Globo fazendo CGI de gente grande

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Quando a gente fala de efeitos visuais no Brasil geralmente é na zoeira, como o avião em Doida Demais pendurado por fios, ou todo o Conjunto da Obra da mega-saga de Os Mutantes, da Record, uma novela deliciosa pelos motivos errados, com efeitos de computação gráfica ruins num nível “dá um Oscar pra Sharknado”. Aliás, não perca a cena do Homem Cobra vs a Mulher-Aranha.

Só que há um outro lado, onde os efeitos visuais funcionam sem que a gente perceba que eles estão lá. Basicamente TODA série de TV usa de composição digital em algumas cenas. Você sabe, a famigerada tela verde que os hipsters dizem que não usaram em Mad Max e Force Awakens, mas que não só estava lá como estava muito.

Esses efeitos de composição surgiram nos primórdios do cinema, Chaplin usava Matte Painting, mesclando imagens em uma placa de vidro com cenários reais. George Meliers, o Pai do Cinema já brincava com dupla exposição.

O grande segredo é que efeitos não servem só para fazer dragões e naves espaciais, compõe cenários “comuns”, como você pode ver por este vídeo da Stargate Studios:


Stargate Studios Virtual Backlot Reel 2012

A parte legal é que fora as tosquices da Record, tem gente fazendo efeitos visuais e composição digital a sério no Brasil, e não só na área de comerciais, onde a qualidade é top. No caso, novelas. E não, não digo os dinossauros daquela novela esquisita, mas A Lei do Amor, que começou em outubro.

Veja esta cena: adivinhe o que é CGI aqui:

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Fácil, o carro, certo? Errado. TUDO é CGI, a cena se feita com dublês seria desnecessariamente perigosa, e é complicado acertar o timing para o carro rolar do ponto preciso da ribanceira. A solução? Faz tudo em computação gráfica. Inclusive os caras da moto.

Note, não é Game of Thrones, Westworld, The Walking Dead, é uma Novela. Provavelmente os puristas que “odeiam tela verde” devem rasgar elogios pra novelas, um formato que o Brasil adotou aprimorou e que é realista, ao contrário desses filmes de dragões.

Aqui um making-of da cena.


Lorena Jaramillo — “Wounded Past” Visual effects (ENG SUB)

Claro que os Douglas Trumbulls de plantão vão achar zilhões de defeitos, mas os milhões de espectadores adoraram e não reclamaram que faltou um blur na moto no segundo 4 e que a movimentação da grama não parecia real durante os 0,004 s em que aparece em close.

É bom ver que a maturidade chegou aos efeitos visuais no Brasil, isso dá muito mais liberdade aos autores, que podem imaginar histórias com menos restrições, e talvez quem sabe ou dragãozinho, afinal ninguém é de ferro.

Fonte: tuinto do Leonardo Rangel.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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