Resenha: Westworld — talvez não o novo Westeros mas o novo Stargate

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O mais inacreditável, o que nenhum fã conseguiu ter suspensão de incredulidade o suficiente para engolir em Star Trek, era os caras terem um Holodeck, um ambiente de realidade virtual capaz de simular locais e pessoas com perfeição, e só usarem para visitar a Grécia e filosofar com Sócrates, caminhar na praia e jogar baseball.

Scott Adams diz que o Holodeck será a última invenção humana: seu corpo sem vida seria removido, morto de inanição cercado por Cindy Crawford e suas 12 irmãs gêmeas. Essa, crianças, é a realidade. A Sacanagem move o mundo e Michael Crichton sabia disso, quando escreveu e dirigiu Westworld, lançado em 1973.

No filme um parque de diversões para adultos permite que os visitantes passem um fim de semana conhecendo três mundos diferentes: Roma Antiga, Idade Média ou Velho Oeste. E o termo conhecendo é no sentido bíblico. Imagine um Jurassic Park onde você pode transar com os dinossauros. Westworld é uma mistura de Disneylândia com Casa da Luz Vermelha.

O diferencial é que os habitantes dos mundos são androides, então você não está realmente traindo sua esposa ao passar a tarde com meia-dúzia de virgens vestais. E tudo bem se envolver com duelos e matar um monte de caras maus, são robôs, programados para não ferir humanos. Isso até alguém tentar instalar Linux em um deles, e o bicho sair barbarizando geral. Westworld é um excelente filme, que se sustenta até hoje e vale ser visto.

Como a série.

Westworld começa de uma posição confortável: é baseada em um filme com uma premissa sólida e ampla o bastante para render muitas histórias, sem ser esticada. Permite discussões sobre ética, moralidade, teologia e um monte de temas cabeludos. Os personagens podem ser reutilizados sem maiores consequências, pois são androides. Uma equipe competente e tem-se um sucesso nas mãos.


HBO Brasil — Westworld | Trailer #2

Jonathan Nolan, Lisa Joy e JJ Abrams tá bom pra você? Esse é o time que produziu uma temporada de 10 episódios, a um custo de US$ 100 milhões, e um elenco que tem nomes de peso como Sir Anthony Hopkins, Ed Harris e a maaaaaravilhosa Evan Rachel Wood como Dolores, a roboa.

Δ-Sinopse

O parque apresentado aqui é só a versão do Faroeste, não há menção das outras terras, mas nada impede que apareçam no futuro. A história se passa em um futuro relativamente próximo, mas onde a maioria das doenças já foram curadas e as pessoas precisam de passatempos bem decadentes para se distrair.

Lavou, tá novo.

Lavou, tá novo.

Anthony Hopkins é o Dr Robert Ford, criador dos robôs originais, e que atualmente perambula pela mega-operação que controla o parque mas sem grande poder de decisão, se garante mais com o prestígio. Mesmo assim cuida das atualizações de software, e uma delas aparentemente deu problema.

Um dos robôs apresentou um estado catatônico, balbuciando incoerente. O Dr Lowe, programador-chefe descobre que o último update nos androides gerou outros efeitos inesperados, como movimentos sutis e naturais.

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A segurança dos Forasteiros, como são chamados os visitantes está sempre em primeiro lugar, e os protocolos impedem que os androides façam mal a qualquer coisa viva, é quase uma 1ª Lei da Robótica, mas generalizada. O contrário não acontece com humanos, e Ed Harris faz um misterioso Cavaleiro Negro que barbariza geral com a robozada mas tudo bem afinal toda noite eles são resetados e não se lembram de nada, correto?

O Visual

É uma série da HBO, então você vai ter muita gente pelada, jirombas à vontade. Os androides quando são armazenados ou inspecionados estão sempre pelados. Em alguns casos os ângulos preservam um pouco a modéstia dos atores principais, mas pros figurantes vale tudo, rolou até um Homem Vitruviano em 3D anatomicamente correto.

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Fora nudez, não houve nada de realmente interessante nessa área ao menos no primeiro episódio, o que é meio decepcionante depois da polêmica quando revelaram que os figurantes assinaram contrato se comprometendo a fazer cenas de contato genital com genital, situações sexuais gráficas, nudez total, usar uma peruca íntima, ter os genitais pintados, simular sexo hora com toque no órgão genital, formar uma mesa completamente nu e ficar de quatro, sem roupa enquanto é cavalgado por outro figurante também sem roupa.

Poxa, nunca me chamaram pra uma festa assim.

Em termos de cenário o visual é magnífico, usando e abusando das paisagens do Utah, que a gente viu em tantos outros faroestes. Nunca fica aquela sensação de cena de arquivo cortando para um estúdio apertado em Los Angeles, por mais que seja isso que aconteça.

O Elenco

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Com Ed Harris e Anthony Hopkins é bobagem perder tempo desfilando as qualidades, o negócio é a grande surpresa, Evan Rachel Wood. Ela é muito mais do que um rostinho bonito (bagarai). Ela faz muito bem o papel de Filha do Fazendeiro, mas brilha mesmo nas cenas em que é examinada e interrogada. Ela consegue mudar de sotaque para um tom neutro e sinistro, passa um quê de assustador E simpático em excesso, e os maneirismos…

Todos os androides têm maneirismos, alguns bem óbvios outros nem tanto. Ela tem um… um… sei lá o quê (se ao menos tivesse uma expressão em francês pra isso) que a coloca na borda do Vale da Estranheza. Ela é quase humana, bastante quase mas não 100%.

Os coadjuvantes estão excelentes também: destaque pro Pai da Dolores, pouca gente faz um androide com defeito tão bem. Outro que fez bonito foi Rodrigo Santoro, no papel do vilão do mundo do faroeste, no que é, ironicamente, sua interpretação mais natural e menos robotizada.

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A Parte Ruim

Sabe o que é ruim nesse primeiro episódio? Você quer que tudo se resolva, fica querendo que os mistérios sejam desvendados, e quando a ficha cai, que é uma série, bate a ansiedade. Qual é a do Cavaleiro Negro? Como assim a Dolores também está bugada? Os androides armazenados estão desligados mesmo? Eles sonham com ovelhas eletrônicas? Só semana que vem…

Conclusão

Há gente falando que essa série é o novo Game of Thrones, o que é uma bobagem. Westworld não é um épico, não tem a mesma grandiosidade, são séries diferentes com propostas diferentes. O que pode acontecer é Westworld virar um Stargate SG-1.

Fazer uma série boa de um filme ruim é difícil, mas Stargate conseguiu. Fazer uma série boa de um filme bom, expandindo a premissa, achando uma linguagem é bem mais fácil, e Westworld corre esse risco. O papel dos androides na sociedade ainda não foi detalhado, mas duvido que sejam usados exclusivamente para entretenimento, no bom e no mau sentido. Será que teremos uma revolta, estilo Matrix? Por enquanto eles não sabem que são androides, mas e mais adiante?

Westworld pode ser uma série da HBO cheia de pirocas ou pode ser uma história onde inteligências artificiais se tornam conscientes da própria existência: pode ser o nascimento de uma nova espécie, que será pacífica ou rancorosa, ninguém sabe. A principal característica das espécies sencientes é o livre arbítrio, coisa que nós sabemos (e o pessoal de Westworld vai descobrir) ser muito perigoso.

Onde Assistir

Na HBO, claro.

Cotação:

5/5 Pinóquios

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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