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Testamos: Pimax 4K VR

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Ah, a Realidade Virtual. A promessa de mundos completamente imersivos, “viver dentro da máquina” no melhor estilo Ghost In The Shell, Sword Art Online ou The Matrix. Até o momento a única forma que se encontrou para chegar perto desta possibilidade envolve o uso de “óculos” ou visores montados na cabeça (Head-Mounted Displays – HMD) para prover ao usuário uma experiência em 360 graus e, como tal, esta experiência depende diretamente deste acessório.

Nós recebemos um HMD da fabricante chinesa Pimax, o Pimax 4K VR que, como o próprio nome diz, é um óculos de realidade virtual com display em 4K. Depois de duas semanas de testes, como se saiu este acessório em sua tarefa nada insignificante de revolucionar o mundo? E como ele se compara às outras soluções já testadas por este revisor (Rift DK1, Samsung Galaxy Gear e Google Cardboard)?

Em primeiro lugar, é bom dizer que houve problemas: alguns relacionados ao equipamento, alguns relacionados ao usuário e outros relacionados à tecnologia em si. Durante a análise, será explicitado quem é o culpado pelo quê.

O produto

A versão de avaliação foi a mais simples, que não contempla os fones de ouvido e tem o preço na faixa dos 286 dólares (lá fora, obviamente e com o cupom PIMAX11). Imediatamente salta aos olhos o valor, bastante em conta se considerarmos os 600 dólares do Oculus Rift e os 800 do HTC Vive (a.k.a. “o SteamVR”). O investimento não inclui nenhum joystick, assim como o Rift, mas isso não tira o mérito, já que outros controles podem ser usados.

O HMD em si é de fácil instalação e possui um único cabo bifurcado no final em um conector HDMI e um USB, definitivamente um avanço em relação às primeiras versões da tecnologia. O uso de fones de ouvido não atrapalha e eles podem ser colocados por cima das alças dos óculos. Há ainda espaço interno para usar óculos de grau, com um pouco de desconforto. Não é o ideal, mas é possível.

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Instalação

Aqui houve uma turbulência considerável na nossa viagem ao universo paralelo: naturalmente é necessário instalar um software no PC para o HMD possa ser usado, baixado diretamente do site do fabricante (ou melhor, hospedado no mega.nz) e o mesmo está, na mais educada forma de dizer, extremamente amador, incompleto e instável.

O primeiro inconveniente foi logo na instalação, quando, apesar de usar a versão em inglês, vários pacotes de bibliotecas foram instalados em suas versões chinesas (na maioria bibliotecas de runtime do J# e uma versão obsoleta do Java JDK).

Com a impressão de que eu estava me voluntariando para participar de uma botnet asiática, prossegui até o fim, onde o segundo inconveniente se mostrou: em inglês quebrado o Piplay, o software do fabricante, me informou que os óculos estavam com o firmware desatualizado e que era necessário baixar e instalar um novo. O aplicativo então apenas parou após clicar em OK e os óculos entraram no modo de atualização (com seus LEDs piscando em todas as cores) indefinidamente.

Mesmo vários reinícios não foram suficientes e já cogitava a possibilidade de que o equipamento havia sido vítima dos fatais erros de upgrade de firmware que eram tão comuns a 10 anos atrás. Neste ponto fui atrás dos logs de erro, ciente de que um usuário mediano não conseguiria agir da mesma forma e, após analisar um stracktrace de Java, descobri que a aplicação precisava ser executada como Administrador para poder ler o arquivo de firmware e enviá-lo para o HMD. Apenas após isto ele foi atualizado com sucesso e pude finalmente passar ao uso e configurações iniciais.

