Resenha: Luke Cage — sim, ele usa a força

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Luke Cage surgiu em 1972, aproveitando a moda dos filmes de blaxploitation, como Shaft, mais tarde Foxy Brown, Blacula e tantos outros. Sem saber que estavam antecipando em décadas as ânsias dos floquinhos por representatividade, as produtoras encheram o mercado de filmes voltados para o público negro, contando histórias que ressoavam com esse público.

Só não contaram com a popularização do gênero, Tarantino que o diga. As platéias iam ver filmes com heróis negros, onde quase invariavelmente o vilão era um branco rico, e isso ajudou a aliviar a tensão racial no começo dos Anos 70. Luke Cage foi uma tentativa de trazer isso para os quadrinhos, com menos (mas ainda presente) tensão racial, e foco em dar aos leitores negros um personagem mais próximo de sua realidade.

Eles conseguiram, e na série, conseguiram de novo.

Eu gosto muito do Universo Marvel da Netflix, apesar de ela não me amar (VALEU NETFLIX, obrigado pelo acesso antecipado só que não). Mesmo assim tenho ressalvas. Eu acho meio claustrofóbico. No quadrinho funciona, já na série fica apertado, limitado. A tal Cozinha do Inferno se resume a meia-dúzia de ruas em New York:

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Jessica Jones por sua vez tem um vilão potencialmente perigosíssimo, que se contenta em estalkear uma magrela, enquanto os Vingadores, literalmente na esquina nem tomam conhecimento.

Luke Cage, embora se passe no Harlem, que também é um ovo, funciona. E muito bem.

Quem é Luke Cage?

Na versão da Netflix ele é um ex-policial, preso mas inocente, que é forçado a obedecer os desmandos de um guarda corrupto na prisão de Seagate. Espancado e à beira da morte, ele é usado como cobaia em um experimento para aprimorar um soro de supersoldado. O guarda corrupto sabota o experimento, mas como resultado Luke Cage sai com seus ferimentos curados, super-força e pele invulnerável.

Nos quadrinhos ele monta um serviço de Herói de Aluguel. Na série ele diz que “não estou pra alugar!” e tenta levar uma vida normal, trabalhando de lavador de pratos e varredor em uma barbearia.

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Ao mesmo tempo tempos uma política corrupta, parente e sócia de um gangster dono de uma casa de shows e que contrabandeia armas das empresas do Justin Hammer. Luke Cage se vê forçado a se meter e por um fim nas atividades criminosas, enquanto tenta esconder do mundo a existência de seus poderes.

Se te pareceu uma sinopse básica e comum e nada demais, é exatamente isso, um gibi, só que assim como as histórias de Alex Ross, a arte está na forma, e Luke Cage tem forma de sobra.

A Música

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Faith Evans, Raphael Saadiq, Charles Bradley, The Delfonics, Method Man, Sharon Jones & The Dap-Kings ou se apresentam no Harlem’s Paradise (a boate do vilão) ou são usados na trilha. Só pela música Luke Cage já vale, Soul de altíssimo nível. Até mesmo hip-hop, que eu detesto ficou bem, a cena com trilha do Wu-Tang Clan é show.

Os Personagens

Luke Cage fez o que toda série baseada em histórias de gente que combate o crime na porrada vestindo a cueca por cima da calça faz: baixa a bola dos personagens para versões mais realistas, seguindo a linha de Bryan Singer: spandex amarelo e excesso de correntes têm hora e lugar: na sua masmorra sexual gay.

Assim temos o vilão, Cornell “Cottonmouth” Stokes, interpretado por Mahershala Ali, que você conhece mais como o palmiteiro traíra de House of Cards, Remy Danton:

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Luke Cage é Mike Colter, que já fez o personagem em Jessica Jones. Ele consegue passar o conflito interior do personagem sem grandes cenas melodramáticas, não gosta de armas, não fala palavrão e é absolutamente completamente totalmente desaconselhado chamar Luke Cage de “Nigger”. Nem na camaradagem.

