Facebook desenvolve ferramenta de censura para o governo chinês

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Mark Zuckerberg está se aproximando cada vez mais da China: várias foram as vezes em que o CEO do Facebook discutiu planos para o futuro junto ao governo de Pequim. Ele está se esforçando para aprender mandarim, tem se reunido com os principais responsáveis pela internet e se aproximou inclusive do premiê Xi Jinping, que é notoriamente antipático a companhias externas.

Zuck só não recebeu um Green Card, a nota era um 1º de abril.

Por que tudo isso? O Facebook foi banido do País do Meio em 2009, por não se adequar às normas onde é proibido comercializar e/ou fornecer acesso a material subversivo/controverso, de acordo com as normas do Partido Comunista. O Google driblou o corte por cinco anos até 2014, isso porque baixou a cabeça e passou a filtrar resultados. Quando Mountain View se tocou de que não fazia sentido pregar liberdade e promover censura ela parou com a prática, e foi chutada.

O problema é que a China, embora comunista no papel é uma nação capitalista como qualquer outra, uma das economias mais fortes do mundo e um mercado consumidor gigantesco, com mais de 700 milhões de pessoas conectadas (cerca de 51% da população do país, dados de agosto). Logo a empresa percebeu que ignorar o país não é inteligente do ponto de vista financeiro, e pouco tempo depois aceitou as condições para voltar: filtrando resultados e capando a Play Store. Para o Google é preferível trair todo o seu discurso e se sujeitar aos desmandos de governos autoritários, se isso se refletir em muito dinheiro no bolso.

E ao que tudo indica Zuck  chegou à mesma conclusão.

De acordo com fontes ligadas ao Facebook (até onde se sabe, tratam-se de três pessoas que são ou foram funcionários da rede social) a mesma teria desenvolvido uma ferramenta para lá de controversa que permite a censura de conteúdo subversivo compartilhado no Feed de Notícias. O sistema, que teria características geográficas filtraria postagens que o politburo considerar inapropriadas (elas não seriam deletadas, mas ocultadas) em regiões da China em que seu conteúdo pode ser considerado inaquedado, diferente de outras. E claro, assuntos mais espinhosos seriam barrados em todo o país.

A polêmica gira em torno não apenas da existência de tal ferramenta mas principalmente pelo fato de que ela não teria sido desenvolvida para uso dos próprios funcionários do Facebook, e sim pelo próprio governo chinês; a rede social não teria interesse em ela própria realizar o bloqueio. Não se sabe no entanto se o software seria repassado para técnicos estatais (como o “Partido dos 50 Centavos” por exemplo) ou para uma empresa privada, ligada à Pequim.

A criação da ferramenta seria um assunto tão espinhoso dentro do Facebook, que diversos funcionários próximos ao projeto pediram demissão por não compactuarem com os rumos que a rede social está tomando. O assunto teria escalado tanto que virou pauta de uma das reuniões semanais dos dirigentes da empresa com a equipe, realizada toda sexta-feira. E nela Mark Zuckerberg teria sido claro como cristal sobre seu ponto de vista:

“É melhor que o Facebook participe de uma conversa enriquecedora, mesmo que seu teor seja restrito.”

Tradução: “se o Facebook vai ganhar dinheiro com isso, pouco me importa trair nossos princípios”.

Não há informações de que a ferramenta já foi repassada ao governo chinês ou se ela sequer funciona como proposto, mas ela existe. Um porta-voz do Facebook disse apenas que a empresa está “aprendendo mais sobre o país” e que o interesse na China não é imediato. Mas francamente, como ignorar um mercado de 1,4 bilhão de habitantes por coisas bestas como moralidade e coerência? E deixar de encher os bolsos?

Fonte: The New York Times.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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