Criador da bateria de lítio apresenta nova tecnologia ainda mais eficiente e segura

Você pode não saber quem é John Bannister Goodenough (há grandes chances disso), mas deve muito a este simpático senhorzinho. Doutor em Física, ele já tinha 57 anos quando co-inventou a bateria de íons de lítio enquanto era chefe do Laboratório de Química Inorgânica da Universidade de Oxford. Essas mesmas baterias que equipam praticamente qualquer equipamento eletrônico moderno, de smartphones a carros.

Só que o prof. dr. Goodenough não acredita que o que temos hoje é bom o bastante: tanto que hoje, aos 94 anos de idade acaba de apresentar uma nova tecnologia de baterias ainda melhor.

O funcionamento das baterias de íons de lítio é bem simples: elas são na verdade uma pequena fábrica onde ocorrem reações químicas para a geração de energia; elas são feitas de uma solução líquida (eletrólito) que permite a passagem de corrente elétrica entre os pólos negativo (ânodo) e positivo (cátodo). Embora sejm muito eficientes, as reações dentro das baterias muitas vezes causam a criação de dendritos de lítio, quando este se solidifica e fica preso permanentemente aos eletrodos. São esses prolongamentos metálicos que não só diminuem a vida útil das baterias como podem romper o invólucro das células, causando curtos-circuitos e explosões (no entanto, o problema com o Galaxy Note7 teve uma natureza completamente diferente).

 

A nova bateria proposta pela equipe do Instituto de Ciência dos Materiais e Engenharia da Universidade do Texas em Austin, liderada pelo dr. Goodenough e pela profa. Maria Helena Braga dispensa o meio líquido, utilizando um eletrólito sólido de vidro. Isso logo de cara elimina a formação de dendritos mas isso não é tudo: a nova bateria possui três vezes mais densidade energética que os modelos de íons de lítio, podendo comportar muito mais energia e ainda pode ser recarregada em minutos, não em horas.

Não obstante a nova bateria é barata: seu ânodo utiliza sódio, que é um elemento abundante, embora o lítio também possa ser empregado nesse caso para uma adoção mais rápida do novo padrão (embora sua extração seja mais trabalhosa: depende da evaporação da salmoura em lagos específicos no Chile, Bolívia e Argentina; para obter sódio basta coletar água do mar).

O artigo você encontra aqui (paywall).

O interessante nesse projeto, embora haja outros estudos de baterias sólidas é o envolvimento do dr. Goodenough, cuja invenção das baterias de íons de lítio rendeu muito dinheiro principalmente à Sony no início dos anos 1980, já que a princípio poucos levaram o invento a sério. A gigante japonesa não só se tornou a primeira companhia a comercializar as baterias e torna-las difundidas no mercado, o nome do físico se tornou reconhecido no meio acadêmico principalmente porque a Sony fez questão de colocar seus inventores em evidência. Ademais ele nunca parou de trabalhar na área, mesmo estando com uma idade avançada ele ainda atua como professor de física.

De qualquer forma, mesmo que o dr. Goodenough tenha renome no meio e sua invenção receba maior atenção do meio acadêmico, ainda deve demorar alguns bons anos para essa nova tecnologia chegar ao mercado. Aguardemos.

Fonte: UTNews.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • leoncral

    Outra que não vai sair do laboratório.

    • Ivan

      A industria petrolifera não vai deixar.
      Conspiração off.

      • Se alguma industria petrolífera comprar as patentes não vai rolar mesmo.

        • Ivan

          Duvido que fariam isso, uma bateria que dura mais e é mais segura iria vender mais que pão quente, não precisam usar em carros nem pra bateria de casas, só pra celular já iriam vender muito.

    • Jean Franco

      Tesla ta ai com caminhões de dinheiro procurando tecnologia melhor para suas baterias.
      Alias outra que tem caminhões de dinheiro e precisa de baterias novas: Apple.

      • leoncral

        Não é que eu não queria é que se escuta tanto do assunto que fica difícil acreditar. Eu adoraria que estive amanhã sendo vendida.

        • Jean Franco

          Eu entendo! Mas acredito que essa é mais plausível que as demais.

          Eu ouvi no podcast do LoopInfinito de quarta que os inventores já estão à procura de quem possa produzir em larga escala, então creio que a pesquisa está bem avançada.

    • Sair sai, antes do grafeno ainda…

      • leoncral

        Grafeno lembro dele quando eu tinha o quê? 13 anos… Hj com 28 e nada kkkkk

        • Vai chegar nos 40 e continuará ouvindo sobre o Glorioso Grafeno de Amanhã…

          • Rafael Rodrigues

            Será no “Ano do Linux”!

    • Alberto Prado

      Muitas saem do laboratório. O negócio é que os meio de notícia não divulgam.
      A própria bateria de íons de lítio é prova disso. Olha a densidade dela como evoluiu.
      https://uploads.disquscdn.com/images/08336c7de0447aa4cd939e4091bcaa4ad6e27e6c8a9e58352827b26189b4784b.jpg
      Olha os materiais aos quais ela já foi associada para ganhar mais densidade energética nos últimos anos.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Lithium-ion_battery

  • Vamos torcer para que dê certo desta vez… Eu estou esperando os “supercapacitores” até hoje.