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Simone Missick é Misty Knight, detetive de polícia que investiga as gangues de mafiosos e começa a se interessar por Luke Cage, depois de conhecê-lo (biblicamente). Misty é uma senhora detetive, tem uma capacidade quase sobrehumana de visualizar cenas de crimes e arrasa no basquete.

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A Ação

Ao menos nos primeiros 5 episódios há mais ação do que em toda a 1ª temporada de Demolidor. Não há uma grande cena por episódio apenas, há muita coisa pontual acontecendo, tanto com Luke quanto com o resto do elenco. Algo bom aqui é que ao contrário de Jessica Jones temos a percepção que o cara é forte bagarai, em JJ na maioria das vezes ela parecia uma mulher 15% mais forte que a média.


Marvel’s Luke Cage | SDCC Teaser [HD] | Netflix

O Grande Esquema Das Coisas

Como todos os heróis urbanos da Marvel, a relação com os filmes é tênue e com as séries off-Netflix é inexistente. Para o fã que quer um Universo integrado, isso é chato, é frustrante, esperemos que no próximo Vingadores esses personagens façam uma ponta, senão o máximo que teremos é Os Defensores, que pelos padrões Marvel/Netflix mostrará uma terrível ameaça que colocará em risco três bairros de NY.

Se você for ver Luke Cage, na verdade qualquer série da Netflix esperando espetáculo grandioso ação ininterrupta e piadinhas, vai se frustrar. Não é um filme pipoca, não é uma série pipoca. Tem ritmo de filme para gente grande e história de filme de gente grande. Se você tirar os superpoderes Jessica Jones vira um thriller psicológico, ou um episódio de Lei e Ordem SVU. Sem superpoderes Luke Cage se torna um excelente filme policial.

Referências e Citações

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Tem, tem um monte, toda hora alguém faz uma menção ao Universo Marvel, e o Luke chega a usar o uniforme clássico, com tiara e tudo. A invasão de Vingadores é mencionada, e camelôs vendem DVDs com as cenas filmadas por celulares, como se fossem filmes da Marvel. O saco de pancadas do Demolidor, Tucão, aparece e como é de se esperar do Jar-Jar da Marvel, faz merda.

Como sempre as referências são ótimas para os fãs mas não atrapalham a história, Luke Cage funciona perfeitamente isolado, você precisa de zero conhecimento prévio.

Conclusão

James Gunn, diretor de Guardiões da Galáxia costuma dizer que “filme de super-herói” não é um gênero (assim como maionese, sorry Tumblr). É verdade. O Universo de super-heróis é apenas uma ambientação, ele começa a ficar bom mesmo quando se coloca como cenário, e as verdadeiras histórias são contadas. Luke Cage é uma ótima história, por mais que seja comum, mas convenhamos: Romeu e Julieta não foram o primeiro nem o último casal de emos apaixonados a fazer caca.

Luke Cage é a chance de fugir um pouco dos policiais comuns, e vislumbrar uma comunidade que normalmente só temos acesso por noticiários de tv e filmes maniqueístas do Spike Lee. É para todos os gostos? Claro que não, nada é. Há quem ache a história arrastada, mas para mim isso é efeito colateral se sentar a bunda feito um maníaco e assistir uma série de 13 episódios como se fosse um filme de 13 horas.

Cotação:

4/5 Luke Cage socando o Namor porque ele pode!

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Onde Assistir?

Na Netflix, uai.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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  • HomeroGamer-BanidodoMB

    AFFFF “arrasa no basquete” logo depois de ler que conheceu “biblicamente”… nem preciso dizer o que minha mente leu.

    • SacoCheio

      +1

      • rjesus993

        +1

    • Eu revisei essa parte umas 3 vezes justamente pra não sair o que você pensou que leu.

      • Genival Júnior

        Intencional

    • Rijanio

      kkkkkkk, só faltou o Cardoso dizer na expressão que ela também gosta de tacos! (A série é muito boa, que venha Punho de Ferro)

      • Diego Marco Trindade

        Ia comentar do Punho de Ferro mesmo. Qual bairro ele vai defender? Uper East Side? Ou vai ser de New Jersey (sei que não é NY, mas é perto)?

