Microsoft BUILD 2016 — Aurora dos Bots

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Eu não costumo fazem muitas recomendações, é uma estratégia pra ver se algúém me paga para elogiar efusivamente alguma coisa, como tantos vlogueiros e tuiteiros com suas recomendações “espontâneas”. Até agora não funcionou, mas abro uma exceção para Conexões, uma série BBC que começou em 1978 e teve sua terceira temporada em 1997.

Nela James Burke viaja pelo mundo mostrando como tudo está interconectado. O sujeito que faz experimentos dissecando coelhos descobre o conceito de feedback que hoje é usado em satélites. Sério, procure na locadora do Paulo Coelho: o Connections 3 vale cada byte.

Pois bem: no primeiro episódio da 3ª temporada, em 1997 James Burke está na Índia rural com um telefone de satélite e um PowerBook. Ele demonstra os primórdios da conectividade e algo que na época ainda era ficção científica: os Agentes Inteligentes.

Não esse. AINDA não.

Não esse. AINDA não.

A ciência da computação fala disso tem décadas. Tivemos um excelente exemplo de um Agente Inteligente rodando no Microsoft HoloLens 3 anos antes no filme Assédio Sexual, com Michael Douglas e Demi Moore.

A idéia do Agente Inteligente é diferente de um HAL9000, ele não é necessariamente inteligente de verdade, ou mesmo consciente. Ele é em essência uma interface que funciona com linguagem natural e permite que você automatize tarefas. Um bom agente também é pró-ativo, não como quando você manda a Siri te lembrar de comprar bacon quando sair do serviço, mas como a Siri que identifica nos seus e-mails uma reserva para um vôo e te avisa automaticamente quando o horário está chegando.

O que a Microsoft lançou hoje na BUILD 2016 foi algo que finalmente permitirá a popularização desse tipo de serviço. O pacote tem o nome de Cortana Intelligence Suite:

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A demonstração do Bot Framework, feita por Don Driscoll foi simples e instigante, meu lado programador ficou doido pra brincar com ele. A abordagem da Microsoft foi perfeita: esqueça a Inteligência Artificial Forte, ninguém vai emular um cérebro tão cedo, ou mesmo nunca se Penrose e Nicolelis estiverem certos.

O negócio é a IA Fraca, onde os bots trabalham com linguagem natural e apenas “parecem” inteligentes. Nenhum vai te explicar o sentido da Vida do Universo e Todo o Resto, mas vai saber que você todo dia almoça vendo o Daily Show, mas esqueceu de baixar então por conta própria dispara o µTorrent e avisa quando terminar o download.

No video abaixo Driscoll cria um bot para a Domino’s e depois Lili Cheng mostra a interface de Machine Learning onde a capacidade de compreensão do bot pode ser aprimorada:


TechoWin — Microsoft Bot Framework Live Demo At Microsoft Build 2016

O Bot Framework da Microsoft não roda em um console, sua interface são aplicativos. Pode ser a Cortana, pode ser o Skype, pode ser o Telegram, Twitter ou até… SMS. Isso mesmo, você pode escrever um bot para interações em linguagem natural via SMS.

Por mais misantropo que eu seja odeio mais ainda interagir com máquinas. Toda interface precisa ser aprendida, todo dia são novos botões, novas combinações de teclas e atividades simples são uma lista de cliques. Para ver um episódio de uma série no Chromecast gasto NOVE cliques, isso sabendo exatamente onde o arquivo está. Uma de minhas metas é usar o Bot Framework pra automatizar isso, estamos em 2016, não faz sentido usar mouse pra tudo, feito um neandertal.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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  • André K

    Conections é excelente! O spin-off de engenharia também vale cada byte. No mais, excelente artigo, como sempre!

  • Alexandre Oswald

    Um livro de ficção que desenvolve bem o conceito de agentes é o Daemon de Daniel Suárez, mas a editora infelizmente pisou na bola não publicando a continuação que se chama Freedom. Agora só lendo em inglês ou se lançarem filmes destes livros.

    • Diego Ramos

      E o engraçado é que todo processo que roda automaticamente em background no Linux se chama justamente Daemon.

      • Alexandre Oswald

        Ele é consultor de TI e certamente usou este termo de propósito.

    • Thiago

      Velho… ser da área de TI e não ter um inglês no mínimo avançado (não o que se coloca em curriculum) é complicado.
      Sempre falo para meus colegas que é essencial.

      • Alexandre Oswald

        Inglês técnico, leitura e audição me viro bem, mas um romance em inglês coloquial levaria mais tempo, pois teria que procurar os termos e gírias o tempo todo no dicionário.

