Jardim Botânico do Rio de Janeiro vai cobrar taxa de fotógrafos

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O que era uma promessa anunciada desde setembro do ano passado agora se tornou uma realidade. Através das portarias 030/2017 e 031/2017 o Jardim Botânico do Rio de Janeiro instituiu o cadastro e cobrança para fotógrafos profissionais executarem trabalhos comerciais dentro das dependências da instituição.

Cada fotógrafo deve pagar uma taxa de R$ 100,00 para fazer o cadastro (válido por 2 anos) e uma taxa extra de R$ 20,00 toda vez que entrar no local (fora o ingresso normal e o custo do estacionamento). Os fotógrafos poderão utilizar o Jardim Botânico de segunda a sábado das 8:00 às 18:00 (às segundas o horário começa às 12:00) e fica proibida a utilização do local para sessões fotográficas aos domingos e feriados. Essa portaria vale apenas para ensaios fotográficos remunerados realizados com qualquer tipo de equipamento. Quando o interessado for uma empresa, ela deve procurar a assessoria de imprensa do Jardim Botânico (nesse caso a coisa deve ficar salgada igual ao Jardim Botânico de São Paulo).

Claro que os grupos de discussão e fóruns de fotografia explodiram com pessoas bradando pela liberdade de expressão, a liberdade de usar um bem público (já que pagamos muitos impostos), que o Estado do Rio de Janeiro quer pagar suas contas às custas da população e, por fim, que o governo é bobo, chato e feio (alguém já deve ter culpado o PT também). É extremamente normal para a turba enfurecida de fotógrafos você desenvolver uma atividade remunerada dentro de um ambiente particular e não pagar nada por isso.

Perante a Lei está tudo certo. A Lei de Direitos Autorais diz que você pode fotografar, sem necessidade de autorização, construções e obras de arte que se encontram em logradouros públicos. Só que praças e parques não são considerados logradouros públicos. Ou seja: é necessário uma autorização para fotografar.

Mas, eu acho muito justo. Uma das justificativas que encontramos na portaria 030/2017 é que “muitos excessos têm sido observados na atuação de fotógrafos profissionais nas áreas de visitação do arboreto, com impactos sobre a fauna e a flora, bem como conflitos com visitantes e vigilantes”. Sim amigos, isso é a cara dos fotógrafos. Somos arrogantes e achamos que o mundo tem que se dobrar à nossa vontade, pois estamos trabalhando, e temos em mãos uma câmera fotográfica, um item mágico que garante plenos poderes e direitos negados a outros pobres mortais. Podemos entrar em qualquer lugar, subir em qualquer lugar, tirar qualquer coisa de sua posição original, afinal de contas somos escolhidos por Deus.

Cada vez mais acredito, infelizmente, que fotógrafos são realmente como pombos.

Fonte: Jardim Botânico.

P.S.: se você é fotógrafo profissional e uma taxa de R$ 20,00 por sessão vai inviabilizar a sua atividade, então você está fazendo algo errado.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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