        • Nada de Jersey, eles não têm esse alcance global, não são os Vingadores.

          • Diego Marco Trindade

            é por isso que o Dr Estranho tem um escritório em Manhattan: é um vórtice de forças místicas e ruins. Como tem desgraça nessa cidade. Acho que jamais irei pra lá, vai que aparece um monstro gigantesco, ou uma invasão alienígena, ou me vejo no meio de uma troca de tiros entre gangues pelo central park, ou tem um apocalipse zumbi, ou tem um ataque terrorista nuclear.

          • Cocainum

            Evite também viajar para Tóquio.

          • Pedron

            e também alameda dos anjos huahauhau

          • Ramon de Assis

            Mitou! Kkkkk

          • Ou pior, um ataque terrorista nuclear causado por zumbis alienígenas.

    • Jorge Dondeo

      kkkkkkkkkkkkkk

    • Tiago Tkb

      +1

  • Ivan

    Achei as cenas de lutas meio fraca, serie enrola d+, mas até que é legal.

    Se a serie é boa da pra maratonar tranquilamente.

    • ffcalan

      E sem nenhuma cena em plano sequencia, senti falta.
      Da para maratonar sim, a história é boa, mas é lenta.
      E o plot twist, PQP!

      • Ivan

        Eu vi 7 eps no fim de semana não aguentei mais ver muito parado, muito repetitivo sempre aquela mesma historia, ah o boca de algodão isso, aquilo a vereadora, pqp o cara sai matando geral, trafica drogas e armas e ninguem faz nada, cenas de luta horriveis na maioria dos casos.

        Ele é todo sou foda e não faço nada por que sou foda.

      • Diego Marco Trindade

        A invasão ao Fort Knox podia ter sido como a do plano sequencia do corredor do Demolidor, mas falhou miseravelmente. Foi legal, mas poderia ter sido melhor.

  • Diego de Paula

    Cage é mais forte que o capitão américa!!

    • Não achei tanto assim, tirando a cena do carro que ele para com o corpo, o resto tá de boa, mas o CAp é bem mais ágil e….não cansa!

      • Jose Antonio

        Luke Cage nao cansa tambem..pelo menos foi o que li..hehe

    • Rafael

      Ambos usam o soro do supersoldado, não esqueça disso.

  • A Reva é uma filha da puta, mas que mulher linda!

    colcoar uma mulher daquela numa terapia de grupo de prisioneiros, é certeza fazer alguém se apaixonar por ela!

  • Magnosama

    “Algo bom aqui é que ao contrário de Jessica Jones temos a percepção que o cara é forte bagarai, em JJ na maioria das vezes ela parecia uma mulher 15% mais forte que a média.”

    Uffa, ainda bem
    esse foi um grande problema em JJ.

  • Anderson Freitas

    To beirando ep 8 e ok, historia arrastada mesmo, mas o que me deixa puto é a “ingenuidade” e inércia dele.

    Chega a dar raiva.

    Já a trilha sonora: divina!

  • Demolidor teve duas grandes temporadas, já Jessica Jones só terminei por pura teimosia, espero que o Luke Cage seja realmente melhor.

  • KaosNihil

    Boa mas muito arrastada e as cenas de luta são fraquinhas.

  • Caipiroto, o Capeta Caipira 😈

    Jessica Jones por sua vez tem um vilão potencialmente
    perigosíssimo, que se contenta em estalkear uma magrela, enquanto os
    Vingadores, literalmente na esquina nem tomam conhecimento.

    Não vejo problema em stalkear uma magrela, eu mesmo gosto muito. De magrelas, não de stalkear.

    • Diego Marco Trindade

      Eu gosto de stalkear, não só magrelas.

      • Islan Oliveira

        Ultimamente só o que posso fazer é stalkear… Sad but true

  • Cocainum

    Algo bom aqui é que ao contrário de Jessica Jones temos a percepção que o cara é forte bagarai, em JJ na maioria das vezes ela parecia uma mulher 15% mais forte que a média.

