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Tratamento homeopático para envenenamento com CO. Não, mentira, é uma molécula sinistra mesmo.

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Envenenamento por monóxido de carbono é uma forma cruel de se morrer, tudo por causa da química, aquela maldita. As moléculas de hemoglobina, tão eficientes em transportar oxigênio, por acaso são muito mais atraídas por CO do que por O2. Ela pega e não larga. E sem oxigênio, a menos que você seja um comentarista de portal, você morre.

Existem mortes propositais: suicídio usando o escapamento do carro é bem popular, mas também há muitas mortes acidentais, e os casos de envenenamento mesmo quando detectados costuma ser tarde demais. Nos EUA anualmente 50 mil pessoas vão para o hospital por causa disso.

O tratamento mais comum e eficaz é colocar o paciente em um regime de oxigênio puro. É uma corrida contra o tempo: espera-se que o sujeito sobreviva enquanto o corpo elimina o veneno.

Fora isso só resta rezar, que sabemos não é eficaz. Cristais e Florais de Bach também não costumam funcionar. Chapolin está morto, quem poderá nos ajudar?

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Ela mesma, a ciência. No caso um grupo de 16 pesquisadores, em sua maioria da Universidade de Pittsburgh. Em um paper de título Five-coordinate H64Q neuroglobin as a ligand-trap antidote for carbon monoxide poisoning, eles detalham experimentos feitos com neuroglobina, uma proteína encontrada no cérebro.

Essa diaba já era chegada em um monóxido de carbono, mas eles queriam mais. Criaram uma versão mutante, reforçando a afinidade com o Gás do Mal. Em um teste in vitro, a neuroglobina se mostrou 1.200 vezes mais eficiente em arrancar as moléculas de oxigênio da hemoglobina do que apenas ar.

Até aqui nada revolucionário, como lembra o clássico xkcd:

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Matar câncer em uma placa de Petri é fácil: um revólver mata, álcool mata, detergente mata, o problema é achar um composto que faça o trabalho sem matar o resto do organismo afetado.

Eles acharam.

Em testes com ratos envenenaram os bichos com uma dose não-letal de monóxido de carbono, e testaram com tratamento convencional de oxigenoterapia, com a neuroglobina mutante e sem aplicar nada.

Nos ratos sem tratamento a meia-vida do CO no corpo foi de 320 minutos. No caso dos ratos tratados com oxigênio, essa meia-vida caiu para 74 minutos. Nos que receberam a neuroglobina a meia-vida do CO no sangue caiu para 23 SEGUNDOS.

Em testes com doses letais, 87,5% dos ratos tratados sobreviveram ao processo de envenenamento. A pressão sanguínea dos ratos tratados também ficou mais estável e a difusão de oxigênio gasoso nos tecidos melhorou. Não é só no sangue, aparentemente a molécula se espalha por outras partes.

Mais ainda: ela foi rapidamente detectada na urina dos ratos, o que significa que… é metabolizada.

Os testes agora serão ampliados para outros modelos animais, e eventualmente chegarão a humanos. Em alguns poucos anos envenenamento por monóxido de carbono será um incômodo, e não mais uma quase sentença de morte. Thanks, Tedson, digo, Universidade de Pittsburgh.

Link para o Paper.

Fonte: Futurity.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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