50 anos depois criogenia continua causando polêmica

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Um dos fatos da vida é que todo mundo (menos o Judeu Errante) morre, e é uma das coisas mais desagradáveis que podem acontecer a um vivente: as pessoas fogem da morte o tempo todo, seja inventando ficções de mundos maravilhosos no pós-vida, seja bebendo para esquecer. Uma das formas mais desesperadas improváveis mas mesmo assim viáveis de escapar da morte é a criogenia.

O argumento é 100% ficção científica, o que por si só não o invalida. A internet e o pouso na Lua também foram 100% ficção. No caso da criogenia o truque é empurrar o problema com a barriga. O sujeito morre, de alguma doença incurável ou acidente, para os quais não temos solução tecnológica ainda. O corpo é congelado com a esperança que no futuro não só a doença como a questão de reverter o congelamento tenham sido resolvidos.

Falando assim é pura ficção, mas pense bem: se tivéssemos como preservar e reanimar pessoas 200, 300, 500 anos atrás hoje estaríamos ressuscitando e tratando gente que morreu de apendicite, tuberculose, frieira, unha encravada…

Pouquíssima gente oferece o serviço de preservar corpos criogenicamente, basicamente três empresas nos EUA e uma na Rússia. No total 250 pessoas passaram pelo processo, que pode custar entre US$ 12 mil e US$ 200 mil dependendo do que você quer preservar. Só a cabeça é mais barato. Ok, isso soou muito errado.

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Como sempre há um monte de chatos que querem regular o que os outros fazem com seu dinheiro: há famílias que entram na justiça para impedir que o parente falecido passe pelo processo de congelamento, houve um pai que tentou impedir que a (ex, provavelmente) esposa congelasse a filha de 14 anos (depois de morta).

Outros denunciam as empresas como armação, dizendo que as chances de sucesso são mínimas, mas isso é mais que especificado em toda a documentação envolvendo o processo de criogenia. Ninguém topa o processo por causa de garantia de sucesso. Ninguém está sendo enganado.

Alguns cientistas como Barry Fuller são EXTREMAMENTE otimistas, dizem que talvez seja possível reviver uma pessoa congelada em 50 ou 100 anos. Sendo mais realista, chutaria algo entre 300 e 500.

“ah mas é uma chance ínfima de dar certo, é besteira perder tempo com isso”

Exato, mas assim como religião, não há problema algum em você apontar a improbabilidade daquilo dar certo, o problema é quando começam a fechar igrejas e sinagogas, e isso está acontecendo com as empresas de criogenia, que sofrem pressões de governos.

Em 2004 o estado de Michigan baixou uma Lei demarcando o Cryonics Institute como um cemitério, por causa disso eles só poderiam preparar os corpos com a presença de um diretor de funeral licenciado. Foi uma forma de tentar atrapalhar e fechar a empresa. Oito anos depois conseguiram reverter a Lei.

Acho muito pouco US$ 200 mil, em troca de uma ínfima chance de imortalidade. Qualquer um que tem essa grana sobrando já gastou muito mais em mulheres rápidas e cavalos lentos. É injusto e egoísta querer proibir o processo, até porque convenhamos: não é charlatanismo se o sujeito já começa morto.

Fonte: Live Science.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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