O espertão que gastou US$ 1 milhão (roubados) com a Kate Upton

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Gosto de pensar que há um cantinho no inferno especial reservado a todos os estúdios e desenvolvedores responsáveis por jogos freemium, especificamente os que utilizam o famigerado método pay-to-win/pay-to-play. Os títulos não são mais do que uma caixa registradora, não passam de recompensas ilusórias e conquistas efêmeras atreladas a um perverso esquema (jogabilidade é forçar a barra) em que o jogador só consegue progredir se abrir a carteira. Constantemente.

Há uma série de games assim (sugiro que assistam o episódio de South Park Freemium Isn’t Free, que explicou o esquemão perfeitamente), o caso mais descarado foi o que a EA fez com o remake do clássico Dungeon Keeper, onde era impossível jogar sem gastar. FarmVille, da Zynga é o mais famoso desses títulos.

Os devs estão pouco se lixando para coisas minimamente necessárias num game como jogabilidade ou mesmo uma apresentação decente, e o maior exemplo é a febre chamada Game of War: Fire Age. O título da Machine Zone é uma verdadeira máquina (sorry) de fazer dinheiro, chegando a lucrar US$ 1 milhão por dia. Ele não é nada mais do que um Age of Empires mais feio, com uma série de barreiras impostas para estimular as microtransações.

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A princípio é inexplicável como um game tão feio faz tanto dinheiro, mas tudo é construído de forma a gerar um comportamento de condicionamento clássico: os games freemium não são nada além de uma Caixa de Skinner digital, que oferecem recompensas mínimas a cada passo dado, dando ao jogador a sensação de que vale a pena investir sua grana. E muita grana.

Claro, o marketing é importante para atrair os incautos. Em 2014 a Machine Zone gastou US$ 40 milhões em publicidade agressiva, incluindo três comerciais com a modelo Kate Upton, porque tudo fica melhor com ela. Até um game com visual dos anos 1990.

Game of War: Fire Age – 2015 Super Bowl Commercial “Who I Am” ft. Kate Upton

Aqui estão os outros três, for science. Pouco tempo depois trocaram a modelo pela cantora Mariah Carey (que possui forte apelo com o público feminino), que recebeu US$ 1 milhão por um spot onde ela aparece por TRÊS segundos. Não admira que hajam tantos jogadores viciados por aí.

É o caso do californiano Kevin Lee Co, de 45 anos. Ele admitiu à corte ter desviado da antiga empresa em que trabalhava a suntuosa quantia de US$ 4,8 milhões de dólares, tendo gastado tudo com coisas supérfluas: ingressos para jogos da NFC e NBA, carros de luxo, cirurgias plásticas e um título num clube de golf.

Porém o gasto mais esdrúxulo foi justamente com o game da Machine Zone: Co admitiu ter injetado nada menos que um milhão de dólares em Game of War. O processo (cuidado, PDF) ainda descreve os métodos maquiavélicos do estúdio para manter os jogadores gastando uma média de US$ 550 por ano, definindo-o como “algo similar a apostas, mas sem nenhuma possibilidade de vencer”.

Quanto a Co, o espertão que gastou uma fortuna com o game poderá pegar 20 anos de cadeia e pode até ser que o game fosse a melhor maneira de sumir com a grana, mas convenhamos: mesmo assim é demais.

Fonte: Ars Technica.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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