O pré-histórico estado dos Telefones

Nos primórdios da computação, nos tempos dos BBS havia algo chamado FidoNet, uma rede de troca de pacotes entre BBSs, onde em teoria você poderia trocar mensagens pessoais e de fóruns com usuários de outros provedores. Era complicado, quase manual e custava dinheiro, mas quase funcionava.

Nos primeiros dias da internet e suas antecessoras os endereços IP não eram associados a nomes. Logo isso começou a ser feito de forma manual, só foi automatizado em 1984 com a criação do BIND: desde então a gente digita www.google.com e o computador se vira, não precisamos anotar muito menos decorar que na verdade estamos passando para ele o endereço 216.58.202.132.

Os navegadores costumam facilitar mais ainda: se você digita um nome isolado eles tentam as combinações básicas, adicionando .com e similares e testando a existência do domínio. Isso é para suprir a necessidade de retardados como um sujeito que me disse certa vez que não tinha conseguido achar o site da HP. Perguntei se ele havia tentado hp.com. Claro que não.

Achar uma pessoa em uma rede social hoje em dia é facílimo: é possível achar e se comunicar com qualquer pessoa do mundo civilizado, em questão de minutos. Menos por telefone.

Nossos smartphones são máquinas incríveis maravilhosas e complexas mas dentro deles há o lado telefone, com tecnologia e usabilidade da Idade da Pedra. Quem te ligou? De quem é o número? Se não estiver na sua agenda, na formatação exata, ele não sabe. Não existe um catálogo centralizado atualizado, o número piscando em seu aparelho não é acompanhado de informações de quem, de onde, de porquê.

Com toda a tecnologia disponível se uma pessoa que te conhece ligar de um telefone diferente, a ligação se torna anônima. Não há autenticação ou identificação do emissor.

“Não sou um número, sou um homem livre” — dizia o Número 6, protagonista da série O Prisioneiro

Na internet somos nossos rostos nossos avatares nossos nicknames. No telefone somos um número.

A geração atual trata seus números como descartáveis, são apenas algo que acompanha o chip do celular, que se for o caso é só ir no jornaleiro e comprar outro. O pessoal mais velho ainda lembra da dificuldade em conseguir um número telefônico, como aprendíamos a decorar o número de casa para qualquer emergência, como disputávamos quem tinha a agendinha mais maneira.

Saudosismo é ótimo mas o passado deveria viver no passado. É no mínimo anacrônico e vergonhoso que em pleno 2017 nossos telefones ainda se comportem como em 1936, quando foi feita a transição da ligação via telefonista para a discagem automática, como mostrada neste pitoresco filme de época:


AT&T Archives: Introduction to the Dial Telephone

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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