LAAD 2017 — Primeiras Impressões: bastante impressionado

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Ontem passamos o dia na LAAD, acompanhando um pouco do mercado de Segurança e Defesa. Foi uma experiência fascinante, é bem diferente cobrir Tecnologia de Defesa no campo teórico e estar lá ao vivo vendo os brinquedos. Neste artigo vou falar das impressões gerais, depois entraremos em detalhes sobre as empresas específicas, ainda há muito a ver.

A primeira impressão é que há algo diferente no ar. É o bom e velho Riocentro, excelente para grandes eventos desde que você não seja um Puma (entendedores entenderão). Só que a LAAD não é exatamente uma feira como as outras. Há menos deslumbramento, mais maturidade no ar. Imagino que uma feira de material hospitalar seja assim também.

Nos corredores, uma profusão de visitantes uniformizados, cadetes, oficiais de alto escalão com comitivas, capitães e tenentes dando pulinhos nerds diante de equipamentos que assim como nós eles só conhecem de internet. Uma troupe à parte são as comitivas africanas, todos disputando que ostenta mais medalhas.

Ironicamente a sensação é de extrema paz, todo mundo é cordial e profissional, Israel está na feira, Ucrânia, Rússia, Polônia, praticamente um tabuleiro de War inteiro, mas todos unidos como em um filme de invasão alienígena.

Nesse primeiro dia só conseguimos olhar por alto parte dos stands, mas deu pra gente se surpreender com a quantidade de empresas brasileiras presentes com produtos de ponta, e nem falo dos suspeitos habituais, como Embraer e Avibras.

Um exemplo é a Brasil Aircrafts, uma empresa do Rio Grande do Sul que desenvolve alvos aéreos.

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Normalmente você artilheiros e e operadores de mísseis usando um estagiário pilotando um ultraleve, mas os estagiários tendem a cair antes da hora e os ultraleves ficam caros. Por isso todo mundo usa drones alvos. O mais recente da Brasil Aircrafts, o Delta Jet consegue voar a 340 km/h a uma altitude máxima de 6.000 pés e mínima de 5 metros, pode ser pilotado manualmente ou ter trajetória programada por GPS, simulando o perfil de vôo de um míssil de cruzeiro em aproximação final.

A CBC também faz muito mais do que os chumbinhos que eu comprava quando era moleque. Eles fabricam granadas para lançadores de 40 mm…

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Uma das tendências da feira são os drones. Quase todo mundo estava vendendo esse peixe. Inclusive a China, com um dos maiores stands do evento.

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Como temos demonstrado ao longo dos anos, drones deixaram de ser tecnologia restrita a players de primeiro escalão. Hoje eles estão disponíveis a qualquer um com uns trocados no bolso. Surpresa estratégica é algo cada dia mais raro nos teatros modernos.

A Roscosmos também estava lá, com toda a moral de quem tem (parte de) uma estação espacial e colocou o primeiro homem no espaço.

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A China era outra vendendo seus serviços de lançamentos espaciais, com o bom e velho e confiável exceto lançando satélite brasileiro Longa Marcha:

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Embora o cenário geral seja muito mais voltado contra insurgências e favorecendo o conceito de conflitos assimétricos, percebi uma tendência forte em um segmento: mísseis anti-navio. Faz sentido. A Marinha ainda é a grande forma de projetar força, por melhor que seja um B2 ele não pode ficar sobrevoando indefinidamente o inimigo.

A China levou seus C602 e o C705, e se você duvida da eficiência dos mísseis deles, pergunte pros sauditas. A Suécia apresentou o RBS15F ER, para ser usado em conjunto com os Grippens.

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A Avibras, mostrando que tem um programa espacial melhor do que o nosso apresentou o MAN-SUP, o míssil anti-navio desenvolvido em conjunto com a Marinha. Os primeiros protótipos já estão sendo montados, ele está em fase final de desenvolvimento. Aqui na foto o bicho, com um Nick Ellis para escala:

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Presente também, para desgosto da delegação inglesa, o bom e velho Exocet:

 

Há muita coisa interessante na área de software, inclusive um simulador de ponte de comando para navios, desenvolvido pela Marinha.

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Tinha um stand com uma versão gringa, mas deu erro de Windows…

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Por tudo que vi ficou evidente que continua válida a Regra de Aquisição 34: Guerra é Bom Para os Negócios, mas vivemos novos tempos, mais sensíveis e conscientes então é preciso sempre pensar nas consequências de suas ações. Por isso tempos a…

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E calma que amanhã tem mais, muito mais.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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