SAP Forum 2016 — Do Peão Ao Underwood

284491-norad

Confesso, há buzzwords que enchem o saco. Não aguento mais ouvir falar de nuvem, e mal essa modinha acalmou, e as pessoas começaram a desenvolver aplicações cliente-servidor como antigamente, surgiram outras como BigData e Internet das Coisas.

Os sites de “tecnologia” contribuem com o hype e hoje em dia há até vibrador conectado. A sorte de participar de eventos como o SAP Forum é que eles servem como um detox, uma rehab de clichês, pois vemos aplicações REAIS desses conceitos e tendências, longe dos hypes de lãmpada conectada que mancheteiam os Gizmodos da vida.

Já falei sobre o trator conectado, mas vi outras aplicações que me surpreenderam, idéias simples e óbvias que, ofuscado pelo brilho da geladeira com internet que todo mundo noticiou e ninguém comprou, eu nunca tinha pensado.

Um exemplo desses foi uma solução de Internet das Coisas para… Equipamento de Proteção Individual.

Quem já trabalhou com obra e fábrica sabe: peão é uma desgraça. Você dá luva, ele não usa porque incomoda. Dá macacão, não quer porque é quente. Cinto de segurança atrapalha saltar entre andaimes e a máscara não usa: com ela não consegue fumar enquanto solda o tanque de hidrogênio em cima do depósito de pólvora. Aí vem a fiscalização, trosoba na empresa.

big_data

A SAP demonstrou uma solução de Internet das Coisas para isso, e em minha ingenuidade já imaginei Arduínos conectados, Wi-Fi, etc, etc. Nada disso. A solução usava etiquetas RFID, cada um dos equipamentos tem uma etiqueta, o peão passa por um leitor e é identificado se ele está portando os equipamentos para aquele local, quais equipamentos são, se estão dentro da validade, etc. Tudo controlado por um aplicativo remoto.

Outra buzzword: BigData. Todo mundo faz análise de dados, qual o mistério? Bem, o mistério é que hoje não adianta mais você passar uma semana debruçado nos dados atrás de tendências, precisa de respostas imediatas, e individualizadas. O que se viu na última temporada de House of Cards, candidatos usando BigData, baseando decisões em modelos gerados por dados de uso de um Google-like é pura realidade, segundo me contou Eduardo Sato Presales Manager do Digital Enterprise Platform Group da SAP.

Todos esses temas e mais você pode acompanhar na entrevista exclusiva que fiz com ele. De novo, pelo desculpas pelo áudio, o idiota responsável será devidamente chicoteado até aprender a gravar som decente.


MB no SAP 2016 – Entrevista com Eduardo Sato sobre Internet das Coisas

Leia também:

Relacionados: , , , , ,

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

Compartilhar
  • Marcos Siqueira

    Vlw Cardoso. Tava precisando ler algo assim antes de decidir sobre meu trabalho de diplomação. Vlw mesmo, choque de realidade é preciso.

  • Wilter Monteiro

    Lembrei de um pintor que furou a máscara de proteção no diâmetro exato do cigarro. Quando questionado ele disse: “ué, assim continuo produzindo e ainda estou protegido, ninguém sai perdendo”.

    • PQP!

    • Arthur Santos

      Ia ser foda ele dar uma tragada boa e morrer….trabalhando.

      • Ou fumar enquanto usa tinta spray ou veniz volátil e botar fogo no lugar…

        • Arthur Santos

          Pintura flambada.

    • W. W. Barros

      Peão é a imagem do Cão!

  • Andre Luiz Santos

    Sou esse tipo de peão que se recusa(não declaradamente, claro) a usar alguns tipos de EPI´s, Por alguns motivos simples não utilizamos EPI´s quando devemos, como no caso de quando a empresa substituiu o óculos de proteção que todo mundo usava sempre por um que era totalmente inadequado a tarefa praticada, por uma determinação de alguns que não executavam nenhuma das tarefas das quais executamos, inclusive consta no manual do próprio EPI ele não era recomendado para uso contínuo. E sim, não demoraria mais de que alguns dias para que a peãozada descobrisse alguma forma de burlar tal sistema.

  • Daniel

    A nova moda vai ser andar com etiqueta pedaços de epi no bolso agora pela obra… A propósito eu era um que não gostava de epi, e usava o mínimo (na realidade muito menos que o mínimo), depois de bastante tempo de trabalho, de Darwin e Murphy sendo extremamente benevolentes comigo, aprendendo a reconhecer situações de extremo risco, vendo vídeos no youtube de gente que se deu mal, e de acidentes simulados, hoje virou hábito, óculos de proteção, máscaras, protetores auricular tipo concha dos bons, luvas onde é para se usar são coisas que antes traziam desconforto hoje se inverteu se tornou confortável usar e o principal, não trabalhar distraído/com pressa/ com fome/ com sono/ cansado etc. Depois dos 30 você começa a ver a coisa toda de uma forma diferente… e quando não vê… não chega aos 30 inteiro….

