Fotógrafos são como pombos? Às vezes sim.

Ontem, Missy Mwacfotógrafa e colunista do site Petapixel, escreveu um texto que poderia ser encarado como engraçado, mas me deixou reflexivo e extremamente deprimido. O texto, intitulado como Photographers Have Become Like Pigeons, mostra como destaque fatos recentes que foram notícia. O primeiro foi sobre um prédio histórico no sul da Flórida que foi incendiado por três fotógrafos que tentaram fazer um paint light durante a noite. O segundo foi sobre dois turistas que tentaram fazer uma selfie na estátua de Hércules no palácio Loggia dei Militi em Cremona, Itália e acabaram danificando a obra do século XIII. Para finalizar ela cita a Farmington Historic Plantation em Louisville, Kentucky, uma fazenda histórica que proibiu a entrada de fotógrafos simplesmente pelo fato de não respeitarem as regras.

Fotógrafos são como pombos

Posso citar alguns fatos por minha conta também, como o pessoal que despenca de prédios para fazer uma selfie bacana ou a decisão do Jardim Botânico em só permitir sessões fotográficas quando forem agendadas e mediante pagamento de uma taxa. O argumento de Missy é simples. Fotógrafos se acham indivíduos para os quais as regras não se aplicam e, com essa mentalidade, estão destruindo as possibilidades de contar histórias para outros fotógrafos. E querem saber a real? Isso é verdade. Eu mesmo já me senti no direito de estar em locais proibidos por estar registrando algum evento. Infelizmente nos sentimos acima das regras. Um cartaz de proibição é como um luminoso para nós dizendo venha, pode entrar, faça sua foto.

Geralmente, locais que proíbem fotografias chegaram a esse ponto por já terem tido problemas com fotógrafos. O caso do Jardim Botânico é clássico. O local foi invadido por fotógrafos profissionais e amadores que se achavam no direito de utilizar o local como estúdio atrapalhando, inclusive, os visitantes normais com suas produções. A forma de gerenciar a coisa foi cobrar pelo uso. Os fotógrafos chiaram, pois não queriam pagar pelo uso. Mas, a maioria deles também não fazia sessão gratuita no local.

Infelizmente somos como pombos. E está na hora de começarmos a discutir isso. As regras valem para todos. Embora o ímpeto de contestação esteja enraizado no ser humano (ainda mais em tempos políticos efervescentes) regras existem por um motivo. Seguindo o exemplo do Jardim Botânico, vários outros parques e locais públicos estão montando suas próprias normas sobre proibição do ato fotográfico. A reação normal dos fotógrafos é de que isso é abuso e que tudo pode ser fotografado livremente.

Fotógrafos são como pombos2

Exemplo de manifestação dos fotógrafos em redes sociais.

Infelizmente não é assim. A própria Lei de Direitos Autorais define que tudo o que está de forma fixa em Logradouro Público pode ser registrado sem restrições. Porém, parques, reservas, praças, museus e jardins não são considerados logradouros. Eles podem ser administrados pelo poder público, mas não são públicos para registro fotográfico particular.

Fotografar é uma atividade maravilhosa. Tanto profissionalmente quanto de forma amadora. Porém, regras existem, geralmente, para resolver um problema. Por conta de um pequeno grupo que se acha no direito de não respeitar nada, todos os outros pagam por esse ato. Infelizmente, arrogância e outras características negativas fazem parte da personalidade de grande fatia dos fotógrafos. Está na hora de revermos isso.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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  • Douglas

    Uma dúvida Gilson, como funciona com museus? prédios que nao são históricos, são recentes, mas que ficam em rua pública, posso fotografar livremente a fachada? se sim, qual as regras para uso comercial da foto?