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Configuração

Em certo momento, após tentar usar os óculos como estavam (e, de fato, novamente me maravilhar com a experiência inicial), percebi que era necessária uma configuração adicional: o ajuste da Distância Inter-Pupilar (IDP em inglês) é um requerimento, se você quiser ser capaz de ler qualquer coisa na tela. Aqui cabe um parêntese: não acredito que o usuário mediano saiba sua própria distância pupilar. Mas este que vos escreve apenas recentemente passou a usar óculos, então possui uma receita emitida por um oftalmologista certificado com este valor.

O primeiro problema é que a IDP que deveria ser usada, 72 mm de acordo com a receita, não resultou em um resultado agradável, de fato piorando muito do valor inicial, que era de 55. Era claro que o intervalo de valores que o software aceitava (50.0-75.0) não estava em milímetros, ou simplesmente não estava calibrado como tal. Sem nenhuma ideia de qual escala utilizar, parti para a tentativa-e-erro, reduzindo o valor de 2 em 2 e verificando os resultados. Imagine o clássico “melhor ou pior” sentado na cadeira do oculista e você terá uma ótima ideia do processo.

Mas não podia ser tão simples: o Piplay, software que ganhou um lugar no hall da infâmia para este revisor, na sua versão 1.1.74 tem o péssimo hábito de dar erro em 100% das vezes que a IPD é modificada e só volta a operar normalmente após o reboot da máquina. Então a cada ajuste de IDP era necessário reiniciar o Windows. Entre a IDP 72 e o mínimo 50, que foi a configuração que realmente ficou agradável à vista, foram cerca de 20 reboots (nem sempre um só bastava).

Depois de algumas horas entre ajustar a IDP, rebootar o PC, entrar no SteamVR, testar os óculos e repetir o procedimento, finalmente estava pronto para iniciar o teste do Pimax.

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Uso

O Pimax 4K VR foi testado nos seguintes ambientes:

  • SteamVR
  • SteamVR Room Demo
  • Elite Dangerous (com a expansão Horizons)
  • Project Cars

Como já mencionado, o efeito inicial é brutal: é como se você um dia acordasse e descobrisse que tem um superpoder, um supersentido que nunca teve. A qualidade da imagem do Pimax tem que ser mencionada, pois se ela apresenta a tendência que a tecnologia está seguindo, desde que o Rift DK1 foi criado, com sua imagem borrada e resolução 640p, claramente estamos no caminho certo. Não estou seguro que tenha ativado a resolução 4K do Pimax, já que esta configuração não se encontra em lugar algum, mas com certeza era terreno de 1080p ou superior.

Após alguns minutos de jogo, quando o efeito WOW inicial começa a ceder, os primeiros problemas do equipamento e da tecnologia de VR geral começam a ficar mais evidentes.

Drifting

Com apenas 10 minutos de uso, ficou claro que os óculos têm um certo problema de calibração onde o centro da visão “desliza” para um dos lados (“drifting”). Este efeito é cumulativo, então após algumas dezenas de minutos, se você quiser olhar para a frente da sua nave espacial, carro ou simplesmente para o painel do SteamVR, é necessário olhar na verdade uns bons 30º para a esquerda ou direita (nos meus testes ele geralmente desliza para a esquerda, apenas uma única vez para a direita).

Na sessão mais longa, onde decidi simplesmente rodar a cadeira ao perceber que estava ficando deslocado demais, cheguei a quase 180º de desvio (de costas para o PC/teclado em si). Este mesmo problema já acontecia com outros produtos, como o Rift DK1 (em muito maior escala), e aqueles baseados em celulares (em menor escala), mas é frustrante perceber que ele continua presente.

É possível que, utilizando features de headtracking (que nenhum daqueles que já usei possui), este problema possa ser contornado ou eliminado completamente. Fica como cenas dos próximos capítulos.

Foco

Mesmo com o doloroso ajuste de IDP, o centro do campo de visão nunca ficou 100% nítido, sempre apresentando certo desfoque, que contrastava diretamente com a vista a 20° para cima, onde a imagem era límpida como cristal. Em alguns fóruns vi reclamações justamente contrárias, com o centro em foco e as bordas borradas, o que me leva a crer que é uma questão de óptica e das diferenças entre os olhos de cada um.

