A “pílula masculina” vem aí, mas não sem uma série de efeitos colaterais

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Cinquenta anos atrás a pílula anticoncepcional foi considerada um símbolo da liberdade feminina, não apenas por conta de evitar a gravidez como inibir o próprio ciclo menstrual. Claro que liberdade não vem sem um preço a pagar, qualquer injeção extra de hormônios no organismo causa uma bagunça no sistema, não são raras as mulheres que não se dão bem com um ou outro tipo ou simplesmente não podem usar.

Do meu ponto de vista tudo se resolve com camisinha (com o bônus de ela evitar DSTs), mas independente disso sempre houve a questão de permitir que o homem também tivesse acesso a um composto hormonal que reduzisse a contagem de espermatozóides o suficiente para torna-lo temporariamente estéril. Ou resumido, uma pílula masculina.

As pesquisas não são novas, mas só recentemente os resultados começaram a aparecer em níveis aceitáveis. O mais recente foi publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism e contou com uma equipe de diversos pesquisadores, liderados pelo dr. Mario Festin, responsável pelo Departamento de Pesquisa para Saúde Reprodutiva da Organização Mundial da Saúde. O artigo (paywall, mas você sabe como proceder) descreve que um acompanhamento de um ano de um grupo de 320 homens, que receberam injeções periódicas tiveram uma redução na contagem de gametas abaixo do necessário para serem considerados férteis.

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Sim, ao contrário do que todo mundo imagina a “pílula masculina“ não é um composto a ser ingerido e sim um coquetel de hormônios aplicado diretamente nas nádegas (o método sempre mais eficaz para administração de qualquer remédio injetável) É claro que um monte de gente babaca (ou medrosos mesmo) vai objetar ao fato de ter que levar uma injeção na bunda para se tornar infértil por um tempo, mas esse nem é o problema principal.

Como dito antes qualquer adição de hormônios é um convite a uma baderna no organismo de qualquer um, e como as mulheres usuárias da pílula já enfrentam uma série de efeitos colaterais isso não seria diferente com homens: 46% dos voluntários desenvolveram acne; 38% apresentaram um aumento da libido; 33% alegaram sentir dores no local da injeção (não relativo à picada) e 17% sofreram com desordens emocionais. Ainda que sejam side-effects que variam entre leve e severo, tudo isso era esperado.

Mais preocupante no entanto é o fato de que 5% dos voluntários não recuperaram a contagem normal de espermatozóides um ano após o fim do tratamento. Ainda assim 75% afirmaram que voltariam a utilizar a pílula masculina caso ela se torne disponível no mercado.

Claro que a pesquisa do composto precisa de diversos ajustes (principalmente para não acabar esterilizando homens permanentemente), mas alguns dos efeitos colaterais muito dificilmente serão apagados, como já ocorre com a pílula feminina. De qualquer forma, quando chegar ao mercado será uma opção a mais para casais que não desejam ter filhos (mas a camisinha é indispensável).

Fonte: Endocrine Society.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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