99Vidas: O Jogo — Análise

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Enfim saiu. 99Vidas: O Jogo, o beat ‘em up produzido pelos paulistanos da QUByte Interactive em parceria com o podcast 99Vidas finalmente ficou pronto e está disponível, após uma bem sucedida campanha de crowdfunding. Portanto a pergunta é: o esforço dos fãs foi recompensado? É o que vamos descobrir.

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“É muito colorido”

A ideia de lançar um game baseado no podcast surgiu em 2014 a partir de uma iniciativa da QUByte, uma desenvolvedora nacional até então especializada em títulos para dispositivos móveis. Diversas reuniões foram feitas para definir o escopo e uma vez traçado o plano inicial (que foi testado com o primeiro demo) em 2015 uma campanha no Catarse foi iniciada para arrecadar fundos e viabilizar o lançamento. Inicialmente planejado apenas para computador, os mais de R$ 100 mil arrecadados permitiram que 99Vidas: O Jogo seja lançado em breve para PS4, Xbox One e PS Vita (alguém ainda lembra do portátil da Sony).

Marivaldo Cabral, engenheiro de software e CEO da QUByte se comprometeu a desenvolver um game não só inspirado na nostalgia que é o principal tema do podcast, como também faz referências às histórias e situações relatadas por Jurandir Filho, Izzy Nobre, Evandro de Freitas e Bruno Carvalho. O resultado é um beat ‘em up sólido, com personalidade própria que é um deleite para os fãs mas que satifaz também os retrogamers e os que procuram um jogo de qualidade.

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Esse chefão é muito familiar…

Dessa forma 99Vidas: O Jogo não faz referência apenas ao ethos do podcast: ele presta homenagem a diversos títulos do passado como Mario, Sonic, Double Dragon, Golden Axe e muitos, muitos outros. É fato que quem não consome o programa vai boiar bonito em diversas referências de áudio e vídeo, mas o importante é que o game atende um grande público ao ser divertido e desafiador.

O game em si possui diversas similaridades com o clássico dos beat ‘em ups River City Ramson e por tabela, com o recente Scott Pilgrim vs. the World: The Game (um game que aliás não existe mais). A progressão é linear mas há fases secretas e um sistema de upgrades, para melhorar os personagens e auxiliar na árdua tarefa de recuperar o poder das 99Vidas de um vilão um tanto familiar.

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O desafio aliás é um dos maiores pontos fracos do game: a inteligência artificial dos inimigos é extremamente desequilibrada, mesmo nos níveis de dificuldade inferiores. Sua gama de movimentos, sejam dos chefes ou dos capangas possui uma prioridade muito alta, e virtualmente anulam quase qualquer ataque seu. Ficar cercado pelos vilões invariavelmente resulta na perda de uma vida de graça, visto que a única maneira de escapar é utilizar o golpe especial e consequentemente, perder energia.

A impressão é que os desenvolvedores da QUByte forçam os jogadores a curtirem o game com os amigos (seja local ou online), onde a dificuldade é mais equilibrada. Tentar termina-lo sozinho é um desafio e tanto, que embora possível vai arrancar os cabelos de muita gente.

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Visualmente 99Vidas: O Jogo é excelente, com gráficos inspirados nos clássicos dos 16 bits para garantir o fator nostalgia e a trilha sonora é fantástica, com diversos temas originais e outros inspirados em clássicos. O sampler da inconfundível Go Straight, do mago Yuzo Koshiro é o tema de uma das fases e coloca um sorriso na cara de todos os fãs de Streets of Rage 2, na opinião de muita gente (eu incluso) o melhor beat ‘em up de todos os tempos.

O som e o visual inspirados nas histórias do podcast acabaram por localizar o game em diversos locais brasileiros, desde a periferia de Fortaleza (onde Izzy e Jurandir viveram) ao litoral, passando por áreas mais urbanas. Tudo muito bem contextualizado e tratado com muito humor. Mesmo os inimigos (e personagens secretos) fazem referências à cultura brasileira, com músicas que vão do samba ao baião.

