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Um alento: mesmo a melhor IA ainda não é capaz de passar no vestibular

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A gente costuma brincar que o apocalipse robótico está dobrando a esquina, que muitas inteligências artificiais existentes hoje nos superam em diversos aspectos (e isso é verdade) mas a real é que humanos são muito mais versáteis do que máquinas: somos imprevisíveis, capazes de improvisar e diversificar nossas áreas de atuação.

Tudo bem que o ALPHA deu um banho em um piloto de caça, mas uma IA por mais avançada que seja é normalmente programada para desempenhar uma atividade e aprender com ela, através de algoritmos genéticos. Quando passamos para improvisação e pensamento lateral não estamos mais falando de lógica e sim de heurística, e aí a conversa é completamente diferente.

Não que seja impossível, o Google DeepMind já joga videogamedominou o Go, tido como o jogo mais complexo de todos dada sua magnitude; o algoritmo não só consegue joga-lo como derrotou o melhor jogador do planeta, e agora está sendo empregado para detectar doenças oculares com antecedência (e está aprendendo a jogar StarCraft II). Ainda assim são tarefas um tanto isoladas, ligadas a um conjunto de ações e decisões pré-determinadas e com variações quantificáveis (mesmo no Go, que possui 10761 partidas possíveis).

Quando abrimos o leque de habilidades que uma IA deve ter para desempenhar uma função as coisas se complicam, e quem constatou isso foi o Instituto Nacional de Informática do Japão. Um grupo de pesquisadores estava trabalhando em uma inteligência artificial que fosse capaz de passar no vestibular da Universidade de Tóquio (Tōdai para os íntimos), a instituição mais prestigiada do país obviamente, possui um processo seletivo para lá de casca-grossa.

A pesquisa data de 2011, e desde então os pesquisadores vinham alimentando o algoritmo para que ele fosse capaz de ler, compreender e responder as questões do exame de forma apropriada e nas mesmas condições de um candidato humano, para que não houvessem dúvidas de favorecimento. As questões não eram preparadas antecipadamente ou exclusivas, o robô tinha que pegar a prova no ato e se virar, como todo mundo.

Aí veio a realidade: programar uma função é fácil, mas fazer uma IA dominar conhecimento geral é muito mais complicado: em 2015 o Tōdai Robot Project atingiu uma pontuação de 511 de 950 pontos possíveis, o que pode parecer muito mas não é nem perto do necessário para a admissão na universidade. A profa. dra. Noriko Arai, parte do time de pesquisas declarou que “uma IA ainda não é boa o bastante para responder uma questão que requer a capacidade de compreensão em um amplo espectro”.

Basicamente o algoritmo tinha dificuldades com contexto: embora ele pudesse dar uma resposta satisfatória ele não conseguia entender o que era proposto, driblar as pegadinhas e nuances das questões mais subjetivas, coisa que um humano consegue fazer. Dessa forma, após o time avaliar que a IA só seria capaz de passar no vestibular com muito otimismo em 2022, o projeto foi cancelado.

Nós temos IAs capazes de compreender contexto mas de novo, estamos tratando de um teste geral que exige entre outras coisas conhecimentos gerais inclusive de atualidades. O Tōdai Robot Project demandaria atualizações constantes para sempre estar a par dos acontecimentos recentes e muito provavelmente continuaria se confundindo nos vestibulares seguintes. Pode ser que um dia seja possível os robôs alcançarem tal façanha, mas por enquanto eles continuarão tendo que frequentar o cursinho.

Fonte: Fujitsu.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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