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Quem diria, Google alfabetizou sua IA com a Coleção Sabrina

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Em 1935 a Companhia Editora Nacional começou a publicar no Brasil um ama série de livros de romance açucarados, voltados exclusivamente para o público feminino. as chamadas Coleções Azul, Rosa e Verde foram editados por aqui até 1960, quando o selo da assim chamada “Biblioteca das Moças” (como a Coleção Verde era popularmente conhecida) entrou em declínio. Somente em 1977 a Nova Cultural tentou a sorte de abocanhar esse mercado de leitoras até então desamparado, e lançou nas bancas a primeira edição da Coleção Sabrina. O sucesso foi tanto que nos dois anos seguintes os selos irmãos Júlia e Bianca chegaram ao público emulando o formato das coleções da Editora Nacional.

Assim a série Bianca, que substituiu a Coleção Azul trazia romances recatados de forma mais lírica e poética; o Júlia, que fazia as vezes do Rosa trazendo temas mais calientes (nada pornográfico) e protagonistas decididas era voltado a mulheres mais liberais e por fim o Sabrina, assim como o Verde era focado nos clássicos dramalhões, no melhor estilo das novelas mexicanas. Sem surpresa este era o mais popular, com tiragem de 600 mil exemplares MENSAIS. A mulherada comprava feliz e o jornaleiro contava a grana e agradecia.

A principal característica desses romances de banca era a linha-guia: tanto os publicados aqui quanto no exterior seguem uma estrutura tão rígida e uniforme que mais parece receita de bolo. Os contos sempre tinham finais felizes, sem exceções. Os pontos diferiam muito pouco entre eles, haviam cenas de drama, cenas de amor pra lá de exageradas e no fim, tudo dava certo. Até hoje esses livros seguem tal cartilha.

E esse gênero de literatura imutável se mostrou extremamente útil para o Google.

Andrew Dai, engenheiro de software responsável pelo sistema de inteligência artificial de Mountain View alimentou o algoritmo com quase três mil publicações do tipo nos últimos meses, a fim de tornar sua capacidade de se relacionar com o usuário mais fluída. Como o formato dessas publicações é simples ao extremo, não fugindo do clássico “mulher gosta de homem que gosta de outra mulher” ou trazendo variações mínimas o sistema acabou por construir um vocabulário muito simples e muito relacionado, que lhe permite se expressar de forma mais humana e a entender melhor o interlocutor.

As aplicações são várias, desde tornar o Google Now mais amigável como melhorar o algoritmo das Respostas Automáticas do Inbox. A IA absorveu rapidamente e está aprendendo, a estrutura desses romances é tão simples que ela própria conseguiu formar sentenças próprias de forma bem dinâmica, à semelhança dos livros. Portanto não estranhe se num futuro próximo o Google Now lançar um romance do tipo sobre o amor impossível entre duas inteligências artificiais.

Fonte: BuzzFeed.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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