A… Coisa!

Em 1945 não era fácil fazer espionagem eletrônica. Era o tempo da válvula, escutas significavam rádios trambolhos, microfones gigantescos e fios espalhados pela sala. Por isso, e por não ter estudado História, o embaixador dos EUA em Moscou não teve problemas em aceitar da Organização dos Jovens Pioneiros Soviéticos um presente.

Um entalhe do Selo Presidencial dos EUA:

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Muito bonito, o selo foi pendurado no escritório do embaixador na Residência Oficial, e lá ficou até 1951 (anote essa data). Um belo dia um operador de rádio da Embaixada Britânica estava passeando pelos canais quando ouviu dois sujeitos conversando em inglês. Pelo sotaque percebeu que eram americanos, e pelo conteúdo da conversa, que era gente da Embaixada.

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Os ianques foram alertados, chamaram especialistas de Washington e vasculharam a Embaixada. Não acharam nada. Só depois que usaram um gerador de sinais conseguiram detectar algo, e acabaram chegando ao Grande Selo, mas isso só aumentou o mistério.

Não havia um microfone conectado a um gravador, não havia transmissor de rádio, baterias, tomadas. O dispositivo que acharam era completamente passivo (ui!) sem nenhum componente elétrico, mas transmitia sinais de rádio. Magia? Não, Ciência.

Batizado de “A Coisa”, a escuta era obra de ninguém menos que Léon Theremin. O funcionamento era genial e simples: uma van parava do lado de fora da Embaixada. Um sinal de rádio não-modulado em uma determinada frequência era emitido. Uma cavidade de ressonância projetada para responder àquela frequência era excitado (ui!). Ao mesmo tempo uma membrana capacitiva era movida pelas ondas sonoras da conversa na sala.

A variação na capacitância modulava as ondas de rádio emitidas pela cavidade. Um receptor na van captava o sinal, e a conversa era gravada. Ah sim, como as ondas geradas eram harmônicas da frequência original, mesmo que alguém captasse o sinal da Van, não captaria o emitido pela Coisa.

A Coisa permaneceu em segredo até 1960, quando Francis Gary Powers foi derrubado sobrevoando a União Soviética em seu U2, os russos pagaram de pobres vítimas inocentes, e para fazer com que baixassem a bola na reunião do Conselho de Segurança da ONU, o Embaixador dos EUA mostrou A Coisa, só pra lembrar que não tem inocente na parada.


Historia – Bel99TV — Soviet Spying Incident – US Embassy Bugged 1960 – Device Exposed at UN Security Council

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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