Triggertrap — uma história de sucesso e fracasso no Kickstarter

triggertrap

Toda vez que uma campanha no Kickstarter (ou outro site de financiamento coletivo) apresenta o conceito de um produto bacana voltado para a fotografia todos os sites especializados acabam dando uma nota e ajudando na campanha. Porém, o que muitos esquecem é que esse tipo de site não oferece um serviço de pré-vendas e sim o investimento em um produto que ainda vai ser desenvolvido. Alguns deles nem possuem um protótipo funcional, apenas o conceito e os planos. Se o projeto naufraga os investidores também tem que arcar com as consequências.

Foi mais ou menos o que aconteceu com o Triggertrap. Em 2011 a empresa lançou uma bem sucedida campanha de financiamento coletivo no kickstarter para desenvolver o seu disparador remoto inteligente. Na verdade, a empresa foi a pioneira no desenvolvimento deste tipo de acessório. O primeiro produto, que foi entregue com atraso para os financiadores, levantou US$ 77.000,00 e realizava um trabalho bem bacana. Você podia regular um disparo remoto em sua câmera baseado em movimento ou som. Fotógrafos de natureza poderiam deixar os equipamentos na selva e fotos seriam feitas ao detectar movimento ou som de animais, ou simplesmente usar para um splash no estúdio. Também era possível regular um modo Time Lapse onde a câmera dispara em intervalos programados. Muito interessante.

Porém, a empresa decidiu que era hora de crescer. E como da primeira vez deu certo, nada melhor do que investir novamente em um financiamento coletivo. Foi assim que o Triggertrap ADA chegou ao Kickstarter. A ideia é fazer o que o aparelho anterior fazia (adicionando um modo de disparo via laser para fotografia de alta velocidade), porém de forma modular. Seriam 4 sensores de disparos diferentes que podem ser utilizados separadamente ou todos de uma vez. Como a campanha anterior deu certo e todo mundo ficou feliz com o primeiro equipamento entregue, o Ada conseguiu levantar quase US$ 500.000,00. E foi nesse momento que a coisa foi para o buraco.

Ontem, Haje Jan Kamps, um dos fundadores e CEO da empresa, anunciou que o Triggertrap estava fechando as portas. Segundo ele a empresa subestimou os custos de desenvolvimento e produção do Ada e não conseguiria entregar o produto com base na quantia que foi arrecadada. Todos os equipamentos da primeira versão que ainda estão em estoque serão vendidos pela metade do preço. Porém, toda atualização e suporte técnico já estão finalizados. Também existe um aplicativo para celular que realiza timelapse que ainda está disponível nas lojas. A empresa deve ser liquidada totalmente nos próximos 30 dias.

E como ficam os investidores do Ada no Kickstarter? Bem, uma atualização na página do projeto informa que o código fonte do equipamento e os desenhos técnicos serão tornados públicos. Também teremos um “hall of fame” (provavelmente on-line) com o nome de todos os investidores que deixaram sua grana no kickstarter. Mas as notícias não são boas para quem espera um reembolso. Segundo Haje Jan Kamps, 80% do dinheiro arrecadado foi torrado no projeto. Todos os patrocinadores estão recebendo um e-mail onde algumas opções são oferecidas. A primeira é que não haveria reembolso nenhum (caso você seja legal e queira dar uma força para empresa), reembolso de 20% do que investiu, doação deste reembolso para a caridade, ou um bônus na loja da empresa para comprar um de seus produtos que ainda estão no estoque.

Um fim triste para um produto que realmente era muito interessante.

Fonte: Dpreview

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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  • Luiz

    Fizeram um produto bom demais, todo que é bom demais não dá dinheiro…
    A unica consolação que os investidores tem é que o dinheiro não foi torrado em vão com festas e carros de luxo para o CEO.

    • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

      Isso se conseguiram chegar ao produto final…

  • It’s a trap!

  • Rafael Rodrigues

    É uma bilada, Cino!

  • Henderson Bariani

    Como diria minha avó, deram o passo maior do que a perna…

  • ElGloriosoRangerRojo™

    No Sony Channel tem um programa que reúne alguns grandes investidores brasileiros, onde pessoas vão apresentar projetos pra tentar uma grana com os caras.

    Tem gente que vai com produto funcional, marca consolidada e ainda assim é detonado pelos investidores, que vêem e explicam quais os problemas e os motivos para aquele projeto não dar certo.

    Na Internet… os caras abrem um financiamento sem nem ter um protótipo funcional, nem ao menos uma planilha de custos. Aí o negócio não funciona mesmo…

    • PugOfWar

      Por acaso não é o “nadando com tubarões”?

      • ElGloriosoRangerRojo™

        Esse mesmo, o nome é Shark Tank Brasil – Negociando com Tubarões.

        • Julio Verner

          Imagino que esses investidores são especialistas em suas funções, lavar muito bem lavado tudo que sonegam e afins… Acredito até que devem roubar muitas ideias apresentadas.

  • Theuer

    A empresa tem mais mesmo!
    Os financiamentos coletivos de hoje em dia são três:
    1 – coisas simples e projetos de ajuda.
    2 – eletrônicos que já se encontram em formato DIY na Internet, é só você deixar de ser braço-curto e fazer.
    3 – sonhos revolucionários de Hipsters que, ou não entregarão, ou não tem utilidade no mundo real.

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