Metodologia XNCP – Do Open Source para o Mundo
Nos velhos tempos um programa saía quando tinha que sair. Testes eram feitos, Beta significava alguma coisa além de tiração de reta do Google, e os usuários não exigiam novidades toda semana.
Com a chegada dos projetos OpenSource, quando era possível rodar versões mais ou menos prontas, os testes foram aos poucos transferidos para a “comunidade”, sem que ela sequer tenha pedido essa responsabilidade.
A metodologia XNCP – Xtreme Nas Coxas Programming assume que “se der caca, a gente conserta”. Ela foi adotada pelos maus projetos, que passaram a se vangloriar de como soltavam releases rápidos. Não é preciso dizer que muitos desses releases criavam novos bugs, ou simplesmente não funcionavam, detonando o software, às vezes a própria máquina do usuário.
Como toda idéia ruim, quem vê de fora acha legal. E é imitada. Os fabricantes de software proprietário de código fechado viram que não precisavam gastar tanto tempo e dinheiro se bastava colocar um “Beta”, soltar e dizer que era uma versão colaborativa, aperfeiçoada com o apoio da comunidade.
Com isso chegamos a um ponto onde nenhum software nunca está 100% funcional. Caceta! (pode falar caceta no MeioBit? [cardoso: pode]) o Printmaster sempre funcionou 100%. o Duke Nukem sempre funcionou 100%. O Wordstar sempre funcionou 100%.
Agora vejam o histórico de versões do The Hit List, programinha que uso para gerenciar meu cornograma (sic) de trabalho. De 9 de Março a 13 de Maio foram 14 VERSÕES, em alguns casos duas em um único dia:
Version 0.9.3.13
Version 0.9.3.12
Version 0.9.3.11
Version 0.9.3.10
Version 0.9.3.9
Version 0.9.3.8
Version 0.9.3.7
Version 0.9.3.6
Version 0.9.3.5
Version 0.9.3.4
Version 0.9.3.3
Version 0.9.3.2
Version 0.9.3.1
Version 0.9.3
Qual o controle de qualidade, testes e homologação você tem lançado DUAS versões em um único dia? 95% do tempo usado para produzir um fixpack na Microsoft é gasto em testes e homologação. Mesmo assim de vez em quando dá caca. Imaginem sem. Ops, não precisa imaginar, em 2006 um update do Ubuntu conseguiu dar pau na interface gráfica, deixando o coitado com cara de Linux, no mau sentido. Isso mesmo, só texto.
Os usuários precisam ser reeducados. Agilidade não é produzir nas coxas, não adianta ter versão nova todo dia se isso implica em mais erros e mais instabilidade. Software não é pão quente. Não se faz em fábrica (e o que se faz é de péssima qualidade).
Os fabricantes precisam ser reeducados. Parem de lançar versões 0.0.2 e usar o consumidor como cobaia. Não confundam agilidade com irresponsabilidade. Não soltem atualizações de qualquer jeito, com a desculpa de “a gente conserta na próxima”. Testem, homologuem, experimentem. Nós queremos programas que funcionem, um programa defeituoso é irritante e prejudicial, mesmo que corrigido no dia seguinte. Muita gente não pode se dar ao luxo de esperar até o dia seguinte.
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