  • Hélder Sousa

    Bom artigo sobre o assunto, mas nao custava referir que a ideia surgiu na Universidade do Porto, em Portugal e que foi aprimorada no Texas 🙂

    “Braga began developing solid-glass electrolytes with colleagues while she was at the University of Porto in Portugal.”

  • Cocainum

    Tirar o eletrólito líquido é sempre excelente. Já se faz isso com os capacitores eletrolíticos em placas mãe, de vídeo e outros eletrônicos. Capacitores sólidos são mais caros, mas resistem melhor a temperatura e duram bem mais que os eletrolíticos comuns.

  • 13582196

    Tá, mas e se esse eletrólito de vidro trincar, ele explode?

    • Tom

      geralmente como é de vidro ele vai trincar
      na real, eletrólito é um condutor, como vidro não conduz muito, esse eletrolito deve ser alguma liga, que não deve ter problemas de “trincação”

      • PugOfWar

        vidro normal já contém “impurezas” que o deixam mais flexível que simplesmente silício, se esse vidro for de uma espessura de milímetros acredito que não teria muitos problemas com trincamentos, pelo menos não mais que uma bateria normal.

        • Theuer

          Milímetros? Num enrolamento de bateria…
          Um simples célula terá o tamanho de uma caixa de sapatos então.

  • Stefano Sacchi

    “Só que o prof. dr. Goodenough não acredita que o que temos hoje é bom o bastante” – I see what you did there. Belo trocadilho x’D

    • Mateus Azevedo

      Eu ia comentar a mesma coisa! Me segurei aqui pra não cuspir o café no monitor!

    • Rodrigo Valdez

      Cheguei tarde…

  • Careca Voador

    Na verdade ele só inventou metade da nova bateria por enquanto. O cátodo ainda não foi desenvolvido.

    • Tom

      dá pra usar o cátodo normal não?

  • Ed. Blake

    “Onde está seu grafeno agora?” – Nietzche.

  • Excellente avanço porém acredito que ela deva sair um pouco mais rápido do laorátório. Em geral o grande público somente pensa na bateria que carrega no bolso e não em baterias de grande porte como as usadas em carros. É bem provável que a indústria automobilistica (estou olhando pra você, TESLA) injete grana nisso para acelerar o processo.

    • Doomed

      Acelerar o processo e produzir em escala. E não necessariamente em automóveis, o uso delas em Powerwalls pode — e deve — ser excelente. Mais durabilidade, densidade energética, etc, etc, etc, em um componente que escala. Totalmente excelente.

    • darlanbecker

      Sugiro a vc que assista ao filme “Quem matou o carro elétrico” ( tem no YouTube). Conta a história que a GM retirou do mercado o primeiro carro elétrico da era moderna (EV1) com a desculpa de n ser muito bom, pois as baterias eram ruins e não havia meios de produção….mesmo tendo compradores que até entraram na justiça pelo carro, mas n levaram.
      No filme o Dr. Goodenough explica o funcionamento das baterias e q tbm vendeu as patentes para a ….GM !!! Q estranhamente NUNCA utilizou no EV 1. Moral da história : a tecnologia de carros elétricos já existe e é uma realidade (tesla e a própria GM com o Bolt). As grandes montadoras são o empecilho para a larga adoção de propulsão elétrica.👍

  • Tiago Leão

    lido de trás pra frente com sucesso

  • Doomed

    Tem tudo pra duas empresocas de M adotarem essa tecnologia: Apple e Tesla. O resto vai seguir, fácil.

  • Só não pode fazer igual o grafeno e se recusar a sair do laboratório

  • jack_snowstalker

    Então, a Samsung está muito interessada nisso, se é que me entendem

  • jairo

    A Samsung gostou muito desta notícia

  • Leandro

    Vai sair junto com os processadores de Grafeno

  • E agora sim temos algo que vai chegar antes do GRAFENO nas baterias… =P

  • Otávio Tucunduva Mattana

    tenho minhas dúvidas se isso demora, com tantas empresas interessadas em aumentar a densidade energética da bateria, e com uma samsung que sofreu com celular explosivo

  • Felipe Torrezini

    Espero que essa invenção saia do laboratório antes de descobrirem outra mais genial ainda e depois ser esquecida.

  • rbsouto

    Podem ter certeza que a Tesla está de olho…

    This research is supported by UT Austin, but there are no grants associated with this work. The UT Austin Office of Technology Commercialization is actively negotiating license agreements with multiple companies engaged in a variety of battery-related industry segments.

  • Angelo Vale

    Se melhorar em 30% em media a autonomia em relação a de Litio já uma melhora bastante significativa.

  • Alexandre Salau

    Duas questões? 1) Qual o “porém” desta nova técnica? Sempre tem um porém que impede a saída do laboratório. 2) Este sobrenome parece algo saído de um filme de James Bond ou de algum estúdio pornô, com todo o respeito ao bom velhinho.

  • duhehe

    Vivem noticiando uma nova técnica, ou nova tecnologia, entra ano e sai ano, nada de chegar ao mercado.

  • Marcelo Santos

    good enough. Lembre dos goonies.

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