    • Gilson Lorenti Fotografia

      Nesse ponto vem a briga. O Art. 48 da Lei 9.610 diz que “As obras situadas permanentemente em logradouros públicos podem ser representadas livremente, por meio de pinturas, desenhos, fotografias e procedimentos audiovisuais”. Esse artigo está no Capitulo IV que fala Das Limitações aos Direitos Autorais. Em teoria, esculturas e fachadas de prédios que estejam situados em logradouros públicos de modo permanente (nada que for temporário se enquadra), pode ser registrado em uma fotografia sem a permissão do dono ou autor. Logradouro são todos os lugares públicos, reconhecidos por um município, como ruas, avenidas, praças. São lugares de livre acesso ao público. Ou seja, uma rua reconhecida pela prefeitura de sua cidade (com endereço) é um logradouro. Da mesma forma, parques, museus, o jardim botânico e reservas ecológicas podem até serem administrados pelo poder público, mas não constituem logradouro público. Nesse ponto fica claro que a Lei garante que você possa fotografar, sem autorização, qualquer coisa que esteja situada de modo permanente em um logradouro público (estátuas, fachadas de prédios, pinturas). Porém, a mesma Lei garante também que nenhuma obra protegida por Direitos Autorais (fachada de prédios, pinturas, esculturas) possam ser utilizados de maneira comercial sem a autorização do autor. É nesse momento que entra o embate jurídico e as interpretações do juiz. Fazer uma campanha publicitária em uma praça, ou que mostre obras protegidas pode ser barrada na justiça, da mesma forma que colocar uma foto do Cristo Redentor no seu perfil do facebook é considerado Ok, mas se for em uma fã page de fotografia pode ser considerado uso comercial. Essa é uma discussão que fica para os amigos advogados.

      • Negro Emo

        Interessante

  • Hiro

    É como todo o resto que acontece no nosso país. A atitude ruim de uns acabam penalizando a todos. Mas se cobrar acaba inibindo abusos, melhor. Só não resolve definitivamente a questão de obstrução de passagem em certos locais. Aqui em São Paulo, certa vez tive que aguardar o fotógrafo para poder atravessar num determinado local. Então você tem um sujeito em local público, tratando o espaço como se fosse privado (dele). Um absurdo. Agora a praga da geração selfie é inacreditável.

  • Michael Loeps™

    Algumas horas atras o cardoso posta a matéria dos EUA treinando tiro ao alvo em c̶o̶n̶t̶a̶i̶n̶e̶r̶s̶ pombos com um singelo tomahawk, agora essa matéria…sei não, se eu fosse fotografo tomaria cuidado…

    • Cocainum

      Cada Tomahawk custa US$ 1,6 milhão. Péssimo custo/benefício para matar fotógrafos pombos.

      • Francisco Lunardi

        Basta atrai-los ao mesmo local e gastar apenas 1, fácil.

        • Cocainum

          Humm… Quem sabe usando um aviso “proibido fotografar aqui”?

          • Manoel Guedes

            Ou horário gratuito no Jardim Botânico

  • Othermind

    O que me incomoda é show… Vc vai e fica todo mundo com braço levantado segurando o celular e filmando fechando sua visão.. Pooooo.. se quer ver o vídeo do show compra o DVD/blu-ray depois rsrsrs… Se esta lá é pra curtir a música e ver com os próprios olhos…

    • Zalla

      esses daí não se encaixam na categoria “fotografos”, aliás nem fotos sabem tirar direito

    • major505

      Uma foto ou outra blz para levar de lembrança. O foda é ficar com a merda do celular para cima o show inteiro. Alias, em show de metal não recomendo. Já vi muito nego levantando celular e derrubando quando pessoal começou a pular.

      Mas em show mais tranquilo, eu costumava levar minha câmera e bater algumas fotos durante o show. Mas se for para ver o show interior de uma telinha, eu prefiro nem ir.

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  • Flavio Freitas

    Uma vez, num show da Loreena McKennitt em Montreal, eu estava próximo da saída e um fotógrafo profissional, de algum jornal daqui, armou seu tripé e começou a largar o dedo na câmera. Uma SLR num teatro em silêncio, faz barulho, e muito. Loreena estava cantando uma música calma, só com violino e harpa, e quem estava próximo dele só conseguia ouvir o clac-clac-clac da câmera. Um cara se levantou e ficou em frente à câmera até que o fotógrafo desistiu e foi embora.
    E o pior é que existem acessórios capazes de abafar o ruído da câmera, só ele que não conhece.

    • Gilson Lorenti Fotografia

      Realmente, câmera reflex em teatro é um inferno. as pessoas não imaginam como o barulho do obturador pode ser ouvido longe em um local totalmente em silêncio. Existem cases que abafam o barulho da câmera e que foram desenvolvidos justamente para esse momento, mas nem todo mundo sabe da existência (fotógrafos mal preparados e sem conhecimento básico de atividades específicas é o que mais existe). E fotografo teatro muito raramente e o investimento seria inviável para mim. Mas, quando tenho que fazer procuro levar lentes com grande distância focal e ficar o mais longe possível do público.

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