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Fotografia e engajamento social

Por em 1 de abril de 2009
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    Todo profissional (de verdade) se depara com essas questões e precisa tomar uma posição. Isso varia conforme a índole de cada um, já que somos todos diferentes.

    No campo da fotografia (assim como jornalismo) essas questões são muito delicadas por tratar de assuntos sociais importantes. O que dizer de Sebastião Salgado, por exemplo? Conheço pouco o trabalho dele e acho interessante. Por um lado, ele mostra imagens que faz muitos pensar. Por outro lado, ganha dinheiro com isso.

    Neste caso, entram inúmeras questões como: é hipocrisia? é um aproveitador? é um exemplo para a humanidade? E tantas outras…

    Nem sempre a resposta é simples e direta (binária, para quem é da computação). São tantas questões a se considerar que talvez seja muito difícil enumerar todas.

    Existem também duas coisas a considerar: o que as pessoas pensam do profissional e o que essa pessoa realmente pensa do próprio trabalho. A primeira é relevante? Para muitas pessoas sim e isso guia boa parte de suas atitudes em público.

    Quando alguém resolve fazer a diferença, sempre imagina que vai conseguir mudar o mundo. Um amigo um dia me falou: o ótimo é inimigo do bom. Se a pessoa não consegue atingir uma meta, muitas vezes fica frustrada e acaba entrando em depressão.

    Penso que temos que fazer nossa parte seguindo nossa consciência. Se conseguirmos fazer um bom trabalho não enganando a si próprio, já é um ótimo começo. Se pudermos melhorar um pouco o mundo, melhor. :)

    Kevin Carter poderia ter feito a diferença para aquela criança? Provavelmente sim. Foi melhor ele mostrar a foto para o mundo? A resposta deve ser também positiva. As pessoas se sensibilizaram com a criança? As reclamações mostraram que sim.

    As pessoas têm diferentes reações não apenas pelo fato, mas pelo que ELAS MESMAS tem dentro de si.

    Sobre Kevin Carter, o suicídio também não se deve apenas pela fotografia. Se ela ajudou, ninguém vai saber. Se ele se arrependeu do que fez, é porque ele mesmo não acreditou que tenha feito a coisa certa. O fato é que somos mais que um fato isolado e o conjunto de todas as ações e sentimentos é o que nos faz únicos. Não temos como julgar o que é certo ou não.

    Somos seres muito complexos. Fato que me fez preferir a área exata. E descobri que nem é tão exata assim…

    O fato de você estar escrevendo em um blog, já faz a diferença para muitos. O público atingido é enorme. Viu só? Nã é apenas na fotografia, mas em todas as nossas atitudes é que fazemos a diferença. Pet Adams está certo. No programa roda viva, ele falou uma coisa muito interessante: os “palhaços” que alegram as pessoas nos hospitais, não deveriam tirar a roupa nunca, pois eles perdem a chance de trazer alegria para as pessoas nos melhores momentos (ônibus, trânsito, em casa, com os vizinhos,…). Cada momento é importante, não apenas no “horário de trabalho”.

  • tcavalheiro

    Acho que sempre é possível fazer alguma coisa. O problema é que vivemos tão preocupados com o nosso trabalho que acabamos focando a nossa criatividade em ganhar dinheiro, o que já é uma tarefa bem complicada hoje em dia.

    Criatividade é o ponto eu acho. Independente da área de atuação, sempre tem como desenvolver algum tipo de suporte para quem precisa. Se pararmos para pensar um pouco dá pra encontrar uma maneira de ajudar fazendo alguma coisa que se goste.

    Mas claro, acho que o mais importante nisso tudo é manter a consciência tranquila… o caso do Carter é complicado, se a repercussão da foto teve algum efeito na decisão dele de se suicidar, então é porque ele realmente acreditava que fez errado (como disse o Salsinha).

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