Estrangeiros estão proibidos de fazer streaming ao vivo na China

Se não pode controla-los, bloqueie. É o que o governo chinês resolveu fazer para evitar a preocupante escalada das transmissões de vídeo ao vivo realizadas em seu território; se por um lado colocar limites nos cidadãos locais é de certa forma simples, por outro observar o que estrangeiros andam compartilhando é um pouco mais complicado.

Logo, Pequim proibiu turistas e residentes estrangeiros de fazerem streaming at all.

Os motivos para tal decisão são óbvios: o governo chinês controla tudo o que pode e o que não pode ser veiculado a a internet não é exceção. O Escudo Dourado, o firewall estatal bloqueia uma série de sites externos e grupos como o “Partido dos 50 Centavos” utilizam táticas simples para causar confusão e desinformação, de modo a enterrar notícias que Pequim não quer ver sendo consumidas debaixo de um monte de baboseira.

Com mais da metade da população online (em torno de 710 milhões de chineses) e com uma infinidade de aplicativos de streaming locais disponíveis (já que o YouTube permanece banido) é só somar dois mais dois: além de combater conteúdos educativos (ou não) como bananas e festinhas (essa ainda se deu muito mal), bem como camgirls que vendiam shows online o governo chinês está de olhos e ouvidos atentos para a veiculação de material considerado subversivo. Afinal transmissões ao vivo são fundamentalmente imprevisíveis, mas não é intenção do governo deixar os chineses (e tão somente eles) sem acesso ao recurso.

O governo já controla o que os cidadãos compartilham: todos os apps de streaming devem coletar dados reais dos usuários e deletar materiais indesejáveis, o que em última instância pode levar a uma visitinha dos censores à casa de quem se comportar mal. Já estrangeiros, sejam turistas ou residentes é outra história. Como Pequim não tem autonomia sobre essas pessoas e não pode obriga-los a se sujeitarem às mesmas leis dos locais (se registrar junto ao governo para utilizar o apps de streaming no país), há uma norma opcional em que um visitante pode solicitar o acesso mas a burocracia até a liberação é enorme. E nesse meio tempo eles transmitem de qualquer jeito o que desejarem.

Não mais. A solução encontrada pelo governo para evitar a veiculação de material sensível foi impedir estrangeiros de fazerem streaming ao vivo como um todo; um usuário ucraniano do Blued, um serviço Tinder-like para a comunidade LGBTQ recebeu uma notificação de “violação dos termos de serviço” e foi impedido de realizar novas transmissões. Outros que utilizam o Yizhibo, que pertence à rede social Weibo (o Twitter chinês) também reclamam de notificações similares e igualmente foram chutados.

A partir de agora a única maneira de um não-chinês realizar um streaming ao vivo diretamente do País do Meio é se registrar junto ao governo, sentar e esperar pela autorização; de outra forma, nada feito. Tudo para que Pequim continue de olho em tudo o que as pessoas falam, ouvem e assistem na internet em seu território.

Fonte: Sixth Tone.

Relacionados: , , , , , , , , ,

Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

Compartilhar

Aproveite nossos cupons de desconto:

Cupom de desconto Asus, Cupom de desconto Frio Peças, Cupom de desconto Mundo da Carabina, Cupom de desconto JBL, Cupom de desconto Costa Cruzeiros, Cupom de desconto Loja do Mecânico, Cupom de desconto Staples