Melhor Coréia lança um foguete. Ou um míssil. Ou os dois.

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Ontem a Melhor Coréia, apesar de viver na miséria, depender de doação de comida da ONU, ser governada por uma dinastia de loucos que se vendem como deuses e sofrer todo tipo de sanção inimaginável, demonstrou que tem um programa espacial melhor do que o nosso.

Ou um programa bélico, isso ainda não foi decidido.

Aqui o vídeo do lançamento:


Russia Today — North Korea launches long-range rocket believed to be front for missile test

Isso não agradou… bem… ninguém. A Pior Coréia está considerando comprar sistemas antimísseis dos EUA, a ONU disse que o lançamento violou umas 5 resoluções, o Japão falou que iria derrubar o míssil se fosse lançado, e a China, o melhor amigo que o Grande Líder tem no mundo, se disse preocupada e contrariada pelo lançamento.

Vamos aos fatos:

1 — É um foguete ou um míssil?

De forma simplificada a diferença entre um ICBM e um foguete é que o ICBM tem na ponta uma coisa que faz CABUM. O foguete Redstone que levou Alan Sheppard em seu vôo histórico era essencialmente um míssil nuclear modificado. A grande diferença é que foguetes costumam ter dois estágios, colocando coisas em órbita e misseis são lançados em longas parábolas caindo de volta.

Esse é o problema, e por isso estão reclamando. A Melhor Coréia diz que fez um lançamento pacífico, mas ela basicamente desenvolveu um míssil intercontinental capaz de atingir qualquer país do mundo, se não diretamente, através de um ataque orbital. O satélite, chamado Kwangmyŏngsŏng-4 está em órbita com uma inclinação entre 97,5 graus; apogeu de 502 km, perigeu de 465 km. Uma órbita meio porca, há indicações de que não era a planejada.

2 — Há motivo para alarme?

O Japão chegou a mandar alertas globais via celular para todos os cidadãos, mas é só parte do teatro. A Melhor Coréia NÃO vai atacar ninguém com UM foguete. É absolutamente impensável um ataque nuclear nessas condições, só serviria para o mundo inteiro, de Wakanda à Latvéria se unindo para dizimar todas as tropas e governantes da Melhor Coréia. O Grande Líder só ganha se ameaçar, não se cumprir.

Há outros fatos também: a tecnologia nuclear deles também é pré-Hiroshima, o último teste foi uma bomba (no bom sentido) e está evidente que não estão conseguindo produzir detonações realmente potentes. Se nem isso dominam, que dirá a tecnologia suficiente para miniaturizar isto:

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Fat Boy, a Bomba de Hiroshima, potência equivalente a 15 mil toneladas de TNT, 1945

Nisto:

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Ogiva W48, 1963, usada como peça de artilharia, potência equivalente a 72 toneladas de TNT e a bomba atômica mais fofa do mundo.

Mesmo que eles consigam miniaturizar a bomba, há a parte mais difícil: a reentrada. Depois que o primeiro estágio atinge o espaço, e o módulo com as ogivas continua a parábola até o alvo, ele se separa no chamado MIRV — Veículos de Reentrada Independentes e Múltiplos, uma forma de lançar várias bombas com um foguete só e saturar uma área de centenas de km com várias bombas. Aqui um Minuteman III, com… 3 ogivas nucleares:

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É preciso muito dinheiro muito teste e muito know-how para fazer uma ogiva resistente o bastante para reentrar na atmosfera a vários km/s, resistir ao calor, pressão e ainda explodir acima do alvo, com um mínimo de precisão.

MESMO que a Melhor Coréia tivesse resolvido todos esses problemas, na situação atual ela é um sujeito no prédio em frente apontando um revólver com uma bala para o prédio vizinho. Só que o prédio vizinho é a Torre d’Os Vingadores.

3 — E agora?

Diz a Pior Coréia que o Grande Líder está preparando outro teste nuclear. Se der chabu como o anterior, tudo bem. Se for melhorzinho, ou ele até conseguir uma reação termonuclear, aí muita gente levantará a orelha e começará a se preocupar a sério, além da falsa indignação de propaganda.

Caso a Melhor Coréia comece a se armar a sério, pode chegar a um ponto em que uma incursão armada seja possível. Será que o ocidente abriria mão de Seul para evitar uma guerra nuclear? Funcionou com a Crimeia, Putin basicamente roubou um pedaço da Ucrânia, e ninguém falou nada. Peitar uma potência nuclear pra quê?

Não se sabe qual a quantidade mínima para causar preocupação. Dez, vinte, cem ogivas? E quanto o ISIS estaria disposto a pagar por uma? A comunidade internacional arriscaria uma invasão de uma ogiva nuclear da Melhor Coréia, vendida ao ISIS, explodisse em Teerã?

Essas perguntas ficam melhor sem resposta. Sinto que o Grande Líder está perto de ter ser chamado na chincha, no melhor estilo Kimzinho, chega de playground, sobe que tá na hora de tomar banho pra jantar.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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