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Embaçamento e Calor

O fato do equipamento ter sido testado próximo ao equador revelou outro inconveniente: o aparelho gera calor, eu gero calor, o Sol gera calor e todo esse verão de emoções se materializa em um fog nas lentes, que força o usuário residente em um país tropical a afastá-lo dos olhos a cada 2-10 minutos e soprar gentilmente para cima para poder continuar jogando sem tornar seu cockpit num simulador de catarata.

Para poder usá-lo de maneira prolongada foi necessário ligar o ar-condicionado e sim, isso é sério. Ainda mais quando se considera que “maneira prolongada” são entre 15 e 45 minutos, pois, após isso o enjôo se torna um impeditivo crítico.

Enjôo

Acredito que precise dissertar mais sobre isso: a náusea varia de pessoa para pessoa e de jogo para jogo. Eu usei alguns “observadores independentes” (vulgo, amigos) para “testar” o produto e os resultados foram os mais diferentes possíveis: enquanto eu não consegui pilotar um veículo de reconhecimento da superfície de uma lua por mais de 5 minutos, algumas pessoas o fizeram de maneira divertidíssima por quase uma hora (só parando porque eu realmente precisava continuar a análise, e muito a contragosto).

Entre os diferentes jogos, o SteamVR e SteamVR Room Demo foram bastante aceitáveis, até porque você não se move neles. Elite Dangerous, enquanto pilotando a nave também foi bastante agradável, mas a superfície irregular da lua onde foi testado quase fizeram meu jantar voltar. Eu suspeito que tenha sido uma mistura da falta de feedback sensorial das forças G ao pilotar um veículo de terra e o fato que eu nunca pilotei um avião (ou nave espacial… ainda) que tornaram uma experiência tão ruim e a outra bastante razoável. Meu corpo sabia como deveria se sentir num carro, mas não fazia idéia de como meus sentidos deveriam sentir uma nave espacial (e agora, quando eu pilotar uma de verdade, estarei realmente f$%@*).

Claro, tudo isso é terreno da especulação, mas parece fazer sentido, especialmente quando levamos um fato adicional em consideração: em dado momento, apenas por zoeira™, um amigo usou a imagem espelhada no monitor principal para me dar feedback tátil, movendo, tremendo e batendo na minha cadeira. E, surpreendentemente, isso funcionou muito bem, pelo menos nos primeiros minutos, postergando bastante o nível insuportável de enjôo.

Project Cars foi um meio-termo: como as pistas são de circuito, não de rally, é esperado que não haja alterações bruscas que devam causar uma necessidade tátil, exceto quando aquele filho da mãe que pilotava o Lan Evo X tocou na minha roda traseira me fazendo ir de cara na mureta. Fora isso, agradável e surpreendentemente familiar.

Independente do jogo, Room Demo incluso, depois de algum tempo aquele enjôo sempre aparece. Eu suspeito que é causado pela falta de headtracking, pois ao mover a cabeça nos dois eixos sem girá-la, a náusea bate forte. É possível que seja a desconexão entre o que você sente e o que você vê, numa versão remasterizada do famoso enjôo de carro que algumas pessoas têm quando começam a ler em um veículo em movimento. Eu tenho este problema, então fica o aviso aos compatriotas de estômago ruim.


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Conclusões

Enquanto o conceito da tecnologia e o impacto inicial do primeiro uso são quase de fazer chorar de emoção, o uso contínuo de um HMD de realidade virtual no nível tecnológico atual me fez questionar a usabilidade a longo prazo. Lembram aquele supersentido que você descobre que tem numa bela manhã? Pois logo após os primeiros minutos você percebe que ele é míope, manco, ou ruim de um ouvido.

