AUBRASIL 2016 — considerações iniciais e OMFG USEI O HOLOLENS

dscn2038

Esta semana estivemos no Autodesk University Brasil 2016 (adoro esse plural editorial), e neste momento estou afogado em 26,4 GB de fotos e vídeos, então já sabem, teremos posts sobre o evento por um bom tempo. Agora um rápido resumo do que vem por aí.

Estúdio Bolha

Fomos conhecer esse case de sucesso e é uma das raras empresas que não são do Elon Musk mas me deixaram com vontade de mandar currículo. Imagine toda aquela filosofia maker de hobbystas fuçadores e inventores, dotados de dinheiro, ferramentas de ponta como Fusion 360, e clientes dispostos a pagar por invenções como um autorama gigante controlado por ondas cerebrais ou uma pulseira-Tinder que brilhe quando você chega perto de alguém interessado nos mesmos parangolés.

Design Generativo

Imagine Darwin aplicado à manufatura. É como Star Trek, você diz ao computador o que quer que ele construa, não como. Milhares de variações são testadas, e tal qual evolução biológica modelos mais eficientes são mantidos, os menos são descartados. Só que ao contrário da biologia aqui há objetivos definidos. Você quer a peça mais leve, mais resistente, mais flexível? Escolha os parâmetros, o software cuida do resto.

darwin

Internet Das Coisas (úteis)

Bati um bom papo com Diego Tamburini, Manufacturing Industry Strategist da Autodesk. Conversamos sobre o presente e o futuro da Internet das Coisas, e como a sua geladeira ter internet é irrelevante, comparado com uma bomba em uma fábrica perceber que vai dar defeito e avisar o fabricante solicitando manutenção preventiva.

Brasileiros Biônicos

A Universidade Federal de Uberlândia tem um Laboratório de Engenharia Biomédica. Eles estão pesquisando o desenvolvimento de próteses simples com alta tecnologia, e é o primeiro projeto financiado no Brasil pela Fundação Autodesk, dos EUA. Junto com o Grupo de Realidade Virtual e Aumentada eles estão indo muito além do modelo “baixa modelo de prótese da internet e imprime”. Estão pesquisando métodos de customização, produção em 3D, adaptação de pacientes e uso de redes neurais e deep learning para comando de próteses pelo cérebro.

dedinhos

Alcimar Soares, PhD. e Edgard Lamounier, Ph.D demonstram uma prótese básica. Dizem as más línguas que o dedo é removível para a eventualidade de algum ex-presidente sofrer um acidente e perder o braço…

Também há um projeto onde Realidade Aumentada é usada pra treinar os pacientes, meses antes da prótese ficar pronta. O sujeito recebe e sai usando, ao invés dos vários meses de adaptação. Para isso estão testando várias tecnologias, inclusive o Microsoft HoloLens, um dos poucos que existem no Brasil.

Eu experimentei, e crianças: é revolucionário. O aplicativo era muito, muito simples, provavelmente algum estudante de graduação virou noites preparando o demo. Ele mapeava o ambiente em tempo real, gerando um wireframe, e colocava uma prótese flutuando, que você podia arrastar pelo espaço 3D com seus dedos ou mandar girar, por voz.

A percepção espacial é algo totalmente novo, seu cérebro rateia até entender que as coisas estão ali à sua volta, mas somente vistas pelo HoloLens. Ainda vou falar mais sobre isso mas OMFG. E detalhe, não houve apoio da Microsoft, o que é um vacilo. Nosso indiano favorito adora esse tipo de projeto.

Tudo bem, não tem indiano tem o Carl Bass, CEO da Autodesk e outro que adora projetos fora da caixa (registradora) como o da Federal de Uberlândia.

Aguardem então mais detalhes sobre esse e outros projetos, mas como é tudo relacionado ao futuro, deixemos pra amanhã…

Relacionados: , , , , , , , , ,

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

Compartilhar
  • ²He

    Habemus Post do Cardoso o/

    • E o puto ainda nos deixou na mão querendo mais, “pra amanhã”…

      • Depois de colocar toda essa pilha, espero que ele tenha passado a madrugada escrevendo!

  • Na verdade Design Generativo não tem nada de automatizado. A gente que trabalha com arquitetura e alguns designers já trabalha a muitos anos com isso. O Design generativo é basicamente uma série de parâmetros e comandos que passamos pro computador gerar, mas não é um passe de mágica e o computador não “pensa” criativamente.

    Um exemplo simples pra você entender como funciona: você pode selecionar um ponto (x,y,z) e dizer pro programa o que fazer a partir dele (no caso da Autodesk, Dynamo, que é até de código aberto, baseado no veterano Grasshopper, também de código aberto, mas no caso, a Autodesk já deu seu jeito de cobrar pelo deles, criando o Dynamo Studio, que não é plugin, e sim stand alone, o que não faz muito sentido já que vc vai precisar de outro programa da AD pra continuar com o design, mas enfim), por exemplo, criar um arco. Daí você vai dar o input do diâmetro desse arco, e então vai resolver o que mais fazer quanto a isso, como por exemplo extrudar ele em x metros, e assim por diante.

