Não conte para a Argentina mas toda a frota de submarinos de ataque britânicos está fora de ação

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Depois de rastrear por várias horas o cruzador argentino General Belgrano, o submarino nuclear de ataque britânico HMS Conqueror subiu para profundidade de periscópio, estendeu suas antenas e fechou um link de satélite com o Almirantado Britânico.

O Belgrano estava na mira, seus destróiers de escolta não haviam detectado o Conqueror, e sequer manobras evasivas eles faziam. Navegavam em formação, linha reta, como em tempo de paz. Só que estavam em guerra, e A Dama de Ferro foi implacável: chumbo nele!

O Conqueror lançou três torpedos Mark 8, um atingiu uma das escoltas, mas não explodiu. Os outros dois acertaram o Belgrano justamente nas partes do casco sem blindagem. A casa de máquinas foi atingida em cheio, vários andares do navio foram destruídos. Os geradores elétricos falharam, o Belgrano ficou sem rádio e não conseguiu enviar pedido de socorro.

Os destróiers de escolta não perceberam o ataque, seguiram em frente sem notar que o Belgrano estava afundando. Luzes de sinalização e pistolas de sinal? Não havia ninguém olhando. Eles prosseguiram sem notar que o cruzador que deveriam escoltar não estava lá, só voltaram horas depois, de noite, quando 1.200 homens já haviam morrido no mar congelante.

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O Mark 8 é um torpedo não-guiado projetado em 1925(!!!), com uma ogiva de 365 kg de Torpex, um explosivo 50% mais poderoso que TNT. Obsoleto por todas as características que você tentar enquadrar, o Mark 8 estava no fim do fim de sua vida útil, mas ainda assim era confiável. Tanto que só foi aposentado de vez em 1993.

O General Belgrano nasceu como o USS Phoenix, um cruzador de 10 mil toneladas que entrou em operação em 1938, lutou no Pacífico e foi descomissionado em 1946. Só foi tirado da naftalina em 1951, quando foi vendido para a Argentina.

Ou seja: no dia 2 de maio de 1982 um submarino nuclear usou uma arma da Primeira Guerra para afundar um navio da Segunda.

A Armada Argentina ficou apavorada, nunca mais saiu do porto e só restou aos hermanos xingar muito no Twitter. Já o HMS Conqueror foi recebido com honras de heróis, ostentando a tradicional bandeira pirata.

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Essa tradição surgiu na Primeira Guerra Mundial, quando submarinos eram a grande novidade. Muitos não gostavam deles, eram furtivos, atacavam sem você perceber, se escondiam. Um Lorde do Almirantado, Sir Arthur Wilson declarou publicamente que submarinos eram injustos não-ingleses e que seus tripulantes deveriam ser enforcados como piratas. O então Tenente-Comandante Max Horton não gostou, e quando voltou de uma missão bem-sucedida ao afundar um cruzador alemão, entrou no porto com seu submarino ostentando uma bandeira pirata no periscópio, para irritar o Almirante Wilson. A moda pegou.

A flotilha de submarinos britânicos hoje não é uma sombra do que foi. Hoje se resume a quatro submarinos de mísseis balísticos nucleares e sete submarinos de ataque. Quatro desses da década de 80, e aí que mora o problema.

Os três mais modernos, da Classe Astute estão cheios de problemas, falhas de projeto, etc. Os outros quatro, Classe Trafalgar, estão no fim da vida útil.

O HMS Ambush está no Martelinho de Ouro depois que sofreu uma pequena colisão…

Não adianta você ser um dos únicos países do mundo com uma frota de submarinos 100% nuclear se ela não sai do porto e, tirando o HMS Astute, que está em um cruzeiro de testes, todo mundo está no estaleiro. Pior, a Marinha Real Britânica não admite isso publicamente e a primeira-ministra Theresa May não foi oficialmente informada.

Porta-Aviões? Também não tem mais nenhum ostentando a Union Jack. O HMS Queen Elizabeth está planejado para começar testes de mar ainda em 2017 mas operacional mesmo só em 2020.

Se a Argentina invadisse as Falklands HOJE, a Inglaterra estaria em pior condição de retomar as ilhas  do que em 1982. Isso, claro, não é uma hipótese viável, pois se as forças inglesas estão nesse miserê, imagine as portenhas.

Fonte: The Sun.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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