Fotografia: Quantidade × Qualidade — uma reflexão

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Estou nesse mundo da fotografia há um pouco mais de 20 anos. Claro que não profissionalmente, mas os primeiros experimentos com arte fotográfica começaram em 1995. Depois de alguns anos comecei a vender o serviço profissionalmente. Só migrei para o digital em 2008, não por conta de qualidade, mas por não encontrar mais um laboratório que revelasse o filme com qualidade profissional. Então, eu vivi nos dois mundos: filme fotográfico e digital.

Dentro destes dois mundos, uma coisa que nunca me preocupou, mas que parece ter cada vez mais importância, é a quantidade de fotos que entregamos para os clientes. A primeira coisa que me perguntam, seja para o registro de um evento ou ensaio fotográfico, é a quantidade de fotos que vou entregar. Eu acho que a qualidade seria um fator mais importante para as pessoas se preocuparem, mas as pessoas se preocupam com quantidade. Eu digo que isso é um absurdo.

Quando utilizava filme, um casamento pequeno consumia 10 rolos de filme. Ou seja, 360 fotos eram suficientes para registrar o evento. Hoje, com a facilidade do digital as pessoas querem mais e mais. Os eventos sociais podem ter ficado mais pomposos, as câmeras podem fazer mais fotos, mas devemos entupir o cliente de imagens?

Pelo valor que você está pagando pelo trabalho do fotógrafo você pode achar que sim, mas isso pode ser uma armadilha complicada. Conheço fotógrafos que estão entregando 5 mil fotos de um casamento. Sim, 5 mil imagens onde os noivos devem escolher uma média de 80 fotos para o álbum. Ótima maneira dos noivos decidirem aumentar o tamanho do álbum, ou decidirem fazer álbuns extras. Mas, e a qualidade final do produto?

Você que trabalha com fotografia, ou é um amador dedicado, sabe que a porcentagem de fotos realmente espetaculares é baixa. Eu digo que fico feliz quando 10% do material é realmente muito bom. No caso de um evento de 5 mil imagens, essas fotos espetaculares ficam soterradas por imagens não tão boas. Ao encarar essa avalanche de imagens os clientes ficam perdidos, cansados, a paciência acaba antes de ver todas e as escolhas para a finalização do serviço não são as mais interessantes. Sem falar a quantidade de fotos parecidas, já que equipes com 4 fotógrafos tendem a fazer fotos parecidas.

Sim, nesse tipo de situação o cliente acaba escolhendo uma parcela muito pequena das fotos espetaculares, pois está cansado e acaba escolhendo mecanicamente. Eu passei por isso em meu próprio casamento. Toda vez que pensava em ver as fotos e escolher as melhores eu ficava deprimido dada a quantidade de fotos. Então, a quantidade pode ser um grande inimigo para a escolha final das imagens.

Existem alguns fotógrafos que tentam fugir desse problema. Temos duas soluções que são bem utilizadas. Alguns já fornecem ao cliente uma seleção das imagens que eles consideram mais importantes e impactantes. Outros fotógrafos, geralmente os mais famosos e com nomes importantes, já colocam no contrato que 20% das fotos do álbum serão escolhidas por eles.

No meu caso, eu prefiro ir pelo lado da qualidade. Não costumo pegar eventos grandes. A minha equipe é formada por mim e minha esposa (em alguns casos um assistente). Trabalhamos com 4 câmeras (duas cada um) e um casamento rende (geralmente) 2 mil imagens (não tenho o dedo nervoso). Como temos duas pessoas fotografando as mesmas cenas, procuramos diferenciar, mas na hora da edição imagens parecidas são eliminadas. Tirando as fotos tremidas, mal enquadradas e as que não me agradaram, costumo entregar ao cliente entre mil e mil e duzentas fotos. Esse é o meu limite. Acho que mais que isso é exagero. E mesmo essa quantidade “baixa” de imagem causam longos períodos para escolha das imagens. Em média 8 meses e todos extrapolam o limite de 80 imagens.

Quantidade não é indicação de qualidade. Na verdade, ela acaba por matar a qualidade final de seu álbum. Se esforce para fazer boas imagens, bem compostas, com preocupação com a iluminação e enquadramento. Não entregue tudo o que fotografou para o cliente, tenha um trabalho de edição do que vai ser mostrado. Aqui vale a máxima que um bom fotógrafo nunca mostra as fotos ruins.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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