E Pokémon GO foi parar no Tribunal de Haia

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E parece que a Niantic arrumou outra dor de cabeça por causa de Pokémon GO, mas desta vez com razão: como o estúdio responsável pelo game não atendeu as soliticações da cidade holandesa de Haia, esta entrou com um processo para força-la a se adequar para proteger tanto áreas preservadas quanto o sono de seus cidadãos.

Eis a treta: a cidade da Holanda (ou Países Baixos, ou sei lá o quê; é uma confusão) vem lidando com uma turba de treinadores Pokémon, que ávidos pelos monstrinhos estão acessando áreas de preservação que transeuntes normais não podem frequentar em massa, como a praia de Kijkduin. Segundo autoridades locais centenas de jogadores passam por lá todos os dias, visto que a praia costuma ser um local para respawn de criaturas mais raras e cobiçadas pelos jogadores.

Alheia à preocupação de Haia com a região, já que os jogadores estão deixando muito lixo para trás e há o risco de danos às dunas e outras áreas restritas, moradores de um balneário próximo à praia estão reclamando não só dos detritos como também do barulho que os treinadores fazem, principalmente madrugada adentro. Em suma, o fluxo de gente é constante e os residentes não estão conseguindo dormir.

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Como a Niantic Labs não atendeu nenhuma das solicitações das autoridades de Haia para remover a praia e outras áreas de preservação, não restou outra alternativa (segundo a nota oficial) a não ser invocar o processinho. As reinvindicações são bem simples e diretas: querem que o estúdio não só remova as áreas protegidas do banco de dados, como também implemente restrições para o aparecimento dos pokémons, mais especificamente entre 23:00 e 07:00. Desta forma, os jogadores seriam desestimulados a sair de casa para caçar à noite e desta forma, não incomodariam quem está tentando dormir.

Veja bem: considerando que a Niantic está de fato removendo pontos controversos, desde o Memorial de Hiroshima ao Museu o Holocausto e passando de forma inacreditável por Auschwitz (sério, quem foi o sem noção que acho isso uma boa ideia?), não é difícil acreditar que a primeira parte será atendida; é provável que o estúdio só não deu atenção às reclamações por não considerar algo importante e esta focado em deletar Pokéstops introduzidos por falta de tato, mas se há leis de preservação restringindo certos locais em determinados países, elas devem ser respeitadas.

Já a restrição de horário é controversa. Se implantada ela deve se aplicar somente a Haia, mas não duvido que a repercussão leve a autoridades de outras cidades e/ou países a fazerem exigências similares, o que pode prejudicar os jogadores. Eu acredito que a Niantic se posicionará contra nesse aspecto, mas conhecendo os seres burocráticos eu espero qualquer coisa.

Fonte: The Guardian.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Macedo

    não faz sentido, deve se punir a pessoa que frequentar e causar dano ao local, a Niantic não tem nada a ver com a atitude dos jogadores…….
    é só parar para pensar um pouco, seria o mesmo que pedir para operadora de celular desligar o sinal em uma área ou um horário porque falam alto demais no telefone a noite, ou pedir para companhia de luz desligar a energia no horário que é pra todo mundo ir dormir….

    e ainda tem o óbvio, a Niantic foi apenas a primeira a colocar no ar um jogo popular de geolocalização, virão outros, muitos outros……

    • Acredite, você está até correto em sua linha de pensamento… Mas nesse caso é mais fácil a Niantic mexer nos dados do jogo que eles conseguirem realmente punir todo mundo, ainda mais com o estrago sendo causado… antes evitar que remediar o estrago….

      • Macedo

        que é mais fácil eu sei, mas é tampar o sol com a peneira… vamos dar tempo ao tempo hehe

    • Carlos Vega

      Só que processar cada jogador (ou multar, ou até fazer uma campanha educativa) dá “muito trabalho”. Então optam pelo caminho mais fácil de processar a empresa, por mais sem noção que isso seja.

    • Cada vez que eu vejo uma coisa dessas, me vem a cabeça aquela velha anedota do cara que catou a mulher como o ricardão “trabalhando” em cima do sofá, o que o propenso corno fez? Vendeu o sofá.

  • Diego Marco Trindade
  • Mateus Azevedo

    “mas se há leis de preservação restringindo certos locais em determinados países, elas devem ser respeitadas”… Pelas pessoas daquele local, não por uma empresa de software.
    Não há como uma empresa saber de todas as leis e limitações de cada canto desse mundo. Cabe às pessoas serem sensatas e não cometerem crimes por causa de um jogo/app. Isso é mania de achar um bode expiatório pra tudo que as pessoas fazem.

    • “Cabe às pessoas serem sensatas e…”

      Ah o “Cerumano”, criatura amigável, sensata e honesta…

      Portanto repito, mais fácil obrigarem a empresa a retirar os locais que esperar das pessoas uma atitude sensata… xD

    • Rodrigo

      Se uma empresa lança um produto em determinada localidade, ela deve estar ciente da legislação daquele local. Simples assim.

