Pai quer que Apple hackeie celular de filho morto

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Em um mundo dividido entre coxinhas e mortadelas, onde todo mundo é Sith e só sabe lidar com absolutos é complicado ver o caminho do meio, mas a realidade, a verdade (que segundo me disseram é um conceito arcaico em filosofia mas fuck filosofia) é complexa. Nem tudo tem solução e resposta fácil, por isso homeopatia e fostoetanolamina são mais atraentes ao povão do que remédios de verdade e médicos honestos que oferecem possibilidade de tratamento não certeza de cura.

Neste caso a situação complexa é de um arquiteto italiano chamado Leonardo Fabbretti. Em 2007 ele adotou um menino etíope de nome Dama, que infelizmente não viveu muito. Em 2015, aos 13 anos Dama morreu de osteosarcoma. A maior lembrança que Leonardo tem de seu filho é um iPhone 6, onde o garoto guardava fotos, vídeos e mensagens, mas o pai não sabe a senha.

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O suporte da Apple tentou ajudar mas não conseguiu. A Cellebrite, empresa de segurança israelense que teria quebrado a criptografia do iPhone dos terroristas nos EUA se ofereceu para acessar o aparelho de Dama, de graça, mas não há certezas: o iPhone do menino é um 6, o dos terroristas um 5C, mais antigo e mais hackeável.

Aqui começa uma enorme área cinza: com que idade uma criança passa a ter direito a privacidade? Ou mesmo um adulto? Uma esposa pode exigir que a Apple dê acesso aos dados do celular do falecido? Se sim, como fica o desejo do morto, e qual o imperativo moral que torna isso válido mas de terroristas exige toda uma batalha judicial?

Se não, como é imoral dar acesso ao celular do falecido mas ela pode abrir e fuçar todas as gavetas e armários do morto? Será que os pais de um adolescente ficarão mesmo felizes e confortados ao descobrirem toda a sujeira que ele acessa, os posts no 4Chan, o folder ShemaleVids e as 34.234.932 fotos do bilau enviadas pras colegas do colégio?

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A Suprema Corte do Estado de New York determinou que pais têm sim o direito de espionar os filhos, se acharem que é do interesse deles, mas isso vale até que idade? Eu sinceramente não sei, mas me colocando no lugar de um moleque a última coisa que eu gostaria seria meus pais fuçando no meu telefone ou computador.

Fiquem com as lembranças, fiquem com as imagens e filmes que vocês fizeram e receberam, deixem que a memória que seus entes queridos guardaram para eles permaneça privada.

Fonte: CNN.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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