    A não ser quando um cadeado trancado cruzava o seu caminho…

  • Cocainum

    Felizmente temos a tag de spoilers, pois precisava comentar essa parte.
    O que era aquele “traje” usado pelo Cascavel na luta final com o Luke? A armadura do Homem de Ferro deixa ele mais forte e resistente por ter motores e ser feita de uma liga especial. Temos outros exemplos, como a Nanosuit do Crysis, onde você identifica os “músculos” artificiais no traje. Até na vida real, temos exoesqueletos que aumentam mesmo a força do usuário através de motores ou dispositivos hidráulicos.

    O traje do Cascavel era feito de tecido!!! Parecia um macacão de funcionário de manutenção. Isso foi muito, muito tosco.

    • Genival Júnior

      Série começou bem, porém da metade pro final cagou td

  • Ed. Blake

    “What a lovely time for being a comic books fan!” – Eu.

  • Cada vez mais a Netflix se mostra superior aos seus concorrentes. Lançar conteúdo exclusivo sem dúvida foi o que fez a diferença. E não vamos esquecer que ano que vem terá com exclusividade Star Trek.

  • Wagner Felix

    Sobre a limitação geográfica, Neil Caffrey, “oficialmente” tinha só um raio de 3 km de NY. :v

  • Lucas Macedo

    Não gostei. Achei tudo muito parado, a trama em si é bem enrolada e não empolga, diálogos bem sonolentos… Enfim, acho que tinha tudo pra decolar mas não foi. Desisti no terceiro episódio.

  • Jorge Dondeo

    A trilha sonora é um esculacho! Uma das melhores, eu as vezes coloca para passar a série só para curtir as músicas.

  • arnoanderson

    As lutas são fracas e repetitivas. O diretor poderia ter abraçado o desafio de fazer um cara com pele indestrutível penar um pouco contra os capangas.
    O roteiro ficou confuso. Não sei se foi impressão minha, mas não há uma definição do que Luke Cage será: um herói do bairro ou uma figura que será conhecida mundialmente (tem uma cena que traz a possibilidade de isso acontecer), Fora outras coisas que não dá pra comentar sem soltar spoilers…

    Mas as partes boas compensam esses problemas:

    O que é essa trilha sonora hein? Além de ser fantástica, se conecta com os ambientes, com a situação. É muito bom ver isso tão valorizado numa série de herói.
    Outro ponto são as referências afro-americanas. Algumas são até bem conhecidas (Malcolm X, Notorious B.I.G) e outras nem tanto, como as mencionadas na barbearia. Fui atrás de algumas e são bem interessantes.

    No geral é uma série divertida. Acho que precisava de algo assim depois de Jessica Jones e a segunda temporada de Demolidor.

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  • Você quis dizer “Shaft com poderes”
    – Google sobre Luke Cage

  • Marcoscs

    pra mim a série tem um problema: o Cage é overpower. Ele tem super força, invulnerabilidade, e luta contra criminosos comuns, capangas de meia tigela. Isso desequilibra as coisas, as lutas (pelo menos as que eu vi) dão bem a dimensão disso: Cage lutando com cara de tédio, como se tivesse fazendo as unhas.
    É muito diferente de Demolidor, por exemplo, que aprendeu na marra, apanhando, levantando, apanhando de novo, e tome de costelas quebradas e edemas pelo corpo.
    Já Luke Cage poderia arrebentar o Cotton Mouth e sua quadrilha em 5 minutos, agora fazer com que esses 5 minutos se transformem em 13 episódios vai sim deixar tudo muito arrastado, o complicado é não deixar esse ritmo lento deixar a série tediosa.

  • Ramon de Assis

    Ele disse “uai” ao final do post! Uau, uai!

  • Assis Oliveira

    A música é excelente e podemos ouvir a playlist no Spotify

  • Muito boa, no mesmo nível de Demolidor e Jessica Jones. Se bem que, dos três, eu ainda prefiro o da Jéssica.
    Gostei particularmente do relacionamento entre os dois irmãos mafiosos e, claro, da apresentação do Harlem para o público mundial. Não tem muito a ver com o lugar que eu visitei em 2011, mas deu até vontade de retornar para explorar melhor o lugar. Dizem que está, realmente, renascendo.

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