US Navy espera tornar o Tapete Voador operacional em 2019

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Há muito a se dizer sobre o terror que é pousar em um porta-aviões, mas a melhor forma de exemplificar é contar que a sensação real é pelo menos 80% tão ruim quanto a fase de pouso do bom e velho Top Gun do Nintendo. Estudos com pilotos mostraram que o pouso em porta-aviões é de longe a fase mais estressante do vôo, incluindo combate contra inimigos atirando com munição real.

É compreensível. Você está a uns 300 km/h controlando várias toneladas de metal, se dirigindo a 100 mil toneladas de aço flutuante, a 50 km/h subindo e descendo because ondas. Você tem que encaixar um gancho que não está vendo no terceiro cabo de aço, e esperar que a) ele não se rompa e b) você não erre. O procedimento diz que assim que o gancho encaixar, você acelera ao máximo, pois se ele soltar tem (com sorte) velocidade para retomar o vôo.

Seu principal auxílio é um manobrista no rádio e um conjunto de luzes chamados “almôndegas”.

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Agora imagine que está de noite. Você voltou de sua missão em Macho Grande, a gasolina está só no cheiro. A frota está em EMCON, silêncio de rádio. Blecaute total, só o mínimo de luzes. Você tem que identificar visualmente o porta-aviões e executar a manobra de pouso, no braço. É assim:

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Vamos piorar? Imagine que está chovendo. Entendeu a origem do estresse? Por isso depois de 3 pousos abortados em sequência o piloto é mandado pra reciclagem.

Para tentar aliviar o lado dos Mavericks da vida, a Marinha dos EUA quer automatizar os pousos, e para isso estão desenvolvendo o Maritime Augmented Guidance with Integrated Controls for Carrier Approach and Recovery Precision Enabling Technologies. Sim, forçaram a barra pra sigla ser “MAGIC CARPET”.

Eles foram espertos, e não tentaram automatizar tudo. É notório que pilotos militares odeiam computadores se metendo no trabalho deles, se um sistema for 100% automatizado eles simplesmente não usam. O MAGIC CARPET vai controlar a parte do leão, enquanto o piloto usa os controles para apontar aonde quer pousar.

Isso dá uma ilusão de controle, o piloto fica feliz, o avião pousa inteiro e Tio Sam evita perder US$ 40 milhões em avião e mais alguns milhões em treinamento de piloto. Essencialmente é um fly-by-wire especializado, ao contrário dos modelos gerais que já existem até na aviação comercial.

Em verdade a maioria dos aviões de ponta hoje em dia são aerodinamicamente instáveis, sem os computadores corrigindo o tempo todo seriam impossíveis de pilotar, a diferença do MAGIC CARPET é que ele é uma correção ativa e não-transparente.

Os sistemas em teste já conseguiram melhoria de 50% na precisão dos pousos, a idéia é que até o final de 2019 ele seja disponibilizado para o F-18 e outras aeronaves. E sim, aviões comerciais modernos têm capacidade de pousar sozinhos mas o fato de a maioria dos aeroportos não estar se movendo em 3 dimensões torna isso mais fácil de se programar.

Fonte: Foxtrot Alpha.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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