  • Gedson Junior

    Só quero ver agora essa porra toda em português!

    • Luiz

      Facil, só ignorar a regencia e deixar na ordem natural que o algoritimo feito em ingles quase funciona.

  • Se eu conseguisse fazer o meu celular executar todos os meus comandos enquanto dirijo já ficaria feliz. Sonho com o dia em que poderei falar com os servidores ao invés de digitar longas linhas de texto ou ter que montar scripts para determinadas tarefas.

  • Samuel

    Tb acredito que a evolução natural não é a inteligência humana ser superada pela das máquinas, mas rolar uma simbiose, com cada um (máquina e humanos) levando o outro aos seus limites.

  • “Este vídeo foi removido pelo usuário”

  • Wallacy

    De fato acredito que esse seja o caminho. O Google NOW também é um passo significante nesse segmento, e fico assustado inclusive com as “recomendações”. O básico, ok, quando chega a hora de ir ao trabalho ele me adianta a melhor rota, se compro passagem ele me diz qual hora tenho que sair de casa para chegar a tempo no aeroporto, se pego um hotel ele me diz os dados da reserva, etc, etc….

    Fico mais assustado quando eu troco meu horário da academia (faço sempre cedo) para de noite, e de alguma forma nesse dia ele me avisa de noite que tenho que ir (dizendo que tenho que sair x horas por causa do transito e tal) sabendo que eu faltei de manhã (já que cedo ele me avisou mas percebeu que não fui), achei incrível ele perceber que quando não vou em um horário vou em outro. Até a Pet Shop ele já me avisa no dia que geralmente levo o cachorro ou vou comprar ração, e isso em teoria seria uma relação fraca de local, pois tem outros lugares que visito com mais periodicidade mas ele não avisa, pois as vezes quem leva é minha esposa e eu fico meses sem ir, mas como ele “sabe” que tenho cachorro e ele “precisa” ir ao Pet ele avisa, estranhamente quando eu “tenho” que ir, quando minha esposa vai não… Ainda não sei qual dica ele usa para saber quando eu vou e não ela.

    Melhor de tudo é quando viajo, adoro o “guia” turístico e gastronômico dele, parece bem adaptado ao meu gosto, e o melhor que nunca precisei configurar nada.

    Já a MS fez o que o Google provavelmente nunca vai fazer, deu o poder de nós mesmo “programarmos” esses comportamentos, o Google vai tentar o modo “full automation”, tentando prever a maior quantidade possível de coisas sozinho, o que é bom, mas ficamos limitados apenas aos cenários que eles coletaram.

  • The Fast>>

    Agentes inteligentes, tal como em “Her” (OS¹), fazendo tarefas ou ajudando na realização delas de modo preemptivo e preceptivo? Aprendizado “coletivo” na nuvem onde cada qual será um “indivíduo informático” local podendo consultar a nuvem para realizar de maneira mais precisa tarefas fora do comum, ou será uma indivíduo virtual “virtualizado” — inception — por uma rede neural, tal como tentáculos de uma inteligência mnemônica?

    Estou Ansioso. Mais tempo dedicado para “criar” e não para realizar atividades triviais e cansativas do mundo digital. Criaria um novo paradigma no mercado de trabalho. Uma nova onda de trabalhadores manuais, onde o emprego de máquina ainda não possui boa relação entre desempenho e custos; uma nova onda de empregados domésticos.

  • The Fast>>

    Os filhos da inteligência “Cortana”. Imaginem o quão inteligente ficará se observar o comportamento dos seus filhotes (as pequenas inteligências) mais de perto, aprendendo a cada vez que atende as necessidades (consultas) de cada um. Imaginem um crescimento exponencial de inteligência, tal qual uma de suas “personificações”, como aquele Bot do Twitter (Tay), reconhecendo determinados comportamentos. Quem sabe até mesmo reconhecendo como “inapropriadas” as interações anteriores, mudando seu comportamento com o aprendizado e, porque não, desenvolver algum tipo de desculpa e até uma atitude “compensatória” pelos seus danos.

    A questão parece ser “o quão distante está este futuro”, e não qualquer outra dúvida sobre o surgimento deste “fenômeno computacional”. Vai ser o primeiro “e decisivo salto” após a invenção do microchip; a grande evolução.

    Dá até medo. Com Big Data e inteligência de máquina surgem “Big” responsabilidades. E o problema maior em princípio não está na inteligência de máquina, mas na mão que detém o poder desta inteligência, direcionando-as como más influências.

  • Christiano Nascimento Amorim

    Cortana Intelligence Suite = CIS.

    E o Tumblr chora.

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