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Conclusão

99Vidas: O Jogo é uma excelente prova de que crowdfunding feito de uma maneira correta pode resultar em um excelente produto final. O título da QUByte não deve nada aos mais modernos e tem potencial para entrar para o rol dos melhores beat ‘em ups. Mesmo que os não-ouvintes do podcast possam ficar boiando e não aproveitem muitas das referências audiovisuais do 99Vidas, o game em si tem uma qualidade ímpar para conquistar os mais exigentes jogadores.

O único ponto realmente negativo é ele não ser tão amigável a quem prefere jogar sozinho, mas sendo sincero um clássico game de pancadaria é melhor aproveitado em companhia dos amigos, bebendo tubaína e comendo salgadinhos baratos.

Cotação:

5/5 Kids.

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99vidas – O Jogo: Trailer Oficial (2016)

Ficha Técnica

  • Título — 99Vidas: O Jogo
  • Plataformas — PC, macOS e Linux via Steam (em breve para PS4, Xbox One e PS Vita)
  • Desenvolvedora — QUByte Interactive
  • Distribuidora —QUByte Interactive
  • Preço — R$ 29,99 no Steam
  • Pontos Fortes — excelentes gráficos e trilha sonora; toneladas de referências a games clássicos; sistema de upgrades auxilia na progressão; fases bônus muito bem sacadas
  • Pontos Fracos — IA um tanto desbalanceada e golpes dos inimigos com altíssima prioridade, o que praticamente impossibilita o jogador de curtir o game sozinho; jogadores que não acompanham o podcast não absorverão as inúmeras piadas referentes ao ethos do 99Vidas
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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • O feeling do Streets of Rage e Guardian Heroes está muito alto!
    Acho que vou esperar algumas atualizações antes de comprar, o SorR Remake por exemplo, também sofreu com desequilíbrio de IA nas primeiras versões e ficou lindo após algumas atualizações.

  • Fabio Esteves

    A direção de arte do jogo tá linda, os personagens são interessantes e as animações estão excelentes. Vi o gameplay numa live do Izzy, então o áudio tava muito baixo. Porém, como não-ouvinte do 99vidas eu sinto que perco uma boa parte da experiência.

    • Germano

      Mesma duvida aqui, sera que alguem que nao ouve o Podcast vai apreciar? No mais, achei legal o pouco que vi.

      • Islan Oliveira

        Algumas das referências que eu vi, saquei porque li várias no blog do Izzy, mas a relacionadas aos outros integrantes do cast, só os ouvintes que entenderão.

      • achsanos

        Como não-ouvinte do podcast só me ative ao fato de ser um beat ‘em up 16bit made in brazil. Talvez se eles se preocuparem em vender também as referências mais genéricas e não apenas o ‘ethos do podcast’, quem sabe.

    • Zé das Covi

      90% das referencias do podcast tem como base algo que é comum ao mundo de quem acompanha os jogos antigos e atuais vai entender .
      Eu sou ouvinte, não tão antigo e nem ouço todos, estou amando o jogo .
      Travei na parte do bebe em cima de um “dragão” mais ta divertido se fosse mais fácil não teria tanta graça, sempre vejo o pessoal reclamando que os jogos atuais estão muito fáceis , isso ae é uma boa resposta, SEM tutorial e SEM continue, um belo desafio .

      • Fabio Esteves

        Eu não entendi os chefes e sei que tem a ver com os participantes.

  • Considero as músicas de SoR 1 melhores. Mesmo compositor.

  • Sobre a questão da IA, o pessoal do 99vidas é bem claro: o jogo é pra ser difícil mesmo. Foi pensado assim, pois boa parte do público patrocinador (se não todo) pediu por um desafio maior.

  • Othermind

    Me lembra mais um jogo em flash que um 16 bits. Mas mesmo assim parabéns aos desenvolvedores. Vou comprar.

  • Juaum

    Streets of Rage fez PhD mesmo…

  • Bruno do Acre – (Etevaldo)

    Me lembra o LittleFight

    • Gabriel Andrade

      Exatamente o que pensei quando ví o trailer. Adorava esse jogo.

  • SLCopetti

    Dá uma tunda em visual e aparentemente em gameplay no Double dragon IV.

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