Fotógrafo – Profissão regulamentada?

Uma reclamação que ouço há mais de 10 anos no mundo da fotografia é a falta de regulamentação da profissão. Isso é fomentado pela recente invasão do mercado por pessoas que entraram na profissão por causa das facilidades da fotografia digital. Alguns apenas compraram uma câmera básica e se lançaram a vender o seu produto sem nenhum estudo ou conhecimento dos diversos fatores que levam a uma boa fotografia. O problema não é a concorrência de pessoas que mal conseguem segurar a câmera, e sim o preço que esses indivíduos cobram pelos serviços. Como estão chegando agora, não sabem como é complicado manter o equipamento em dia, investimento em cursos, livros, acessórios e outros detalhes. Nunca tiveram um obturador quebrado ou um flash danificado. Não sabem que a manutenção custa caro e é preciso estar preparado. Mas, o efeito negativo da ninharia que eles cobram é que acaba afetando todo o mercado. Como explicar para o cliente que o seu preço é justo quando o rapaz ao lado cobra 70% a menos? Tudo bem que o resultado final entregue ao cliente é proporcional ao preço cobrado, mas poucos possuem o olhar necessário para reconhecer uma boa fotografia. Talvez porque não tenham um bom exemplo para poder comparar com o resultado apresentado. Um efeito do mundo dominado pelas TekPix da vida.

Mas, talvez isso tudo vá mudar. Esta em tramitação no congresso um Projeto de Lei 5187/09 do Deputado Severiano Alves (PDT-BA), que visa regulamentar a profissão de fotógrafo. Em tempos em que o Supremo Tribunal Federal decreta que para exercer a profissão de Jornalista não é preciso diploma, obrigar fotógrafos a ter um curso superior parece meio esquisito. Porém, é isso mesmo que o Projeto de Lei afirma. Segundo o projeto, poderá exercer a profissão de fotógrafo todo o indivíduo formado em instituição de nível superior em fotografia reconhecida no Brasil, ou formado no exterior, desde que o diploma seja revalidado aqui. Os profissionais que atuam no ramo até o dia da promulgação da lei poderão exigir o reconhecimento na profissão desde que estejam atuando nela há pelo menos dois anos consecutivos ou quatro anos intercalados. Aqueles que obtiverem o direito de serem fotógrafos profissionais poderão atuar nas seguintes áreas:

– a fotografia realizada por empresa especializada, inclusive em serviços externos;
– a fotografia produzida para ensino técnico e científico;
– a fotografia produzida para efeitos industriais, comerciais e de pesquisa;
– a fotografia produzida para publicidade, divulgação e informação ao público;
– a fotografia na medicina;
– o ensino da fotografia; e
– a fotografia em outros serviços correlatos.

Se você perguntar para mim hoje o que seria um fotógrafo profissional, eu diria que é o sujeito que consegue sobreviver do trabalho com sua câmera. Nada a ver com grandes equipamentos ou quantidade de cursos. Conheço fotógrafos que começaram na profissão há pouco tempo e possuem uma qualidade impressionante. Outros estão na labuta há mais de 30 anos e até hoje não aprenderam algumas coisas básicas. Então a regulamentação seria uma saída interessante para a profissão? Talvez sim, talvez não. Pelo lado positivo teríamos pessoas formadas dentro de um mesmo nível e que, teoricamente, forneceriam trabalhos dentro de um mesmo patamar de qualidade e preço. Por outro lado, estaríamos excluindo um grande número de pessoas que não terão acesso aos cursos superiores, mas possuem talento, olhar e sensibilidade para produzir uma fotografia de ótima qualidade. Mas, uma coisa é certeza. Regulamentar não é sinônimo de qualidade. O mau profissional existe em todas as profissões, até nas bem regulamentadas e protegidas. A meu ver, fotografia é um misto de técnica e arte. Talvez a solução não seja engessar isso dentro de um curso modular de quatro anos.

Como alguns colegas já citaram em listas, fóruns e no twitter, essa não é a primeira tentativa de regulamentação da profissão que passou pelo Congresso Nacional. As outras acabaram naufragando, até por conta de pressão de fotógrafos que se organizaram e foram contra a ação. Vamos acompanhar essa nova tentativa para ver se algo vai acontecer de diferente dessa vez.

Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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