No caso do Pimax especificamente, o trabalho hercúleo que tive para fazê-lo funcionar me frustrou bastante. Verdade seja dita, o distribuidor nos informou que uma nova versão do software, a ser lançada em algum momento no futuro deve tratar dos crashes na mudança da IDP e do problema da atualização de firmware. Só podemos esperar.

Por outro lado, a não ser que haja uma fonte de dados externa, não vejo como seria possível corrigir o drifting, já que ele é causado por desequilíbrios sutis entre os sensores e giroscópios. Como disse, todos os HMD que testei até hoje (Rift DK1, Samsung Galaxy gear, Google Cardboard e Pimax) sofrem desse problema. Tecnicamente é de se esperar que com o headtracking presente no Rift DK2, Rift CV1 e HTC Vive isto seja eliminado, mas não é possível afirmar com certeza até poder testar um de verdade.

Eu comentei com conhecidos que a análise do Pimax foi “frustrantemente agradável”: se antes eu estava considerando a possibilidade de adquirir um Vive, hoje eu não penso em fazê-lo enquanto não entender exatamente como cada problema da tecnologia de realidade virtual foi endereçado e de testar o equipamento por mais que apenas alguns minutos.

Por exemplo, o manual do Pimax 4K informa que há em um ajuste automático de miopia, o que, sendo franco, não faz sentido para meus não-tão-parcos conhecimentos de física óptica. A não ser que os chineses tenham inventado uma forma de dobrar a luz por software, nada que não seja um ajuste mecânico nas distâncias das lentes poderia corrigir isso.

O ajuste de IDP será necessário para qualquer HMD VR, não importa o fabricante. Para isso, talvez pudessem disponibilizar uma feature de calibração no aplicativo, algo linhas de “clique neste botão até que as duas bolinhas estejam sobrepostas no centro”. Se as outras soluções fazem isso de alguma forma, desconhecemos. A alternativa é levar seu PC consigo na próxima consulta a um oftalmologista (lembrando que no caso do Piplay nem a receita certificada foi de ajuda).

Isto posto, vamos ao resumo.

Prós:

  • qualidade da imagem;
  • facilidade de uso;
  • conforto;
  • custo;
  • efeito WOW.

Contras:

  • dificuldade da instalação;
  • dificuldade da configuração;
  • crashes constantes do aplicativo;
  • desfoque central; Drifting (deslocamento);
  • embaçamento e calor.

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Considerações Adicionais

  • Se você tem problemas de enjôo, talvez deva reconsiderar a compra de um HMD (qualquer um);
  • Mesmo sendo fantástico à primeira vista, a tecnologia ainda causa pequenos inconvenientes que tornam uma jogatina prolongada inviável (6h non-stop num monitor? Ok. Num HMD? Sem chance.).
  • Há muitas variáveis a serem consideradas na compra de um HMD VR. Se você não acende charuto com notas de R$ 100,00, teste muito antes de comprometer esta verba. Os 2 minutinhos de brincadeira em lojas não são referência, apenas com uso prolongado as desvantagens vão realmente se mostrar.
  • Para escrever este artigo foram utilizados propositadamente jogos cuja instância do jogador é sentada (pilotando uma nave espacial ou um carro). Ao contrário do que possa parecer, jogos de tiro em primeira pessoa não são uma boa referência, pois se o usuário precisa mover seu campo de visão com um mouse ou joystick a desconexão entre a visão e o equilíbrio causa o agravamento do enjoo. Isso foi observado em todos os HMD citados e testados anteriormente, menos no Pimax, mas não há razões pelas quais seria diferente.

Nota do Editor:

O produto nos foi gentilmente cedido pela loja Gearbest, que vende o Pimax 4K VR através deste link. Se você utilizar o cupom PIMAX11, a versão com o fone de ouvido sairá por US$ 286,99. Além disso, eles estão com uma enorme promoção onde diversos produtos estão com descontos imperdíveis.

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Autor: Gustavo Vasconcelos

"Remember, remember, the 5th of November."

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