    A grande sacada do DG é você ver em tempo real a evolução do design e ele ser totalmente paramétrico, podendo por exemplo, depois de 700 interações, você resolver que quer mudar o raio inicial.
    Existem tbm plugins no caso do GH, ou pacotes no Dynamo, que fazem sim algumas coisas automatizadas, como sei lá, simular insolação, ou simular crescimento de alguma vegetação, mas não existe nada que vá substituir a criatividade do designer. Ainda é um trabalho MUITO manual, e MUITO complicado tbm, porque agrega muita coisa junta, algorítimos, trigonometria, etc.

    • la_gomes

      Pelo menos não foi usado o termo Algoritmo Genéticos

      • Ivan

        Conhecia por esse nome.

        • la_gomes

          Algoritmo genético é uma técnica heurística bioinspirada

          • Jaffy

            Redes neurais?

          • Mirai Densetsu

            Não. São coisas diferentes.

            Redes Neurais é inspirado no funcionamento do cérebro e na comunicação entre neurônios.

            O algoritmo genético é inspirado na evolução genética através de heranças, mutações, etc.

    • É, você tem toda razão. Vou avisar a Airbus que eles estão fazendo errado. Obrigado pelo input.

      • Tá bom more, eu que sou estudioso da área e trabalho com isso sei menos que você.

  • Jônatas

    “Hobbystas” – este termo me fez recordar das revistas de eletrônica dos anos 90. Puro saudosismo.

    • Salles Magalhaes

      O nome Newton C. Braga lhe lembra algo?

      • Rafael Rodrigues

        Com ele, a oração e a paz.

  • OverlordBR

    Eles estão pesquisando o desenvolvimento de próteses simples com alta tecnologia, e é o primeiro projeto financiado no Brasil pela Fundação Autodesk, dos EUA.

    SCIENCE, BITCH!

    Malditas empresas capitalistas burguesas opressoras que investem el algo tão opressor assim!

    Ótimo texto, Cardoso! Show de bola ciência!

    Ele mapeava o ambiente em tempo real, gerando um wireframe, e colocava uma prótese flutuando, que você podia arrastar pelo espaço 3D com seus dedos ou mandar girar, por voz.

    Cardoso, pode dar mais detalhes (se é que não vai ficar para outra matéria)?
    É o demo uma integração de uma ferramenta da Autodesk com input/output no HoloLens?

    Esquece… fiquei empolgado e só li a parte final do texto DEPOIS de fazer o comentário. 🙂

  • Wagner Felix

    Carl Bass é um sujeito cheio de groove /piada de baixista LOL

    ontopic: Ententi direito que estao usando o hololens pra treinar os usuários de próteses que ainda não estão prontas?
    Desenvolvendo mais essa idéia, isso serve pra todo tipo de treinamento com coisas “extracorpóreas”, tipo exoesqueletos e maquinário pesado.

  • “Nosso indiano favorito adora esse tipo de projeto”

    Seu indiano favorito. O meu vai ser sempre o Dhalsin.

    • Diego Marco Trindade

      O meu é o Koothrappali.

  • rbsouto

    Ao ver a foto do design generativo, lembrei de Gaudi. Ele estudava e aplicava as formas naturais pois elas já entregavam leveza, força e economia.
    Tipo a Casa Batlló, que imitava os oceanos.

    https://uploads.disquscdn.com/images/8fca11575aab927e88f57cb4a68f09fd8735e0542e859b728338909724e5e30c.jpg

  • rbsouto

    Vamos ver se entendi.

    Os projetistas colocam parâmetros físicos pra, sei lá, uma asa de avião.

    Aí eles “evoluem” as gerações, descartando as formas menos adaptadas à nossa atmosfera. O resultado seria testado em um túnel de vento contra o que temos hoje.

    É isso?

  • sevenbr100

    Cardoso leva mal não mas vc ta com a cara da Gretchem nesta foto ai de boa

  • Geraldo Junior

    Trabalho na UFU e conheço um aluno do doutorado que trabalhou no Framework de RVeA.
    Quando conheci o trabalho que ele estava desenvolvendo fiquei impressionado com a ideia. Foi uma das coisas que me motivou a encarar o mestrado na minha area.
    Como funcionário publico e iniciante no mestrado, é empolgante quando você vê os resultados de anos de trabalho de um pesquisador chegando até a população.

  • HiagoHenrique

    “fuçadores” – me senti valorizado uHAUIEHe

  • Pingback: Como foi o #AUBRASIL2016 - Por Dentro da Autodesk Brasil()

Aproveite nossos cupons de desconto:

Cupom de desconto Locaweb, Cupom de desconto HP, Cupom de desconto Descomplica, Cupom de desconto Nuuvem, Cupom de desconto CVC, Cupom de desconto Asus, Cupom de desconto World Tennis