      • Junior Capitanio

        o problema aqui é que a localidade é o mundo, mas na boa, isso seria facilmente resolvivel, a cidade entra em contato com a empresa e solicita que determinadas areas não devem ser usadas e esta deixa as areas em branco, não ha como a emrpesa saber exatamente onde seria proibido, mas a niantic deveria ter atendido o pedido, não atendeu, toma processinho.

        • Rodrigo

          Não é. Fosse assim, Netflix poderia lançar qualquer filme sem observar os licenciadores locais, já que sua área de atuação é o mundo.

          Edit: No mais, entrar com o processo é uma forma de ajudar o judiciário a resolver o caso concreto, previsto em lei. Ele dirá se cabe ou não cabe a reclamação. Em qualquer caso.

          • Junior Capitanio

            a comparação com o netflix não cabe pois a questão aqui é uma cidade especifica, o netflix tem que atender a legislação do pais, assim como provavelmente a niantic fez, mas é impossivel atender todas as legislações municipais pela quantidade de cidades que existem. Por isso eu digo que caberia as cidades estabelecer as zonas de exclusão, de outro modo não seria possivel a qualquer empresa se adequar.

          • Rodrigo

            Por isso eu digo que caberia as cidades estabelecer as zonas de exclusão, de outro modo não seria possivel a qualquer empresa se adequar.

            E é isso que Haia está fazendo com o pedido na justiça, avisar à Niantic onde pode e onde não pode, já que ela ignorou os pedidos anteriores da cidade.

            Edit: Do texto:

            Como a Niantic Labs não atendeu nenhuma das solicitações das autoridades de Haia para remover a praia e outras áreas de preservação, não restou outra alternativa (segundo a nota oficial) a não ser invocar o processinho.

      • Mateus Azevedo

        Isso é verdade quando o produto em si pode esbarrar na lei. Exemplo é o Uber, que pela legislação de muitos países é ilegal, mas lançaram mesmo assim. Cabe à empresa se adaptar ou o país mudar.
        Pokemon Go é apenas um jogo, que por si só não é ilegal. As ações dos seus jogadores é que são ilegais.

        • Rodrigo

          Discordo. O conteúdo do jogo também pode ser analisado. E é de responsabilidade da produtora. Se o conteúdo for ilegal, o jogo não cabe – um jogo que promova a pedofilia, por exemplo. Mas isso deve ser analisado caso a caso, que é o que a cidade fez ao entrar no juizado, o tribunal vai analisar a situação e sair com o resultado.

          Edit: Ou seja, quem vai definir se o produto em si esbarra na lei ou não é o judiciário, que é o que vai ocorrer. O Uber só é ilegal se a justiça decidir que é ilegal. Não é ilegal por si só.

    • HomeroGamer-BanidodoMB

      “Como a Niantic Labs não atendeu nenhuma das solicitações das autoridades de Haia para remover a praia e outras áreas de preservação, não restou outra alternativa (segundo a nota oficial) a não ser invocar o processinho.”
      Acho que isso explica muito bem a situação. Portanto SIM a Niantic sabia das leis e limitações e mesmo assim seguiu a lei da vaca.

  • Renan Fretta

    Eu acredito que as empresas que produzem caros não podem mais
    fabricar carros que ultrapassem a velocidade máxima, pois se o cara se
    matar a culpa é do carro que corre de mais.

    As fábricas de arma também, que fabricam armas que matam pessoas e animais de preservação.

    Ou seja, se eximir da responsabilidade de proteger a área de preservação ou educar os seus moradores é muito fácil.

    Parece aquela velha historinha de arranjar alguém para colocar a culpa.

    • Mirai Densetsu

      A diferença é que armas de fogo são feitas especificamente para matar alguém.

  • Felipe Braz

    “visto que a praia costuma ser um local para respawn de criaturas mais raras e cobiçadas pelos jogadores”
    Juro que quando comecei a ler pensei que ia estar escrito que o respawn eram das especies que o local preserva UHAuhAu

  • Rolando

    “danos às dunas”???? Vai entender esses burocratas. Dunas se modificam o tempo todo e são moveis, com o tempo o vento as deslocam.

    • Sim… mas este é o processo natural, não é causado pelo cerumano macaqueando e pulando em cima dela, vale lembrar que dependendo da duna há espécies de animais que tem as dunas como habitat, além também do lixo deixado, que também está na escrito na matéria.

      Se é zona de preservação, ela deve ser preservada, independente de ser um ecossistema com dunas móveis, semiárido ou qualquer outra

  • Indisposed

    Acho que fica implícito o fato de não poder entrar em áreas protegidas. ‘-‘

  • Caio Fraga da Luz

    Nível UOL de sensacionalismo na manchete.

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