Venda de câmeras fotográficas — futuro incerto ou voltando ao normal?

Quando eu comecei na fotografia (22 anos atrás), a gente comprava uma câmera e esperava que ela durasse quase a vida toda. As Pentax K1000, por exemplo, eram tanques de guerra. Muita gente deixou de herança para os filhos e existem modelos em perfeito funcionamento a venda no Mercado Livre atualmente. Então, o mercado de venda de câmeras fotográficas não era extremamente aquecido. As fábricas eram menores e o grosso de vendas era voltado para os que estavam iniciando nessa nobre arte.

Quando o digital entrou de forma confiável na vida das pessoas a coisa saiu do controle. Câmeras mais potentes, com mais recursos e mais bonitas eram lançadas anualmente. Os consumidores eram levados a trocar de câmera todos os anos. Sem falar que outro hábito que surgiu foi o fato de cada membro da família ter uma câmera fotográfica digital, em vez de apenas uma para a família. As vendas de câmeras explodiram, fábricas ficaram gigantescas e milhares de trabalhadores foram contratados para dar conta da demanda. Mas, agora, ao que parece, tudo acabou.

LensVid emitiu um relatório comparando o mercado de venda de câmeras entre os anos de 2009 e 2016. A venda de câmeras fotográficas caiu 81% dentro deste período. Foram 121 milhões de câmeras em 2010 contra 23 milhões de câmeras em 2016. O relatório apresenta algumas possíveis razões para isso ter acontecido.

1 — smartphones acabaram com o mercado de câmeras compactas – sim, isso já é um fato. Os smartphones apresentam, atualmente, uma boa qualidade de imagem, além do fato da conectividade instantânea. Muitos preferem um celular em vez de uma câmera compacta;

2 — câmeras mirrorless não estão cumprindo sua promessa – embora seja um mercado com muita propaganda, os equipamentos continuam estagnados;

3 — o mercado de DSLR está encolhendo – uma comunhão de fatores diferentes está levando a isso. As câmeras mirrorless, iniciantes que preferem ficar com as câmeras dos celulares e pessoas que não trocam mais de câmera todos os anos;

4 — câmeras são para pessoas mais velhas – não existem dados estatísticos sobre isso, mas podemos comprovar visualmente. Jovens preferem os smartphones. Somente pessoas mais velhas e que querem levar a fotografia a sério estão investindo em uma DSLR.

E o futuro? O relatório aponta que para 2017 o número de câmeras fabricadas vai ficar em 20 milhões, os fabricantes vão continuar a cortar empregos e o número de inovações vai cair. Porém, a grande mudança é que o caminho vai ser investir no mercado profissional, com câmeras e lentes mais caras. Por fim, o relatório da LensVid afirma que alguns dos grandes fabricantes podem não sobreviver até o fim da década.

Um panorama triste? Talvez. A grande pergunta envolvendo este cenário é sobre o que é real? A industria está afundando ou está voltando aos patamares reais antes da tecnologia digital invadir as lojas e cativar os consumidores? Eu aposto mais na segunda possibilidade.

Fonte: DIY Photography

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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