O dia em que a EA baniu um país inteiro

origin

Embora eu sempre veja as pessoas descendo o sarrafo no Origin, não posso dizer que que já tenha tido algum problema mais sério com o serviço da EA. Porém, no final de semana passado surgiu uma história no NeoGAF que serve para termos o ideia do quão vulneráveis estamos em relação a compra de jogos digitalmente e quando digo isso, me refiro as todas as lojas do tipo.

O alarmante caso aconteceu em Mianmar (ou Birmânia), quando moradores do local ao tentar jogar qualquer coisa que tivessem adquirido no Origin, recebiam uma mensagem dizendo que o acesso estava negado. Indignado com a situação, um sujeito tentou entrar em contato com o suporte da EA e o que lhe foi dito era que o serviço não estava mais disponível no país localizado ao sul da Ásia.

Mas o que teria levado a Electronic Arts a tomar uma medida tão extrema? Será que por lá a maioria gosta de trapacear durante partidas online e por isso a empresa perdeu a paciência e baniu logo todo mundo de uma vez? Pois a explicação infelizmente é um pouco mais complexa do que isso.

O problema é que a EA supostamente estaria apenas seguindo ordens do governo norte-americano, que devido a uma lei proibia que qualquer empresa mantivesse negócios em Mianmar. O curioso é que o presidente Barack Obama suspendeu essa sanção em setembro e de acordo com relatos no tópico, outras empresas dos Estados Unidos continuam operando normalmente por lá.

Ao ser procurada pelo site Polygon, a EA disse que tudo não passou de um mal-entendido e que no momento eles estão trabalhando para fazer com que tanto o Origin quanto seus jogos voltem a funcionar normalmente em Mianmar, tendo pedido desculpas pelos transtornos causados e blá blá blá…

Com o lançamento do Battlefield 1 e do Titanfall 2 tendo acontecido nos últimos dias, esse “banimento” não poderia ter vindo em pior hora. Porém, como eu disse no início do texto, o problema vai muito além disso, nos fazendo questionar até onde vai nosso verdadeiro direito de jogar aquilo pelo o que pagamos.

Serviços de distribuição digitais costumam ser muito elogiados pela facilidade que eles nos oferecem na hora de comprar algo, mas infelizmente precisamos ter a noção de que, de uma hora para outra toda a nossa biblioteca pode simplesmente “desaparecer” e se isso acontecer, para quem você irá reclamar?

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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  • Anderson Oliveira

    mas esse problema meio complexo, por exemplo o primeiro Titanfall que era um jogo essencialmente on-line, mesmo que compre o disco físico dele a EA poderia de uma hora pra outra cortar o acesso a servidores de determinada região.

    E hoje grande maioria dos jogos tem uma parte importante on-line (multiplayer, lojas, autenticações etc) que mesmo que tenhamos o jogo físico não é garantia que vai funcionar.

  • Se formos ver bem, ninguém está seguro de nada, as empresas podem bloquear qualquer coisa a qualquer momento. E não adianta ter a mídia física, com tudo online, uma atualização e ela não será validada pelo console.

    • rbsouto

      A Amazon pode “atualizar” seu Kindle e remover um livro que você comprou.

  • Por isso o mais legal e jogo sem DRM, que não precisa logar em um servidor para liberar acesso ao jogo. Mas como sabemos no mundo real as coisas não funcionam bem assim, aonde tem gente que pirateia jogo de 1 real de celular. Então o mais legal ainda é cartucho/blue ray de jogo que roda todo offline.

    • Diego Marco Trindade

      O GoG é uma benção para isso. Pena que depende mais da distribuidora que da plataforma de distribuição.

      • millennials

        Depois que descobri que o Gog é DRM free, prefiro comprar jogos por ele.

  • Pingback: O dia em que a EA baniu um país inteiro – Meio Bit – DEBULHADOR()

  • SacoCheio

    Eu tenho uma razoável coleção no Steam, pois confio na plataforma como um “backup permanente” de jogos que valem se jogar de novo. Mas ao ver uma matéria como esta acende o sinal amarelo.

    Vai que o tio sam levanta uma barreira comercial contra nós? Perco meus jogos!

    Pensando melhor, se o tio sam levantar uma barreira comercial contra nós, meus jogos serão a menor das preocupações… Bora aproveitar a black friday no Steam!!!

    • Eu entro com um processo e exijo todos os meus 300+ jogos em mídias físicas e sem custos. Eles são meus.

      PS: Acredto que na Steam não tenha nenhuma cláusula igual ao da Apple na iTunes onde é tudo deles, você só compra o direito de escutar.

      • SacoCheio

        Ainda não li o EULA do Steam, mas não acho que isso seja possível… Hoje em dia, os únicos jogos sem controle drm estão na locadora do paulo coelho.

        • Flávio Junior

          Recomendo dar uma pesquisada. Empresas como GoG e Humble Bundle vendem vários jogos sem DRM.

          • SacoCheio

            GOG… nem tem como implementar DRM naquela montanha de abandonware.

          • Flávio Junior

            Tem vários jogos novos no GoG (Witcher 3, Divinity II, Owlboy) recomendo dar uma conferida.

      • Boa sorte.

    • Rodrigo M

      “se o tio sam levantar uma barreira comercial contra nós”
      Se isto acontecer acredito que perder meus jogos serie o menor dos meus problemas.

      • SacoCheio

        Que bom que a gente pensa parecido!
        Você leu meu terceiro parágrafo, não leu? Ah, claro que leu.

  • Infelizmente, hoje em dia, com tudo online, nós não mais compramos os jogos. Nós apenas compramos uma licença de acesso ao jogo, que pode ser revogada a qualquer momento e não poderemos fazer nada. Afinal, nós ‘lemos e concordamos’ com os termos de uso do serviço.

    • Zé Carioca

      Essa questão da licensa sempre foi assim, lembro de jogos de 90 e poucos em que os termos mencionavam que o produto que estava sendo comprado era a licensa para uso e esta poderia ser revogada por qualquer razão; claro, naquela época isso não servia pra muita coisa, vai fazer o que, enviar o FBI até a minha casa pra quebrar o CD ao meio?

  • achsanos

    Mianmar é um paisinho bem complicado, pra dentro e pra fora; como é mais danoso pra si mesmo que pros outros pouco se fala. Devem ter soltado um breve “fecha a torneira” pra algumas empresas e a EA estava no bolo.

  • Origin simplesmente desapareceu com toda minha biblioteca de jogos…

    Como eram todos free, eu obrei e me locomovi. Desinstalei e nunca mais voltei pra aquela merda

  • Gesonel o Mestre dos Disfarces

    Devemos pensar que não estamos comprando o produto, mas sim seu direito de uso revogável.

  • Julio Verner

    ‘murica… EA… É muita liberdade para um Mundo só.

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