Delta Airlines não quer lésbicas no Mile High Club

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Se você acha que não existe nada mais insosso do que comida de avião, está errado. Todo o ambiente é criado para não gerar conflito. As revistas de bordo por exemplo trazem as matérias mais chatas do Universo, com artistas falando de como suas vidas são interessantes, matérias turísticas sobre lugarem bonitos e tranquilos e resenhas de filmes inofensivos.

Quanto aos filmes, a mesma coisa. As séries e longas são escolhidos por temas pouco controversos, de preferência sem violência real e nunca jamais em tempo algum com cenas de aviões caindo. A linguagem é atenuada para não conter palavrões, cenas mais fortes violentas ou controversas são cortadas e terminamos com versões sem glúten, ser açúcar, orgânicas e sem sal.

As velhinhas que as empresas usam para censurar os filmes agora decidiram que todo tipo de comportamento, mesmo que desvie minimamente do padrão é ofensivo e deve ser removido, e foi o que fizeram com um filme na Delta Airlines.

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Sim, eu sei, em tempos em que Neil Patrick Harris é unanimidade, quando gays estão participando de séries não mais como bandeiras mas como pessoas, e até seriados como Flash trazem personagens gays, é estranho implicarem com lésbicas, a modalidade do amor que não ousa dizer seu nome tão light que nem a Bíblia fala nada contra ela.

A Delta não quis saber. Cortou todas as cenas de sexo e até os beijos lésbicos do filme Carol, com Cate Blanchett e Rooney Mara. Ok, beleza, cenas de sexo, corta, pode ter criança na cadeira ao lado, faz sentido.

Só tem um problema: Carol conta a história do relacionamento de duas mulheres na New York dos Anos 50. É um filme SOBRE lésbicas. Ao meter a tesoura (sem trocadilhos) no filme transformaram uma história de amor naquela tia que mora com uma amiga e todo mundo finge que não sabe o que acontece de verdade na calada da noite.

Um monte de passageiros não gostou da censura, e foi pro Twitter reclamar. Pra piorar o dia da Delta, passageiros de outras empresas reportaram que elas passaram o filme na íntegra. Foi dito, corretamente, que nenhum filme com casal hétero teria cenas de beijo cortadas.

A Delta respondeu explicando que a versão censurada que eles compraram vinha sem duas cenas mais explícitas E sem as cenas de beijos, mas não explicou o porquê de acharem isso ok.

Se a empresa acha que passar filmes com essa temática é controverso, tudo bem, está em seu direito, não passe, mas se for fazer, faça da forma correta. Não dá pra tampar o sol com a peneira. Imagine se a moda pega e resolverem passar Brokeback Mountain sem as cenas gays, ou pior, Top Gun?

Fonte: Russia Today.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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