Os boatos da morte dos livros foram um tanto ao quanto exagerados

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Existe pouca previsão mais furada que a que envolve a morte de uma mídia. Não que não aconteça: quando o ganho tecnológico é muito grande, a tecnologia antiga morre sem dó. Ninguém em sã consciência usaria lampiões a gás nas ruas hoje, e nem hipsters preferem filmes em VHS.

Algumas vezes entretanto entramos no hype e prevemos a morte da mídia sem pensar muito, e quebramos a cara. Foi o que aconteceu com os e-books. Eu tinha plena certeza que o futuro seria repleto de Kindles Kobos e similares, que se barateariam cada vez mais. Aí vem a Realidade e solta um “ha-ha” na nossa cara, como aconteceu com um relatório da Associação Americana de Editoras.

A leitura como um todo está saindo de moda, as pessoas lêem cada vez menos. Entre 2015 e 2016 a receita das editoras caiu 2,7%. A venda de livros para adultos caiu 10,3% nos três primeiros meses de 2016. Livros infantis? Queda de 2,1% no mesmo período.

Livros de capa dura, queda de 8,5%. Agora a paulada: e-books tiveram uma queda de 21,8% nas vendas.

Essa queda é em parte explicada pelo aumento no preço dos e-books nos EUA, que ainda são bem caros considerando que os royalties pros autores não mudaram e os custos de impressão / estoque / entrega são zero.

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A própria venda decepcionante dos leitores de ebooks tem uma explicação mais prosaica: maníacos achamos ótimo andar com 300 ou 400 livros no leitor. Pessoas normais costumam ler um livro de cada vez. O que explica também a venda de brochuras, aqueles livros tipo pocket book, de capa mole, subiram 6,1%.

Agora o ponto mais interessante: quem teve um crescimento de 35,3% foram… audiobooks.

A geração conectada que não tem paciência para ler adora ouvir livros, e não tem problemas em pagar caro por isso. The Martian para Kindle na Amazon custa US$ 7, a versão em áudio custa US$ 14.

É fascinante ver o e-book ser destronado, ou ao menos ameaçado por um formato que existe desde a invenção do fonógrafo, em 1877.

Fonte: The New York Times.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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