    • Eu perguntei, o Sato explicou que a etiqueta só estava aparente pq era demonstração, no produto real ela vai por dentro, justamente pra nego não arrancar e levar no bolso.

      • Mas nego vai levar capacete e outros no braço (motociclistas bosta feelings) ou pendurado na cintura. É um ótimo auxílio, não desmereço, mas continua necessária a fiscalização visual.

      • Daniel

        nada que um sujeito desocupado na obra com um estilete e algum tempo sobrando não dê um jeitinho…

    • Theuer

      Ahhhh a barreira dos 30…
      Essa eu senti e não imaginava que fosse tão alta.

  • O Datilógrafo da AEB

    Já precisei trabalhar com EPI. Eu era o certinho da equipe que todo mundo zoava, e sempre tinha acidentes, advinha quem da equipe nunca se machucava?
    Em um dos acidentes, escapei de ter o pé esmagado por um palete, por causa da bota com bico de aço. O aço chegou a entortar, mas segurou o tranco.

    • Waltenydsam Câmara

      Depois o pnc ainda vai pro INSS aumentar o rombo e ficar de folga paga.

    • Thiago

      Isso foi antes de entrar a AEB né? Que mudança radical!

      • SuzukaDriver90

        kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • Davi

    Não existe nada mais ninja e McGyver do que peão quando quer burlar restrições de segurança. Lembro de ter visitado a linha de produção de uma montadora de carros européia instalada no estado do Rio de Janeiro (eu não disse o nome!), quando eles ainda estavam começando a operar, e o gerente da área estava muito preocupado, pois apesar deles terem adotado barreiras de luz que desarmavam o sistema quando algum peão teimava em entrar em uma área restrita ao funcionamento de robôs, ele percebeu que a peãozada tinha descoberto uma maneira de entrar na área burlando a barreira de luz, sem desarmá-la!

    Aparentemente eles tinham descoberto algum ritmo de movimentação e/ou forma posicionar o corpo em relação aos sensores na hora de entrar que permitia que o sinal não fosse interrompido o suficiente para desarmar os robôs. Aliås, montadora de veículos é o tipo de fábrica interessante de se visitar, pois você percebe que existem linhas de pesquisa inteiras inventando constantemente novas formas de evitar que a peãozada burle os sistemas de segurança…

  • W. W. Barros

    Minha empresa entrou em um projeto de um sistema para localização de recurso humanos na planta da fábrica, mas estamos com o problema de alcance das antenas e receptores do rfid. Os valores podem inviabilizar o projeto.

  • Waltenydsam Câmara

    Posta o áudio das chicotadas.

  • Será que não valeria a pena botar o peão pra assinar contrato que diga que ele está sujeito a demissão* por justa causa na falta ou negativa de uso do EPI? Fiscal andando no lugar com uma câmera dava a prova necessária na hora, mandava embora no mesmo dia e resolvia o caso.

    *EU SEI, tem lugar por ai que adota tal medida, mas em conjunto com o que citei poderia valer a pena pra ter provas concretas e ciência do caso por parte do funcionário.

    • ElGloriosoRangerRojo™

      Não é tão fácil assim. Justa Causa só cabe em casos nos quais o empregado causou algum dano grande à empresa. E quando eu digo grande, é GRANDE mesmo. Nesse caso o funcionário poderia entrar na justiça e dizer que apesar de não estar portando EPI’s, a conduta dele não acarretou em danos à empresa.

      Justiça do trabalho é complicada pras empresas. Inclusive um professor meu de legislação comentou que existe até um termo em Latim, do qual não me recordo, mas que diz mais ou menos assim: “Na dúvida, a razão é do trabalhador”.

      O uso desse sistema de RFID seria mais para o caso de acontecer um acidente mesmo, onde comprovadamente o uso do EPI poderia ter evitado/amenizado os danos. A empresa pode dizer que tem o sistema que verifica se o funcionário está portando os EPI’s, e isso já seria prova de que fiscalização existe, mas não como ficarem o tempo todo de olho se o funcionário está usando ou não os EPI’s.

    • Macedo

      ia faltar mão de obra barata….

  • Oli

    Isso é um problema que não deveria nem existir. Disponibiliza o equipamento pra todo mundo e pronto. Se sofrer um acidente e se machucar o problema é do cara. Se o dano poderia ter sido evitado se estivesse com o EPI não recebe nem seguro saúde. Liberdade pro retardado se matar. Viva Darwin, abaixo o estado babá.

Aproveite nossos cupons de desconto:

Cupom de desconto Locaweb, Cupom de desconto HP, Cupom de desconto Descomplica, Cupom de desconto Nuuvem, Cupom de desconto CVC, Cupom de desconto Asus, Cupom de desconto World Tennis