Versão naval do F-35 terá que voltar pra prancheta

Pelo visto o Trump vai rolar mais barraco com o trem da alegria entre a Lockheed e o Pentágono. O F-35, o caça de um trilhão de dólares e que só vai poder disparar o canhão em 2019, por falta de software, fez de novo.

Desta vez o problema é sério mesmo, envolve a versão mais cara: a naval. São US$ 350 milhões por unidade, já estão em fases avançadas de testes operacionais e o problema apareceu. Parte da culpa é desse negócio aqui:

O capacete futurista digital integrado cheio de sacanagem do F-35, são US$ 350 mil de altíssima tecnologia projetando dados em um cenário 3D, criando um ambiente de alvos virtual, etc, etc. Só que é pesado pra caramba. Isso já não é bom em vôo normal, com seu pescoço tendo que suportar vários G’s nas manobras, mas é especialmente ruim na decolagem.

O F-35 naval é acelerado por uma catapulta a vapor a 4 G dependendo das condições de peso, vento, etc. O que foi descoberto é que no momento da decolagem o avião oscila. Se isso te lembra a ridícula cena de Top Gang, não está muito errado.

São esses movimentos aqui os culpados:

Não parece nada mas na prática sua cabeça é balançada para cima e para baixo, presa a um capacete pesado ao mesmo tempo em que é acelerada a trocentos milhões de km/h no espaço de alguns metros.

Dos 105 lançamentos estudados 74 produziram dor moderada nos pilotos, 3 em uma escala de 1 a 5. 18 causaram dor severa de nível 4 e um piloto relatou dor severa persistente. 12 relataram dor razoável, nível 2. Nenhum reportou 0 ou 1.

As oscilações causaram desorientação e impossibilidade de ler instrumentos críticos durante a decolagem.

A incapacidade de ler os instrumentos foi constatada em 51 dos 105 lançamentos. 7 pilotos não conseguiram ler nada, 9 só conseguiram ler alguns dados críticos e 51 relataram dificuldade em geral. Nenhum reportou dificuldade zero e facilidade de leitura dos instrumentos de vôo.

Ou seja: o trem de pouso dianteiro está macio demais, mas ele não pode ser muito rígido pois precisa absorver o impacto dos pousos. O problema terá que ser estudado e a unidade reprojetada. O F-35C deveria estar operacional em 2018, mas o que quer que seja decidido só começará a ser implementado em 2019. Ou seja: mais atrasos ainda.

Agora é tarde para cancelar o programa, mesmo que Trump exploda a Lockheed alguém vai ter que dar manutenção e upgrades pro F-35 nos próximos 30 ou 40 anos. Parabéns aos envolvidos e no final só posso rir dos chineses que tiveram o maior trabalho pra roubar os planos do F-35. Boa sorte com esse abacaxi.

Fonte: The Drive.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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