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Cientistas criam primeiro embrião viável híbrido de Homem e Porco

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Em 2002 uma mulher chamada Karen Keegan precisou de um transplante renal. Os médicos fizeram os exames de sangue de praxe, para determinar qual parente seria o melhor doador. Só que os exames apontaram que Karen não era a mãe biológica de seus filhos. O problema é que ela, o obstetra e todo mundo que a acompanhou sabe muito bem que ela havia dado a luz aos pimpolhos.

Depois de uma investigação nível House, descobriu-se que Karen era uma quimera, um ser composto de mais de um organismo. Esses casos de quimerismo acontecem quando dois óvulos fecundados se fundem, e cada um forma partes distintas do corpo. No caso de Karen seu sistema sanguíneo tinha DNA próprio, por isso não batia com o dos filhos.

Essas são quimeras “verdadeiras”, são diferentes de animais híbridos, quando espécies diferentes são biologicamente próximas o bastante para produzir um embrião viável, mesmo que estéril. Um exemplo é o Burro, resultado do cruzamento entre um cavalo e um jumento, o Tilão, cruza entre leões e tigres, e os comentaristas de portal, que surgem da procriação entre príons e pedrinhas pequenas de rio.

Um especialmente fofo é o Geep, mistura em inglês de Bode com Ovelha.

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Outro híbrido interessante é conhecido com Humster, inventado para contornar questões éticas envolvendo pesquisas com embriões humanos. O truque é simples: pega-se esperma humano e fertiliza-se um óvulo de hamster.

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A diferença genética é grande demais para criar o super-herói mais fofo desde a Garota-Esquilo, mas as células fecundadas sobrevivem isoladas, ao menos o bastante para os experimentos.

O que se conseguiu agora, conforme trabalho publicado com o título Interspecies Chimerism with Mammalian Pluripotent Stem Cells, foi inserir células-tronco humanas em embriões de porco, que permaneceram viáveis.

Essas células-tronco são responsáveis pelo crescimento de órgãos como coração, fígado, rins. O experimento, que primeiro foi feito com ratos depois com células humanas mostrou que células-tronco de outra espécie “funcionam” no embrião.

O próximo passo é realizar experimentos de fertilização in vitro para descobrir se a viabilidade do embrião permanece até o nascimento, e como os órgãos alienígenas irão conviver dentro do porco. Isso claro levará anos, então não acredite na Academia de Ciências do Facebook falando que “em breve” teremos órgãos para transplante em qualquer esquina. 30 anos, pra ser otimista.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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