Amazon apaga livros do Kindle
Quem gosta de ler, geralmente gosta também de ter livros. Quem tem espaço e dinheiro pra isso _uma vez que eles não são assim tão baratos_ mantém estantes cheias de volumes que talvez só sejam lidos uma única vez, ou nem isso. Tudo pelo simples prazer de ter, de folhear um livro, de sentir o cheiro do papel. Se você faz parte deste grupo que é chegado na leitura, imagine que uma das lojas onde você adquiriu um desses itens de sua coleção entre furtivamente em sua casa e leve o embora.
Estranho? Pois foi o que fez a Amazon. Livros eletrônicos podem não ter as mesmas propriedades nem evocar os mesmos sentimentos que os de papel, mas a sensação de “fui lesado” é a mesma. Na sexta-feira passada, a Amazon apagou remotamente as cópias de dois livros de George Orwell presentes em Kindles de clientes de sua loja online (1984 e A Revolução dos Bichos), com a justificativa de que a editora não tinha autorização para publicar a obra, e que a mesma foi retirada da loja. O valor do livro foi creditado na conta dos clientes.
Este tipo de situação, apesar de rara, não é impossível de acontecer no mundo dos livros “físicos” e, neste caso, tanto os consumidores quanto a loja foram os prejudicados. A série de quadrinhos Estranhos no Paraíso de Terry Moore (recomendo), por exemplo, já foi publicada no Brasil sem autorização. É claro que a detentora dos direitos não gostou do prejuízo e acabou com o barato, mas aqueles que compraram essas edições não foram obrigados a devolver o produto, porque obviamente o erro não foi deles.
Enquanto em outros países a obra já está em domínio público e pode ser distribuída gratuitamente, os direitos sobre 1984 nos EUA só expirarão em 2044.


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