Facebook está desenvolvendo um Instant Articles para emissoras de TV

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O Facebook continua em sua empreitada para se transformar em um pato high-tech: uma plataforma que agrega uma infinidade de produtos e serviços da internet, não executa nenhum deles com maestria mas o faz de forma suficientemente satisfatória para atingir um simples objetivo: evitar que seus usuários saiam da rede social para consumir o que quer que seja.

Temos o Messenger e o WhatsApp que batem de frente com Telegram e Snapchat, os Instants Articles para conteúdo de sites de blogs, o serviço de vídeo próprio que concorre com o YouTube e os de streaming que miram no Twitch e Periscope, o Marketplace, que chega para comer uma fatia grande do bolo do eBay e o Workplace, a rede social corporativa criada para enfrentar Slack e LinkedIn. É muito?

Mark Zuckerberg não pensa assim. Ainda há uma fonte de conteúdo relevante o suficiente para por mais que YouTubers digam o contrário, é onde a grana está: a TV. Embora o montante reservado à propaganda na velha mídia (rádio inclusoseja absurdo se comparado com veículos de internet, com o passar dos anos a diferença deixou de ser titânica para gigantesca. Em resumo, está diminuindo.

Cada vez mais companhias percebem que o usuário de internet é um consumidor até mais seleto, é possível direcionar melhor os esforços e fazer dinheiro de uma forma mais certeira, ainda que numa escala menor do que o retorno de um comercial no horário nobre, durante o intervalo da novela provêm. A questão é que hoje, com a audiência da TV fugindo para o streaming, ignorar a internet não é uma alternativa inteligente.

É aí que Zuck entra. A estratégia do Facebook (que já anda negociando com emissoras) é fornecer uma plataforma nos mesmos moldes do Instant Articles para emissoras, que proverão seus conteúdos selecionados para um serviço de vídeos e que obviamente serão vinculados a propagandas e patrocinadores. Dessa forma as grandes redes evitam outros problemas, a pirataria e a concorrência do streaming.

Um usuário do Facebook que não é assinante da Netflix pode muito bem se interessar em assistir um programa de determinado canal de uma forma mais confortável do que recorrer à Locadora do Paulo Coelho, sem sair da rede social; ao mesmo tempo canais que não negociam com as principais plataformas de distribuição de conteúdo online, ou por falta de visão ou por preferirem investir em soluções próprias (como a Globo) podem se convencer de que juntar forças com o Facebook é mais uma vantagem do que um transtorno.

Em última análise Zuck está ensaiando um meio de transformar o Facebook em um serviço próprio de streaming, negociando diretamente com os provedores de conteúdo e dado o alcance de seu produto, integrar a coleta de dados da rede, cruzar informações e vender os programas pode ser algo muito atraente para as empresas.

Ed Couchman, diretor de parceiras do Facebook diz que produzir conteúdo é caro, negocia-lo nem tanto. Faz sentido: a questão é convencer as emissoras e estúdios de que a ideia do Facebook de prover um guarda-chuva comum é lucrativa, mais do que Netflix, Hulu e cia. limitada. Se por acaso Zuck achar que deve ter conteúdo original o farão, mas no momento a ideia seria prover um canal para que as emissoras possam inserir seus programas e depois, dependendo do retorno tomariam outros rumos.

Pode ser que não dê em nada, mas a proposta do Facebook é mais amistosa do que a estratégia do Google, que está jogando dinheiro a rodo em ads para o YouTube e divulga pesquisas informando que utilizar sua plataforma de vídeos para propaganda é em geral 80% mais eficiente do que apelar para a TV. As emissoras sentiram isso, e estão buscando alternativas para permanecem na briga.

E pode ser que Zuck ganhe muito com isso. Já o espectador, nem tanto.

Fonte: Digital Trends.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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