Patent troll processa Netflix por armazenamento offline de vídeos

Levou um bom tempo até a Netflix se convencer de que não poderia deixar a Amazon Prime Video fazer a festa sozinha, e meses atrás anunciou a implementação do recurso de visualização offline; agora usuários podem baixar seus filmes e séries favoritos e assisti-los on the go, sem a necessidade de conexões ultrarrápidas.

Obviamente que alguma patent troll tentaria tirar uma casquinha, como sempre acontece nesses casos.

A esperta da vez é uma companhia até que bem conhecida no meio tecnológico, chamada Blackbird Technologies. Esta é uma patent troll no sentido mais óbvio da expressão, já que ela não possui nenhum produto no mercado. Seus únicos bens são patentes, ela é uma companhia que como muitas aproveita o maluco sistema de registro norte-americano (que permite o patenteamento de uma ideia, algo que não acontece por aqui) e sai catalogando ideias a esmo; no momento em que alguma companhia séria apresenta um produto funcional ela e outras empresas do tipo entram com processos tentando arrancar dinheiro.

No caso envolvendo a Netflix, a Blackbird alega que sua patente registrada em 2000 (que descreve o método de download de conteúdo e envio ao usuário via e-mail, mediante gravação offline em… CD-R) cobre qualquer serviço que ofereça visualização offline de conteúdo disponibilizado por streaming. Além da Netflix a patent troll despachou processinhos para Vimeo, SoundCloud, Starz, Mubi e Studio 3 Partners, empresa dona da Epix TV. Estranhamente a Amazon não fora citada.

Embora pareça perda de tempo, patent trolls costumam atirar para todos os lados em busca de juízes que comprem suas alegações malucas e validem suas patentes, o que costuma acontecer frequentemente e rende mordidas ferozes nos bolsos de grandes empresas. Por exemplo, a Apple foi condenada no ano passado a pagar US$ 3 milhões em multas para a MobileMedia Ideas LLC, empresa de registro de patentes controlada por Nokia e Sony pela tecnologia referente ao Alerta de Chamadas e Silenciar Toques no iPhone. Ainda que seja troco de pinga, o ideal seria não pagar um tostão a esses chupins.

Pode ser que não dê em nada, mas enquanto os EUA não derem um jeito nas regras loucas de registro de patentes tais empresas continuarão tentando, e eventualmente conseguindo arrancar dinheiro de quem realmente desenvolveu produtos de qualidade ao invés de patentear vapor.

Fonte: Ars Technica.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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