo que a Microsoft cobrará, mas duvido muito que o público vá aceitar um preço muito superior que o PS4 Pro, por mais premium que o hardware seja.

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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