Google se defende das acusações da UE: “o Android não é uma ameaça à competição”

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O Google enfim respondeu aos questionamentos da Comissão Europeia para a Competição: acusada de violar as leis antitruste para favorecer o Android no velho continente, a companhia declarou (previsivelmente) que não cometeu abusos, reafirmando seu compromisso em “estimular a competição”.

Sim, também estou rindo.

A briga entre o Google e a Comissão já dura meia década, mas desde que a comissária linha-dura Margrethe Vestager sucedeu o moderado Joaquín Almunia (acusado de ter sido conivente com Mountain View ao passar a mão na cabeça da empresa) as coisas começaram a se complicar. Ela vem batendo com força em diversas frente, acusando o motor de busca e o Android de serem forças que ameaçam a livre competição no bloco por serem grandes e poderosos demais, além do Google insistir em atochar suas próprias soluções em seus produtos e em aparelhos de terceiros, que seriam forçados a se adequarem.

A defesa veio do VP e conselheiro-geral do Google Kent Walker. Segundo o executivo a acusação da Comissão só faria sentido se o fator iPhone fosse excluído da equação, segundo sua visão seu principal concorrente. O caso é que embora a maçã detenha a totalidade virtual dos lucros do setor, a distribuição é bem diferente: em média 9 em cada 10 aparelhos vendidos no mundo no último trimestre foram Androids; hoje quase 70% de todos os smartphones ativos no globo rodam o sistema do robozinho, contra menos de 26% do iOS.

Walker também diz que a parceria com fabricantes é essencial por conta do caráter “aberto” do Android, que é sujeito à fragmentação. Os contratos entre o Google e os fabricantes garantem a estabilidade geral do sistema para permitir que desenvolvedores (cerca de 1,3 milhão na Europa) tenham uma plataforma estável com a qual possam trabalhar. Ok, é compreensível porém os mesmos contratos forçam as fabricantes e sempre darem preferência aos softwares do Google, que majoritariamente vêm pré-instalados nos smartphones. É a mesma queixa que ferrou a Microsoft no passado com o Internet Explorer no Windows.

Walker diz que os contratos não impedem a instalação de outras soluções externas à Mountain View, mas as acusações recentes dizem o contrário.

Claro que tal movimento visa fazer com que o Google se safe de ser multado em 10% de seu faturamento anual (o que hoje fecharia a conta em US$ 7,45 bilhões), mas as chances não são boas em geral. Vestager e a Comissão propõem não só o pagamento de multas como a interrupção total de todas as práticas anti-competitivas, além da medida mais radical de todas: partir o Google ao meio separando o motor de busca do restante, e forçar a companhia a liberar o algoritmo para os concorrentes de forma a equilibrar a competição.

Os próximos meses podem ser decisivos, e pelo andar da carruagem a história pode acabar bem mal para o Google.

Fonte: Google.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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