Tesla, o carro com US$ 20 mil em DLCs

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Um antigo comercial do Fusca se orgulhava de que o modelo do ano seguinte só trazia como novidades uma mudança no espelho lateral. O conceito vendido era que o carro era tão perfeito, tão tecnologicamente insuperável que não havia mais o que mudar.

Isso, claro, é um absurdo, como também é um absurdo trocarem a bosta do farol todo ano: assim não há produção de escala que consiga baixar o custo, e só quem lucra são as montadoras e lojas de autopeças. 

No meio-termo temos upgrades legítimos. Se o modelo 2015 vem com ABS e o seu 2014 não tem, é uma troca que só pela segurança já é justificada, e não dá para ser instalado como acessório. Só que isso é raro. Vivemos a era dos carros descartáveis, mas a Tesla está acabando com isso.

Aquele tesão de encher a boca e dizer “eu tenho um carro do ano” não seduz os donos de Teslas, as mudanças nos modelos não seguem um cronograma de lançamento típico da indústria, e você recebe updates via 3G ou Wi-Fi.

Updates, mas pode receber também… upgrades.

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A mudança de paradigma aqui é que normalmente você tem que trocar de carro ou ir pra oficina para fazer um upgrade no possante. No caso dos Teslas, é por software.

Um exemplo: em 2012 a Tesla vendia o modelo S mais baratinho com bateria de 40 kWh. Só que os pedidos eram poucos, eles perceberam que era mais vantajoso instalar baterias de 60 kWh e limitar a disponibilidade de energia pra 40 kWh via software, assim as mesmas baterias seriam usadas nos modelos de 60 kWh.

O suporte a Supercharger, o carregador rápido da Tesla foi introduzido (epa) como opcional para o Tesla S 60, custava US$ 2 mil, upgrade via software. Os modelos seguintes já traziam o recurso nativo.

A estratégia da Tesla é instalar o máximo de hardware que puder nos carros, e disponibilizar o acesso mediante upgrades pagos. Todos os veículos saem com os mesmos sensores e equipamentos, mas você só acessa os que pagou como parte do seu pacote.

O hardware para suporte ao Piloto Automático vem em todos os Teslas S desde o final de 2014, mas na compra ele seria ativado por US$ 3 mil.

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O Electrek fez as contas. Se você quiser economizar e comprar um Tesla S60 só no osso, sem nenhum opcional, ele sai por US$ 66 mil. Depois pode fazer os upgrades.

  • US$ 9.000 — upgrade para S75, adicionando 64 km à autonomia e velocidade máxima de 210 km/h pra 230 km/h;
  • US$ 6.000 — Enhanced Autopilot – sucessor do novo Autopilot, software que permite ao Tesla dirigir sozinho sob supervisão;
  • US$ 4.000 — ‘Full Self-Driving Capability’ — capacidade de direção 100% autônoma, usando os sensores e CPUs já existentes no carro.

Nessa brincadeira são US$ 19 mil. De um carro de US$ 66 mil. 19 mil em software.

20 anos atrás camponeses com tochas perseguiriam Elon Musk, já a geração atual consegue entender o conceito de adicionar recursos via software a algo que é basicamente um computador sobre rodas. O principal é que um Tesla SEM nenhum desses DLCs não é inútil, não é um daqueles RPGs da DC onde no modo gratuito você no máximo chega ao nível Aquaman.

O preço desses upgrades é uma boa demonstração do quanto do custo dos automóveis modernos está no software. Resta saber se a moda vai pegar ou a indústria tradicional vai tentar sustentar o modelo onde você é convencido a trocar de carro todo ano.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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