Vazaram os clocks de operação do Nintendo Switch

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Um Nintendo Switch funcional nas mãos de Jimmy Fallon (crédito: YouTube)

Desde o velho DS a Nintendo tem escondido as especificações técnicas de seus consoles: para ela o importante é a diversão, não tanto os gráficos. Ela simplesmente foge de comparações de desempenho com os concorrentes pois prefere não mais entrar na guerra de fotorrealismo que Sony e Microsoft travam geração após geração, até porque um hardware mais poderoso custa mais.

É basicamente seguir à risca a filosofia Gunpei Yokoi de preferir (re)utilizar hardware antigo (leia-se: consolidado e bem conhecido) a investir pesado em equipamento no estado da arte. E com o Nintendo Switch não será diferente: embora o tio Laguna tenha especulado um suposto Tegra X2, foi confirmado semana passada que o SoC nVidia por trás do novo console da Nintendo é mesmo o velho Tegra X1 mesmo.

Agora a novidade: algum desenvolvedor vazou uma tabela de combinações das configurações de performance do console. Respira. Basicamente são os modos possíveis de desempenho que os aplicativos (leia-se jogos) poderão usar desde o lançamento oficial do Nintendo Switch. A tabela é basicamente a seguinte, reproduzida na íntegra:

Modos ↓ Freqüência de operação da CPU Freqüências de operação da GPU Velocidades disponíveis no barramento do controlador de memória
Switch portátil 1,02 GHz 307,2 MHz 1331 ou 1.600 MHz
Quando no dock… 1,02 GHz 307,2 MHz ou 768 MHz 1331 ou 1.600 MHz
As informações na presente tabela são a especificação final de combinações das configurações de performance, e modos de desempenho que os aplicativos poderão usar no lançamento.

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O que quer dizer todos esses números?

Significa que além de o Nintendo Switch utilizar um SoC de 2015 cuja GPU utiliza arquitetura de 2014, ele não utilizará toda a potência do chip. Isso mesmo, teremos no novo console da Big N uma versão mais simples daquele console Android, o nVidia Shield.

Simples quanto?

O nVidia Shield possui uma CPU operando em 2 GHz e a GPU em 1 GHz, e consome 20 Wh. O kit de desenvolvimento vazado e confirmado tem uma mesma GPU Maxwell com os mesmos 256 núcleos CUDA do console da nVidia. Como o processador gráfico do Tegra X1 perfaz 1.024 flop/ciclo, temos no console da Nintendo um desempenho gráfico máximo de 768 gigaflop/s em ponto flutuante de meia precisão (FP16). Isso quando o Switch estiver a carregar no respectivo dock, ligado via USB-C ao televisor.

Entretanto, estamos a falar de um console híbrido, um console que vai depender de bateria. Bateria essa dará ao Switch autonomia próxima à do 3DS. E, em seu modo portátil, o novo console da Nintendo terá um desempenho gráfico de nada menos que 307,2 Gflop/s. Representa apenas 40% do desempenho máximo. Detalhe: o desempenho gráfico do Wii U é de 352 Gflop/s.

Como portátil, seria o Switch graficamente pior que o Wii U?

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“Ai, por favor, me diga que esses gráficos serão melhores com o tempo!”

Não. A GPU Latte do Wii U utiliza a arquitetura RV700 da AMD, de 2008/2009. E não podemos comparar duas arquiteturas gráficas diferentes e que não sejam contemporâneas. Simplificando (e simplificando muito), podemos dizer que a GPU mais atual consegue ser mais eficiente ao utilizar menos cálculos para gráficos melhores. Tradução: os 307,2 Gflop/s de 2014 fariam graficamente o mesmo que 420 Gflop/s faziam em 2009.

Mesmo com todas essas considerações, a situação não melhora muito para o povo que quer mais fotorrealismo: na situação mais exigente, quando estiver no dock exibindo games em Full HD, o Switch não chegará nem perto dos gráficos do Xbox One, sendo apenas levemente melhor que o Wii U.

Detalhe que dependendo do desenvolvedor a situação pode ser ainda mais complicada, pois no modo dock há a opção de manter a mesma freqüência de operação da GPU que o modo portátil. Isso dá a entender que em tal escolha criativa o jogo rodaria a 720p no modo dock, mas a vantagem é a de que o jogo não sofreria qualquer possível travadinha durante a transição entre ambos os modos, dock e portátil.

Veja que estamos falando apenas da GPU. A Nintendo optou por manter o clock da CPU (1,02 GHz) para não adicionar maior dificuldade de desenvolvimento. Aliás, de certa forma, é como se os desenvolvedores estivessem fazendo jogos para o PS4 e PS4 Pro. Mas é bem melhor que desafiar os estúdios a incluir uma função realmente útil para o GamePad do Wii U.

A Nintendo fará em janeiro um evento de lançamento do Switch, onde irá revelar o preço e os jogos disponíveis no lançamento. O lançamento mesmo do console no mercado seria em março.

Fonte: EuroGamer via GameSpot.

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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